{"id":2900,"date":"2020-12-26T16:56:51","date_gmt":"2020-12-26T15:56:51","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalocrime.com\/?p=2900"},"modified":"2020-12-26T16:56:51","modified_gmt":"2020-12-26T15:56:51","slug":"mbanza-hanza-promete-vou-tornar-angola-um-pais-de-todos-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalocrime.com\/ilnes\/mbanza-hanza-promete-vou-tornar-angola-um-pais-de-todos-nos\/","title":{"rendered":"Mbanza Hanza promete: \u201cVOU TORNAR ANGOLA UM PA\u00cdS DE TODOS N\u00d3S\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De seu nome verdadeiro Afonso Mayenda Jo\u00e3o Matias, 35 anos, \u00e9 conhecido nas lides do activismo c\u00edvico e pol\u00edtico como Mbanza Hanza, numa combina\u00e7\u00e3o entre o lugar (Mbanza) e a for\u00e7a de um guerreiro (Hanza) \u2013 nome que \u2013, ali\u00e1s, diz ter criado em co-autoria com um companheiro de luta. Esposo e pai de duas meninas, \u00e9 licenciado em Engenharia Inform\u00e1tica por uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior da qual se recusou a receber o diploma de licenciatura, por protesto, e que se nega a citar, no entanto, considera-se auto-didata em direito. Conhe\u00e7a, em entrevista exclusiva, as ideias do jovem que diz estar \u00e0 altura para substituir Jo\u00e3o Louren\u00e7o no poder e fazer de Angola um pa\u00eds melhor para se viver.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por: Jo\u00e3o Feliciano<\/strong><\/p>\n<p><strong style=\"text-align: justify;\">O Crime \u2014 Que \u00e9 Mbanza Hanza?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014 <\/strong>Mbanza Hanza \u00e9 o meu nome. Eu tenho um outro nome de registo, mas prefiro vincar a minha identidade, como \u201cMwuntu\u201d. \u00c9 o nome que me deixa mais \u00e0-vontade e \u00e9 assim que eu quero aparecer nos \u00f3rg\u00e3os e tudo mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o nome que est\u00e1 de registo \u00e9 Afonso Mayenda Jo\u00e3o Matias, nasci na prov\u00edncia do U\u00edge, no munic\u00edpio de Milunga, em 1985. Sou pai de duas meninas, e resido actualmente no distrito da Camama, no munic\u00edpio do Talatona, em Luanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Crime \u2014E quando chegou a Luanda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza:<\/strong> Cheguei a Luanda em 1999, vindo da cidade sede da capital da prov\u00edncia do U\u00edge. Portanto, foi a primeira vez que pisei os p\u00e9s a esta cidade (Luanda) \u201cinfernal\u201d, juntamente com a minha m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Por que raz\u00e3o sa\u00edram do U\u00edge?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014 <\/strong>Fugimos da guerra. Ali\u00e1s, eu nunca deveria ter sa\u00eddo do meu Milunga, se n\u00e3o fosse a guerra. Mas, agora vejo que se n\u00e3o tivesse sa\u00eddo de l\u00e1, talvez, eu n\u00e3o seria o Mbanza que sou hoje. Porque eu vim aqui, possivelmente, encarnar esse desafio, que \u00e9 o de liderar o meu Pa\u00eds e o meu povo e, agora, come\u00e7o a perceber que tudo faz sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o argumento da guerra foram as condi\u00e7\u00f5es que, aqueles que governam o pa\u00eds, querendo ou n\u00e3o, usaram para me trazer aqui. Porque era inimagin\u00e1vel que eu l\u00e1 nas lavras, a ca\u00e7ar ratos, enquanto as coisas acontecem aqui, deste lado do Kwanza e para, hoje, estar aqui e ser este Hanza\u2026 ningu\u00e9m poderia imaginar isso. Ent\u00e3o, foi o factor guerra que deu a boleia \u2013 mas, agora, eu vou vendo que, ep\u00e1, \u00e9 um prop\u00f3sito maior!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Pode-se dizer que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma correla\u00e7\u00e3o entre o Mayenda do Milunga, com Mbanza Hanza de Luanda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza: <\/strong>H\u00e1 sim. Pois o nosso destino \u00e9 tra\u00e7ado assim que entramos no ventre da nossa m\u00e3e, s\u00f3 que entender isso \u00e9 que leva tempo. Sen\u00e3o a miss\u00e3o n\u00e3o come\u00e7a no momento em que voc\u00ea a entende, ela come\u00e7a muito antes. Bem possivelmente muito antes de entrarmos no ventre da nossa m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o processo que nos levou a entender \u00e9 esse. Estava tudo predestinado. E pela forma como as coisas v\u00e3o acontecendo, n\u00e3o s\u00e3o meros acasos, eu acredito que seja numa sequ\u00eancia dos eventos. E, hoje, com tudo aquilo que aconteceu, j\u00e1 d\u00e1 para dizer mesmo\u2026 futuro Presidente de Angola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Em 1999, com 14 anos, a Luanda que encontrou era igual a que tinha desenhado na sua imagina\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Na verdade, o \u00fanico desenho que eu tinha era da Ilha de Luanda, porque, quando estudava a 4.\u00aa classe, haviam nos manuais escolares desenhos de ilhas\u2026 e o mar. E n\u00f3s chegamos a Luanda de helic\u00f3ptero, ent\u00e3o a \u00fanica coisa que eu consegui confirmar foi, de primeira, o mar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, normalmente a areia, na praia, forma um desenho, que estava exactamente igual como a que tinha nos livros. Ent\u00e3o eu disse \u2018oh wau!\u2019, aqui tem alguma coisa eu j\u00e1 conhecia. Tudo resto era \u201cnovidade\u201d para aquele menino. No entanto, alguma coisa, em termo de estrutura urbana, eu j\u00e1 conhecia. At\u00e9 porque vinha da cidade do U\u00edge, onde fiquei por dois anos, depois de ter sa\u00eddo de Milunga, a minha terra natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 A que dist\u00e2ncia se situa Milunga da cidade do U\u00edge?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Estamos a falar de mais de 200 quil\u00f3metros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 E era a primeira vez que ia \u00e0 cidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014 <\/strong>Como adolescente, sim. A primeira vez foi quando eu era mais novo, um beb\u00e9, na verdade. Mas a minha inf\u00e2ncia de andar, de falar, foi no Milunga, e foi l\u00e1, tamb\u00e9m, onde aprendi os valores que me conduzem at\u00e9 agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O respeito aos mais velhos, ouvir, deixar o lugar, entregar as coisas com as duas m\u00e3os, todos estes valores foram-me ensinados na minha aldeia. Fora das grandes cidades, o \u201cMuntu\u201d, o africano \u00e9 muito educado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O africano fora das cidades nem \u00e9 criminoso, n\u00f3s n\u00e3o roubamos, portanto, n\u00e3o h\u00e1 estas coisas. As pessoas s\u00e3o mesmo muito educadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 C\u00e1 em Luanda, onde \u00e9 que se instalou, e o que mais lhe encantou, para al\u00e9m da Ilha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Instalamo-nos na Petrangol, bem pr\u00f3ximo \u00e0 Comarca, na rua dos Candeeiros. No princ\u00edpio as pessoas ficavam com medo, porque para ir \u00e0 praia, t\u00ednhamos que atravessar a estrada, mas depois de eu me atrever uma ou duas vezes, criei o h\u00e1bito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, nessa altura eu era apenas um adolescente, e, nessa idade, tudo o que \u00e9 novo encanta para a crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tinha as capacidades de julgamento que eu tenho hoje. Ent\u00e3o, uma realidade nova, a capital \u00e9 a coisa, quando a gente est\u00e1 no interior, quando estamos fora, Luanda \u00e9 como a Europa, n\u00ea! Quando te dizem que vais \u00e0 Luanda, a pessoa fica tipo\u2026 \u201cwau\u201d, vou para um para\u00edso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o enquanto crian\u00e7a, n\u00e3o fiz grandes julgamentos, porque tudo era interessante \u2026, mas hoje j\u00e1 n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Nem precisamos dizer que a Luanda da sua adolesc\u00eancia n\u00e3o \u00e9 a de hoje?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Nenhum pouco! Pese embora muitas coisas ainda persistem. O gueto que eu encontrei em 1999 e as dificuldades que encontrei naquela \u00e9poca s\u00e3o as mesmas do gueto de 2020. Falo de exclus\u00e3o, falta de luz, falta de \u00e1gua, gente a zungar para sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema para o gueto tem sido a minha hist\u00f3ria de viv\u00eancia e a minha experi\u00eancia aqui na capital. O gueto continua o mesmo e isso esteve na base, tamb\u00e9m, para que eu come\u00e7asse a fazer protestos. N\u00f3s temos um pa\u00eds e um continente muito aben\u00e7oado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o haveria necessidade, nem sequer para trabalharmos para estarmos bem. J\u00e1 que h\u00e1 muitos recursos aqui, muitos recursos mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ouvimos relatos, como os que aconteceu com a igreja Universal do Reino de Deus, em que a IURD de Angola \u00e9 que sustentava as IURDs do planeta, eu at\u00e9 dizia que estamos mesmo no \u201cel dorado\u201d. Mas por que n\u00e3o administramos bem isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que \u00e9 que tenho o meu povo a passar fome? Por que \u00e9 que tenho gente a morrer? Muita coisa n\u00e3o faz sentido. Ent\u00e3o \u00e9 isso tudo que se junta \u00e0 necessidade de ter que contribuir com algo melhor, com algo diferente, com algo novo e que nos represente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Com que n\u00edvel de escolaridade chegou \u00e0 Luanda? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Estava a frequentar a 6.\u00aa classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 J\u00e1 sabia ler e escrever?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Eu aprendi a ler e a escrever quando tinha sete anos, se n\u00e3o me engano, em Milunga. E eu fui o homem das cartas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E este meu processo de aprender a ler foi meio que acidental, porque aprendi a decorar primeiro, na altura acho que estudava a primeira classe. Eu havia decorado os textos do livro da primeira, todos eles. Ent\u00e3o naquela fase os meus professores achavam que eu j\u00e1 lia, afinal os tinha decorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o processo de aprender a ler mesmo foi meio que acidental, como se fosse auto-aprendizagem. E desde aquela data que eu me apercebi isso, at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 N\u00e3o ter\u00e1 sido pelo facto de te sentires meio preso, como se n\u00e3o pudesse ir al\u00e9m daquilo que tinhas decorado?\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014 <\/strong>N\u00e3o foi muito por isso. Porque o processo de ensino \u00e9 um processo de formata\u00e7\u00e3o, quer queiramos quer n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque o aluno assimila o \u201ca\u201d, n\u00e3o porque ele quer, mas pela repeti\u00e7\u00e3o do professor. Ent\u00e3o \u00e9 um processo de formata\u00e7\u00e3o. E este processo de formata\u00e7\u00e3o que, quando est\u00e1 cimentado, ele ocorre automaticamente na pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, \u00e9 este processo de formata\u00e7\u00e3o que se ter\u00e1 despertado, automaticamente, em mim, foi acidentalmente. Ou seja, para ser mais preciso, eu estava a estudar a 2.\u00aa classe, acho, e vinha com a fama de ser o aluno da primeira classe que j\u00e1 sabia ler e escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que, na segunda classe eu n\u00e3o tinha acesso a livros, n\u00e3o via ningu\u00e9m ler, para poder decorar, ent\u00e3o, ficou um pouco dif\u00edcil para mim, como aprender a decorar sem ouvir que leia os textos. Porque eu ficava atento, e gravava tudo, que as pessoas liam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o havendo esta pessoa, eu tinha que me esfor\u00e7ar para provar que sabia ler. E uma das palavras que me for\u00e7ou a saber ler \u00e9 a palavra \u201ccinco\u201d. Porque o meu professor da segunda classe, que veio a ser tamb\u00e9m o da terceira, ensinou-nos as s\u00edlabas \u201cca, ce, ci, co, cu\u201d, como \u201cca, que, qui, co, cu\u201d. Ent\u00e3o que lia \u201cquinco\u201d ao inv\u00e9s de \u201ccinco\u201d \u2013 ent\u00e3o comecei a ver que n\u00e3o fazia sentido a primeira forma de pronunciar o \u201ccinco\u201d. Como n\u00e3o era uma palavra familiar, certo dia eu decidi ler de forma diferente, acabei por acertar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele dia, percebi que tem coisas que se escrevem de uma forma e que se l\u00eaem de outra. Aquilo me guia at\u00e9 hoje, e fez-me perceber que h\u00e1 coisas na vida que n\u00e3o s\u00e3o o que parecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, foi o cinco que me ensinou a ler. E, agora, aprendi uma nova ci\u00eancia, que \u00e9 o \u201cMandombe\u201d, que se baseia num elemento semelhante ao cinco. O \u201cpaku ndungo\u201d \u00e9 \u201ccinco\u201d e o \u201cpelekete\u201d \u00e9 dois. O que quer dizer que, o cinco que me ensinou a ler \u00e9 o que agora est\u00e1 a me dar a ci\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito interessante, ali\u00e1s, hoje \u00e9 a primeira vez que eu estou a fazer esta associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Onde \u00e9 que conheceu essa nova ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Foi mesmo aqui, quando eu decidi abandonar o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, por que j\u00e1 n\u00e3o me revia com o sistema, n\u00e3o apenas com o sistema educativo de Angola, mas com o sistema de ensino global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu fui professor durante 12 anos, portanto, comecei em 2005 e em 2017 decidi abandonar porque entrei em crise com o sistema. Porque eu entendi que parte dos problemas que os nossos pa\u00edses se debatem, s\u00e3o transmitidos na escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, no nosso caso particular, ela n\u00e3o est\u00e1 propriamente para nos ajudar a resolver os problemas\u2026 ele \u00e9 parte do processo de constru\u00e7\u00e3o e de cimenta\u00e7\u00e3o do problema. Ent\u00e3o eu disse que vou largar e procurar algo melhor. Um sistema que nos reflicta. Porque h\u00e1 excesso de colonialismo, de estrangeirismo, como por exemplo na disciplina de hist\u00f3ria, a hist\u00f3ria que se nos ensinam \u00e9 maioritariamente estrangeira do que nossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pa\u00eds como Angola, com v\u00e1rios povos e um mosaico cultural muito grande, n\u00e3o sei porqu\u00ea que a gente tem de estudar hist\u00f3ria da Gr\u00e9cia, uma Gr\u00e9cia que, praticamente, j\u00e1 n\u00e3o existe. A hist\u00f3ria europeia deveria ser uma coisa a posteriori.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o foi isso que me fez decidir largar as aulas, para procurar um sistema melhor, um sistema alternativo que fosse mais representativo, que nos ajudasse a libertarmo-nos e podermos produzir. S\u00f3 que eu n\u00e3o sabia qual, mas falava sempre do meu desejo de criar a escola \u201cMuntu\u201d, que se reflecte no africano como ele \u00e9, de facto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, eu tinha o desejo de ir at\u00e9 \u00e0 Lib\u00e9ria para aprender o \u201cVai\u201d, que \u00e9 o \u00fanico sistema de escrita, que at\u00e9 2017, eu sabia que ainda se escrevia, um sistema africano que ainda estava em vigor e era ensinado na escola. Portanto, para ir aprender e vir aplicar na minha escola, tal como eu idealizei, onde o modelo de escrita e a l\u00edngua de transmiss\u00e3o seria toda ela africana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois, se a ci\u00eancia me chega na minha l\u00edngua origin\u00e1ria, bem mais f\u00e1cil eu me torno din\u00e2mico e come\u00e7o a criar, do que quando eu tenho que fazer migra\u00e7\u00f5es para o Portugu\u00eas e deste para o Latim e, posteriormente, para o grego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, em 2018, um amigo perguntou-me se eu j\u00e1 havia ouvido falar do \u201cMandombe\u201d, eu disse-lhe que n\u00e3o, e foi da\u00ed que ele me mandou uns \u201cprints\u201d da escritura e da explica\u00e7\u00e3o do que se tratava, no Wikip\u00e9dia. Ent\u00e3o, da\u00ed, eu disse, nem mais, era mesmo isso que eu precisava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um sistema ultracient\u00edfico. Na verdade ele vai ajudar-nos a entender at\u00e9 a pr\u00f3pria ci\u00eancia, que n\u00f3s n\u00e3o entendemos hoje. Ali\u00e1s, foi o que eu disse ao Presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o, de que se tivesse oportunidade, gostaria de apresentar-lhe este sistema, porque vai facilitar-nos muito. Ali\u00e1s, ele funciona como um acelerador e um atalho para o aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquilo que n\u00f3s levar\u00edamos quatro anos, na ci\u00eancia cartesiana, com o \u201cMandombe\u201d levar\u00edamos muito menos tempo, um ano no m\u00e1ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Recuando aos tempos da Petrangol, que se situa no alto do antigo munic\u00edpio do Sambizanga, hoje distrito do N\u2019gola Kiluanje, era poss\u00edvel ver-se a zona baixa da cidade capital, com imponentes edif\u00edcios e vivendas de luxo, contrastando com os becos e casebres de alvenaria n\u00e3o rebocadas da sua circunscri\u00e7\u00e3o. O que te ocorria na alma?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Na verdade \u00e9 um grande contraste. No entanto, criava-me alguma confus\u00e3o, como adulto j\u00e1. Enquanto crian\u00e7a, criava-me um desejo de querer ter estado nestes pr\u00e9dios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando n\u00f3s chegamos a Luanda, a primeira desilus\u00e3o, embora ainda crian\u00e7a, foi tipo, ao sairmos do Aeroporto, eu via a exuber\u00e2ncia da cidade, os pr\u00e9dios e reparei que cada vez que \u00edamos, deix\u00e1vamos os pr\u00e9dios para atr\u00e1s. E eu me perguntava quando que \u00edamos parar e eu ficar no pr\u00e9dio. E quando n\u00f3s deixamos a cidade e foram aparecendo as sucatas e a poeira do musseque, eu percebi logo que era no areal que haver\u00edamos de fixar resid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1s a ver aquele sentimento de expectativa, tu vais vendo o bonito, mas cada vez que avan\u00e7as ele vai ficando para atr\u00e1s, da\u00ed percebes que vais ao lixo. E, naquela altura, para quem conheceu a rua dos Candeeiros, logo \u00e0 entrada, haviam v\u00e1rias sucatas. Ent\u00e3o era esta sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, nessa altura de adolescente, era mais \u00e0-vontade estar l\u00e1, n\u00e3o tipo, \u00e9 injusto eles estarem l\u00e1 e n\u00f3s aqui. Ademais, essa consci\u00eancia do injusto foi surgindo mais tarde, quando eu fico mais adulto e come\u00e7o a ver que s\u00e3o coisas arranjadas propositadamente.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO nosso financiador para nos manifestarmos \u00e9 o sofrimento\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 E quando \u00e9 que se d\u00e1 o encontro com o activismo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hamza \u2014<\/strong> Bem, eu acho que essa coisa j\u00e1 borbulha, inconscientemente, em mim, especialmente quando eu comecei a estudar na ADPP, em 2003. Eu entrei l\u00e1 em Setembro de 2003, e l\u00e1 comecei a entrar em contacto com hist\u00f3rias, porque a primeira disciplina que aprendemos na ADPP \u00e9 o Mundo, o mundo no qual vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, ensinam-nos sobre figuras que marcaram o mundo e que, pelo seu trabalho e sua actua\u00e7\u00e3o, transformaram a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tive contacto com Malcolm X, Bob Marley, aprendi sobre Dalai Lama, madre Teresa de Calcut\u00e1, Martin Luther King e Nelson Mandela, e, lendo as biografias destas pessoas, fui vendo que era poss\u00edvel fazer-se alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, tamb\u00e9m, antes de ter ido \u00e0 escola, eu tinha come\u00e7ado a estudar com as Testemunhas de Jeov\u00e1, que s\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o mesmo muito fechada, e a vis\u00e3o que eles t\u00eam sobre as coisas do mundo \u00e9 outra. S\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o que t\u00eam uma vis\u00e3o de que vivem no mundo, mas n\u00e3o fazem parte do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, tudo que est\u00e1 ligado ao mundo, a pol\u00edtica, os protestos, n\u00e3o lhes diz muito respeito, porque eles aguardam a vinda do reino de Deus que vai resolver todos os problemas da humanidade\u2026 porque os nossos problemas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o no n\u00edvel humano de resolver. Eu tinha tamb\u00e9m essa semente em mim, apesar de que eu n\u00e3o era praticante, mas, dizia que s\u00e3o coisas para n\u00e3o se meter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal \u00e9 que, assim que eu termino o curso na ADPP e vou para o est\u00e1gio na Funda, eu decido levar a cren\u00e7a das Testemunhas de Jeov\u00e1 mais a s\u00e9rio. Ali\u00e1s, a ADPP era, pelo menos no tempo em que la estive, uma escola de forma\u00e7\u00e3o de professores, e que assim que o estudante terminava o curso era mandado, em est\u00e1gio, para as zonas rurais. E eu calhei na Funda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois ent\u00e3o, quando eu l\u00e1 cheguei a minha maior preocupa\u00e7\u00e3o era dar continuidade aos meus estudos com as Testemunhas de Jeov\u00e1, e at\u00e9 fiz progresso nesse sentido. Em 2008 me baptizei, mas em 2010 eu entro em crise de cren\u00e7a com as Testemunhas de Jeov\u00e1, que eu n\u00e3o quero aflorar aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas acho que \u00e9 esta crise que chama todas as outras, porque comecei a questionar a quest\u00e3o da religiosidade, a espiritualidade e a f\u00e9, ent\u00e3o comecei a ter um olho mais cr\u00edtico e todas aquelas coisas que eu aprendi na escola come\u00e7aram a vir ao de cima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Malcolm X fez alguma coisa, eu tamb\u00e9m posso. Mas eu n\u00e3o tinha poder de iniciativa, n\u00e3o podia depender de mim, o Hanza n\u00e3o convocava manifesta\u00e7\u00e3o, porque eram experi\u00eancias que eu n\u00e3o conhecia. Mas a primeira vez que eu ouvi uma manifesta\u00e7\u00e3o a ser convocada era para o dia 7 de Mar\u00e7o de 2011, e eu disse que era isso que eu sempre quis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 E nesta altura j\u00e1 era o Mbanza Hanza?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> N\u00e3o. O Mbanza foi sendo feito. Porque este \u00e9 um nome que eu ganhei ao longo do activismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornal O Crime \u2014 Quem escolhe o nome?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hamza \u2014<\/strong> Na verdade foi um nome aplicado em conjunto com alguns companheiros. O Mbanza fui eu a escolher, que significa cidade ou lugar, na l\u00edngua nacional Kikongo. J\u00e1 o Hanza, em honra a um soldado, foi-me sugerido por um amigo, explicando que o Hanza era t\u00e3o poderoso, nas batalhas, que, para o derrotar, foi preciso os seus pr\u00f3prios companheiros o apunhalarem pelas costas. E este amigo sugeriu que eu tivesse este nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu disse que a hist\u00f3ria era interessante, mas sem essa parte de me apunhalarem pelas costas. Mas, em 2015, eu tenho uma outra crise, se assim a posso considerar, e foi o franc\u00eas Liliam Thuram, com o seu livro \u201cAs Minhas Estrelas Negras \u2013 De Lucy a Barack Obama\u201d, lan\u00e7ado em 2014, do qual eu tive acesso em 2015, na pris\u00e3o, que me lan\u00e7ou contra mim mesmo, porque durante o meu processo de activista, eu tive sempre essa cena africana comigo, tal \u00e9 que os nomes africanos que n\u00f3s tivemos no grupo, grande parte deles foram sugeridos por mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A associa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s criamos chama-se \u201cHandeka\u201d, vem um pouco disso, porque o controlo do processo das elei\u00e7\u00f5es que tivemos em 2016 chamou-se \u201cJiko\u201d, e \u00e9 essa preocupa\u00e7\u00e3o de que a \u00c1frica e o africanismo tinham que nos acompanhar. Temos que dar um rosto mais africano nas nossas coisas, porque \u00e9 isso que n\u00f3s somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o Liliam me atirou contra mim mesmo, porque aquele livro trouxe estrelas que eu nunca imaginei. Porque a hist\u00f3ria n\u00e3o nos conta hist\u00f3rias sobres estrelas negras, tudo que sabemos \u00e9 que os negros s\u00e3o escravos e por isso \u00e9 que temos um Museu de Escravatura, mas n\u00e3o temos um \u201cmuseu de resist\u00eancia \u00e0 escravatura\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as coisas que n\u00f3s temos s\u00e3o a louvar o colonialismo e a sua destrui\u00e7\u00e3o. Por exemplo, comemoramos a funda\u00e7\u00e3o da cidade de Luanda a partir da data institu\u00edda por Paulo Dias de Novais, mas essa cidade j\u00e1 existia e j\u00e1 era habitada antes disso. Ou seja, tudo que fazemos \u00e9 louvando quem veios nos colonizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso \u00e9 uma das coisas que me fez entrar, tamb\u00e9m, em crise com o sistema de educa\u00e7\u00e3o \u2013 pois, aquele livro mostrou que os negros fizeram, se bateram e, pronto. Eu disse que me havia encontrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei a questionar tudo, e, em 2016, quando a gente sai da pris\u00e3o, os meus primeiros posts eram mesmo de muita revolta, e quem lia aquilo facilmente me chamaria por racista ou xen\u00f3fobo. E n\u00e3o \u00e9 porque eu havia sido encarnado por um espirito de rebeldia, mas, como havia dito ao Luaty \u2013 \u201co meu bal\u00e3o estava cheio\u201d \u2013, porque n\u00e3o \u00e9 normal que eu viva mais de trinta anos alheio disso tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o quando soube que muitas das coisas que utilizamos hoje foram criadas por negros e cujas hist\u00f3rias s\u00e3o ocultadas, isso me deixa revoltado. Sobretudo porque o nosso sistema de ensino tamb\u00e9m nos oculta isso, ent\u00e3o o meu bal\u00e3o foi esvaziando com raiva e revolta por causa dessas coisas e, em 2018, decidi renascer como \u201cMbanza A N\u2019za\u201d, uma frase totalmente em Kikongo, que significa \u201cum lugar no mundo\u201d. S\u00f3 que pronto, as pessoas n\u00e3o conseguem pronunciar o nome desta forma, e dizem Mbanza Hanza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 E j\u00e1 encontrou o seu lugar no mundo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> N\u00e3o \u00e9 encontrar, mas estabelecer. Esse lugar existe, s\u00f3 que est\u00e1 deturpado, porque n\u00e3o podemos permitir estar a viver no nosso territ\u00f3rio e sentirmos que somos estrangeiros nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o \u00e9 reestabelecer, porque as regras que v\u00e3o conduzir este espa\u00e7o t\u00eam de ser as nossas regras. O que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o vamos cooperar com outros povos, vamos sim. Mas quem vai ditar as regras somos n\u00f3s. Ent\u00e3o n\u00f3s temos que firmar isso, temos que nos assumir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O visitante \u00e9 recebido em casa, nunca \u00e9 o dono da casa. \u00c9 isso que se passou em Angola e quase toda \u00c1frica, e \u00e9 isso que queremos reverter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Em 2015, por altura do processo 15+2, j\u00e1 se conhecia com todo aquele pessoal com que esteve preso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> J\u00e1 sim, com excep\u00e7\u00e3o do Benedito Dali. O Dito foi algu\u00e9m que conheci s\u00f3 no processo. Foi a primeira vez que o via e fui conhecendo-o na pris\u00e3o. De resto, todos os outros s\u00e3o manos, com os quais j\u00e1 viemos juntos desde 7 de Mar\u00e7o de 2011, nesta luta, de que estamos cientes de que podemos contribuir para um pa\u00eds melhor, mais transparente, e mais inclusiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Algumas vozes cr\u00edticas ao vosso movimento falam, com alguma certeza, de receberem apoios de institui\u00e7\u00f5es internas e estrangeiras. E essas cr\u00edticas t\u00eam algum respaldo, sobretudo quando v\u00eam o Nito Alves, que vem de uma fam\u00edlia humilde, a ir e vir da Europa. Voc\u00eas recebem algum apoio desta natureza? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014 <\/strong>Apoio para manifestar! Olha, se h\u00e1 um financiador excelente \u00e9 o nosso sofrimento. Sabes, quando as pessoas dizem que \u00e9 preciso que uma institui\u00e7\u00e3o financeira me financie para reclamar, est\u00e3o-me a ofender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como disse antes, quando eu cheguei a Luanda pela primeira vez, eu comecei a ficar triste porque os pr\u00e9dios estavam a ficar para tr\u00e1s, cada vez que avan\u00e7\u00e1vamos. E quanto mais me aproximava ao lixo, mais se dava a certeza de que \u00e9 aqui onde eu vou viver. E quando eu cres\u00e7o e come\u00e7o a perceber que \u00e9 um arranjo propositado, isso me revolta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, mais uma vez, o principal financiador da nossa luta \u00e9 o nosso sofrimento, \u00e9 a pobreza desnecess\u00e1ria, engenhosamente tra\u00e7ada para afectar este segmento da sociedade como eu, como o Manuel Chivonde \u201cNito Alves\u201d, que, infelizmente, temos que ficar nos guetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, estas acusa\u00e7\u00f5es de apoios e de financiamentos v\u00e3o sempre acontecer, primeiro pelo factor pobreza, e segundo para as pessoas justificarem o seu relaxamento diante do sofrimento colectivo. E muitos deixam de juntar-se \u00e0 causa porque, infelizmente, acham que somos financiados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Nito Alves e os espa\u00e7os que ele vai visitando explicam-se. Como \u00e9 que voc\u00eas chegaram a mim? Voc\u00eas teriam ligado para o Hanza de 1999? Voc\u00eas teriam chegado ao Hanza an\u00f3nimo da Funda? \u00c9 pelo que eu fiz, \u00e9 pela aten\u00e7\u00e3o que eu chamei \u2013 e esta aten\u00e7\u00e3o chama tanto as pessoas que est\u00e3o internamente, como as que est\u00e3o no exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, normalmente quando as pessoas te chamam, diferentemente do nosso caso, que estamos habituados aqui na nossa cidade, quem te chama paga! Custeia! E se querem o Nito na Europa v\u00e3o pagar o bilhete de passagem, assim como nos quiseram em Mo\u00e7ambique, em 2012, pagaram tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Quantos foram e por que raz\u00e3o vos queriam l\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> N\u00e3o. Nesta altura fomos quatro, portanto, eu, o Emiliano, o Francisco Kimbinza e o Hossi. Fomos convidados pelo Parlamento Juvenil de Mo\u00e7ambique, para uma Confer\u00eancia da Juventude para a Boa Governa\u00e7\u00e3o, e queria ter experi\u00eancia de v\u00e1rios cantos do continente. Logo, queriam ter, tamb\u00e9m, a experi\u00eancia dos jovens activistas de Angola. Fomos l\u00e1 partilhar como \u00e9 que n\u00f3s trav\u00e1vamos as nossas lutas aqui, para ajudar outros jovens a verem como \u00e9 que as coisas acontecem e isso se repercutir a n\u00edvel do continente, at\u00e9 porque est\u00e1vamos todos a clamar por melhorias, por boa governa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, me pagar para lutar! Como \u00e9 que se explica isso? Querem dizer que no dia 7 de Mar\u00e7o, antes de ir para a manifesta\u00e7\u00e3o primeiro me pagaram?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Ent\u00e3o, nunca foram bonificados por quem quer que seja? Fala-se, por exemplo de terem recebidos apoios financeiros por parte de Isabel dos Santos!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> \u00c9 poss\u00edvel o grilo rasgar a pr\u00f3pria barriga? Isabel dos Santos \u00e9 o qu\u00ea, politicamente? MPLA! E o MPLA vai financiar para a sua autodestrui\u00e7\u00e3o? N\u00e3o sei, n\u00e3o faz sentido para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa quest\u00e3o dos financiamentos \u00e9 muito persistente. Por exemplo, no tempo do Presidente Eduardo dos Santos, foi muito mais intensa. Mas \u00e9 aquilo que eu estou a dizer. \u00c9 para incentivar alguns a n\u00e3o se juntarem \u00e0 causa, e no caso do governante, para justificar a sua atitude para contigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabes, \u00e9 preciso criminalizar algu\u00e9m para o tratar criminalmente. Pois \u00e9 o que a nossa Pol\u00edcia, mais ou menos, faz. O jovem, que por causa da m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o, ficou privado de todas as condi\u00e7\u00f5es sociais m\u00ednimas, n\u00e3o teve acesso a alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teve acesso \u00e0 sa\u00fade ou \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, e por causa disso rouba a galinha ou a botija mais pr\u00f3xima que ele encontrar, \u00e9 tachado de criminoso. E por ser criminoso, deve ser tratado criminalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o vai ter que apanhar surra pelo SIC e essas coisas todas. Ou seja, \u00e9 preciso que eu, como pol\u00edtico, te tachar de alguma coisa para justificar a minha atitude para contigo \u2013 logo, j\u00e1 que s\u00e3o tachados como inimigos da paz e est\u00e3o a ser financiados por organismos internacionais, vamos partir-lhes as cabe\u00e7as, para cortar o mal pela raiz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, mais uma vez, o maior financiador da minha luta \u00e9 o Cazenga, \u00e9 o Cacuaco, \u00e9 Viana, Sambizanga, Catinton. E isso \u00e9 o que financia a luta c\u00edvica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elimina s\u00f3 isso, e n\u00e3o vais ter mais gente nas ruas a protestar. Por isso \u00e9 que n\u00e3o v\u00eas pessoas das Ingombota nas manifesta\u00e7\u00f5es, os da Maianga, do Talatona, nunca apareceram nos protestos. E eles s\u00e3o financiados, porque as organiza\u00e7\u00f5es internacionais se estabelecem nessas zonas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 viste uma organiza\u00e7\u00e3o internacional no Cazenga? Est\u00e1s a ver! Quem tem afinidade com estas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Como \u00e9 que olha a Angola do Presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o, fazendo um paralelismo com a de JES, sobretudo no cap\u00edtulo da boa governa\u00e7\u00e3o?\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Bem, no cap\u00edtulo da boa governa\u00e7\u00e3o, ele remete-nos \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o dos anseios, dos principais anseios da popula\u00e7\u00e3o, agora a volta dos 30 milh\u00f5es de habitantes, mas \u00e9, tamb\u00e9m, aquilo que eu disse no in\u00edcio, que o Sambizanga que eu conheci em 1999, \u00e9 o mesmo de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sei que a transforma\u00e7\u00e3o para estes s\u00edtios ainda vai levar algum tempo. E, segundo, \u00e9 que estes s\u00edtios j\u00e1 foram aceites assim, que \u00e9 normal viver no Sambizanga, naquelas condi\u00e7\u00f5es. Ou seja, at\u00e9 o pr\u00f3prio governo j\u00e1 mentalizou, durante estes anos todos, 45 anos de independ\u00eancia, que \u00e9 normal que as pessoas vivam ali naquelas condi\u00e7\u00f5es. Logo, a aten\u00e7\u00e3o que se vai prestar a estes s\u00edtios ainda vai levar muito tempo, e, por isso, justifica-se a constante luta pela institucionaliza\u00e7\u00e3o das autarquias, que v\u00e3o permitir uma aten\u00e7\u00e3o mais dirigida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando para os dois contextos, v\u00e3o-se registando melhorias. H\u00e1 alguma mudan\u00e7a que n\u00e3o se podem negar. Porque se pegares a m\u00e9dia e a forma como as pessoas agora aparecem, falam e criticam, nota-se alguma mudan\u00e7a \u2013 e reconhecer isso \u00e9 um sinal de que \u2013, valeu a pena eu ter lutado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o frutos da minha luta, s\u00e3o coisas como estas que eu queria ver a acontecerem no meu pa\u00eds, o que me deixa muito feliz. Porque ao final da jornada olhamos para o que fizemos e dizemos que sim, valeu a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mesmo em n\u00famero reduzido, acreditamos, fomos \u00e0 luta, fomos ousados e teimosos, batemos e batemos, e agora as coisas v\u00e3o acontecendo. E, como disse, em 2016, qualquer mudan\u00e7a que acontecer \u00e9 fruto da minha luta, portanto, \u00e9 meu ganho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essa \u00e9 uma estrada, e ainda temos muito caminho a percorrer. E um dos aspectos que n\u00f3s temos que pegar, mesmo, \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 tem 10 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, foi um dos desafios que eu levei no encontro que tivemos com o Presidente da Rep\u00fablica, sobretudo quando eu lhe disse que estava pronto para substituir o MPLA. Eu estou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E as pessoas pensaram logo no seguinte, encontre j\u00e1 um nome para o partido e vamos j\u00e1 colher as assinaturas, porque estamos contigo. Mas \u00e9 justamente o partidarismo com o qual eu sou contra, porque \u00e9 isto que vai acentuando, n\u00e3o apenas a desigualdade, mas o n\u00e3o nos conjugarmos para resolvermos os problemas de Angola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, eu n\u00e3o tenho uma vis\u00e3o de criar mais uma estrutura como \u00e9 o caso de um partido. Porque, o que \u00e9 que vai ser, este vai ser mais um espa\u00e7o onde as pessoas v\u00e3o rever-se, saber que o que vale \u00e9 isso, ent\u00e3o, ou voc\u00ea serve ou n\u00e3o serve. E o partido vai ser um novo factor de exclus\u00e3o, e \u00e9 isso que eu n\u00e3o quero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando ao que eu estava a levantar, um dos trabalhos, que \u00e9 um contra-desafio ao PR, \u00e9 a revis\u00e3o do Artigo 109.\u00ba da constitui\u00e7\u00e3o, e os poderes lhe est\u00e3o delegados no artigo 233.\u00ba. Ele pediu-me para treinar, mas o treino \u00e9 conjunto, e o artigo 233.\u00ba diz que a revis\u00e3o cabe ao PR, ele pode tomar iniciativa de revis\u00e3o ou a um ter\u00e7o dos deputados. No ent\u00e3o, se o PR e os deputados n\u00e3o querem monopolizar a pol\u00edtica e o poder pol\u00edtico, est\u00e1 a\u00ed o desfio. S\u00f3 pedimos a revis\u00e3o deste artigo para permitir candidaturas independentes. O meu partido \u00e9 Angola, e com candidaturas independentes, a gente chega l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 E como \u00e9 que olha para o Artigo 333.\u00ba, estar\u00e1 a liberdade de express\u00e3o em causa em Angola?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> N\u00e3o \u00e9 preciso criar leis. E depois aquela lei \u00e9 c\u00f3pia. Foram em Portugal, pegaram e copiaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 \u00c9 mal copiar, ou copiar de Portugal?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> \u00c9 mal copiar. Portugal n\u00e3o tem nada a ver com Angola, e isso \u00e9 incapacidade. Pois, precisamos criar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos nos inspirar, at\u00e9 porque pessoas h\u00e1 que s\u00e3o condenadas por pl\u00e1gio, e isso deveria contar at\u00e9 nestes aspectos. Porque acabamos por importar uma realidade e uma forma de pensar diferente. N\u00e3o se copiam apenas as leis, pois elas est\u00e3o atreladas a uma forma de pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma vis\u00e3o de mundo, que n\u00e3o \u00e9 a de Angola. Eu lhe disse que na minha aldeia, e na Angola profunda, das aldeias, as pessoas s\u00e3o respeitosas, s\u00e3o educadas. \u00c9 nas cidades onde tudo se estraga. E, para mim, problemas morais n\u00e3o s\u00e3o resolvidos com leis. Porque depois vamos ver as falhas da lei, que, ali\u00e1s, \u00e9 a que mais se burla. Isso consegue-se com educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso incutir e pregar valores \u00e0s pessoas, porque o pr\u00f3prio perfil do PR \u00e9 que vai permitir com que as pessoas tenham e sintam respeito por ele. N\u00e3o \u00e9 a lei ou o poder do chicote do pol\u00edcia, n\u00e3o \u00e9 isso. A pessoa deve-se fazer respeitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 H\u00e1 aqui um conflito entre a instru\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Sem d\u00favidas. N\u00f3s pegamos muito de instru\u00e7\u00e3o e pouco de educa\u00e7\u00e3o. Por que as pessoas criam \u201cmemes\u201d? Por que as pessoas decidem gozar com o PR? Primeiro porque o poder est\u00e1 concentrado, e continuamos a dar a ideia de que tudo depende do Presidente da Rep\u00fablica, porque os cidad\u00e3os poderiam fazer \u201cmemes\u201d do administrador do Cazenga, por exemplo, se ele intendesse que quem est\u00e1 responsabilizado pelos assuntos locais \u00e9 o administrador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed, novamente a luta pelas autarquias, por que isso descentraliza o poder e forma de administrar. Porque quando tu encarnas os problemas, como sendo o centro e n\u00e3o fazes esta distribui\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o tudo vai acabar por cair encima de ti. At\u00e9 um buraco na rua o cidad\u00e3o vai dizer que a culpa \u00e9 do PR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos passar valores para as pessoas, come\u00e7ar por mudar o conte\u00fado dos programas que passam pela televis\u00e3o. Um exemplo que eu costumo a dar e, porque constato, tem a ver com as zungueiras \u2013 que se lhes d\u00e1s uma nota grande e ela n\u00e3o tem troco \u2013, ela te deixa na bancada e vai \u00e0 procura do troco, com a confian\u00e7a de que vai encontrar o seu produto. Porque, na sua consci\u00eancia, como a que eu trouxe do Milunga, sabe que n\u00f3s n\u00e3o roubamos. Infelizmente aqui na cidade se rouba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Vamos falar dos eventos que se deram recentemente, mais concretamente das manifesta\u00e7\u00f5es dos dias 24 de Outubro e 11 de Novembro. Como \u00e9 que olhou para a atitude das for\u00e7as de defesa e seguran\u00e7a e como o governo reagiu a tudo isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> A Pol\u00edcia Nacional tem uma tradi\u00e7\u00e3o, tem uma hist\u00f3ria de actua\u00e7\u00e3o e, infelizmente, como n\u00f3s n\u00e3o conseguimos separar, n\u00e3o conseguimos criar at\u00e9 agora um Estado onde haja efectivamente separa\u00e7\u00e3o de poderes, onde a Pol\u00edcia Nacional, enquanto \u00f3rg\u00e3o castrense, que esteja subordinado \u00e0s ordens do comandante-em-chefe, que \u00e9 o PR, obede\u00e7a \u00e0s ordens emanadas deste \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pol\u00edcia \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que est\u00e1 adjudicada \u00e0 ordens supremas do PR, e se ele exarar qualquer ordem a Pol\u00edcia vai cumprir. A Pol\u00edcia n\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que decide, que avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, para mim, o julgamento que atribui \u00e0 Pol\u00edcia \u00e9 justo e \u00e9 injusto. Porque, \u201ca Pol\u00edcia \u00e9 como um coconote\u201d, tem uma envolvente e ela situa-se ao meio. E se n\u00e3o cumpre a ordem superior ela \u00e9 punida, e se cumpre, \u00e9 tamb\u00e9m punida por n\u00f3s, pelas cr\u00edticas e tudo mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia passa, tamb\u00e9m pela organiza\u00e7\u00e3o do Estado como um todo. N\u00f3s temos que ter uma filosofia e uma no\u00e7\u00e3o do Estado que queremos. Porque a primeira pris\u00e3o que permite a actua\u00e7\u00e3o brutal da Pol\u00edcia \u00e9 de que o Estado \u00e9 incritic\u00e1vel, e ningu\u00e9m pode estar contra o MPLA \u2013 porque o MPLA \u00e9 o povo e o povo \u00e9 o MPLA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a Pol\u00edcia tamb\u00e9m integra muitos agentes que vieram da FAA, o militar n\u00e3o faz an\u00e1lise, ele cumpre. Se \u00e9 bater \u00e9 bater. Ent\u00e3o, essa am\u00e1lgama toda, para termos uma Pol\u00edcia republicana, n\u00f3s temos que ter mesmo uma Rep\u00fablica, primeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque a Pol\u00edcia n\u00e3o toma decis\u00f5es pessoais, ela cumpre ordens. E \u00e9 preciso ver a fonte de onde v\u00eam essas ordens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 Nos dias que antecederam o di\u00e1logo com o PR, circulou nas redes sociais uma lista de atribui\u00e7\u00e3o de casas, que, aparentemente, o ter\u00e1 colocado de costas viradas com alguns membros do grupo, particularmente o Luaty e o Nuno Dala. O que aconteceu, de concreto? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Primeiramente eu quero corrigir os dois nomes que citou, ali\u00e1s, tenho no meu telefone as \u00faltimas conversas com estes manos e n\u00e3o h\u00e1 nenhum problema com eles. Esse processo todo \u00e9 de Maio de 2019, numa reuni\u00e3o realizada na Casa da Juventude, em Viana, onde estiveram mais de cem jovens, de v\u00e1rios estratos sociais, incluindo partid\u00e1rias, onde o Hanza tamb\u00e9m foi convidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi l\u00e1 que eu ouvi do que se tratava, de concreto, e ouvi as quest\u00f5es que foram colocadas e foi isso que eu vim transmitir aos meus companheiros. No dia 24 de Maio de 2019, eu tinha uma agenda para ir ao U\u00edge, para uma palestra, no dia 25, eu fiz a lista \u00e0s pressas e informei que a situa\u00e7\u00e3o era essa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o s\u00f3 os grupos de jovens que tinham sido identificados, mas como as vagas estavam j\u00e1 pr\u00e9-estabelecidas. Para organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas era cerca de 25 vagas, para as organiza\u00e7\u00f5es afiliadas ao CNJ eram 20 vagas por organiza\u00e7\u00e3o, as registadas iam ter 15 vagas, e para s organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o associadas ao CNJ iam ter cinco vagas. A \u00fanica excep\u00e7\u00e3o seriam os revus, que mesmo n\u00e3o estando registado e n\u00e3o associados ao CNJ, teriam 10 vagas, porque o Isa\u00edas Kalunga disse que era por causa do nosso trabalho que est\u00e1vamos a discutir isso a\u00ed. Ent\u00e3o eu vim transmitir isso aos meus companheiros, numa reuni\u00e3o realizada no dia 24, onde participaram 20 pessoas, e come\u00e7aram a surgir aquelas discuss\u00f5es que est\u00e3o a\u00ed nas redes. Nomeadamente de aproveitamento pol\u00edtico, porque \u00e9 o CNJ, que est\u00e1 muito mal conotado \u2013 que \u00e9 mais uma c\u00e9lula do MPLA do que uma organiza\u00e7\u00e3o que lida com os problemas da juventude, uma coisa que n\u00f3s temos consci\u00eancia e que foi discutida, tamb\u00e9m, nessa reuni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, a quest\u00e3o da lista \u00e9 uma tempestade que as pessoas est\u00e3o a fazer em copo d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Crime \u2014 J\u00e1 disse que est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de substituir o PR. O que \u00e9 que tem gizado, se eventualmente vir a ser Presidente? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mbanza Hanza \u2014<\/strong> Primeiro \u00e9 tornar a Angola um pa\u00eds de todos n\u00f3s. Uma das minhas primeiras lutas \u00e9 que transcendamos, sabes! Todos os julgamentos que fazemos hoje, est\u00e1 atrelado a institui\u00e7\u00e3o a qual n\u00f3s estamos ligados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando um companheiro meu me chama de traidor, quando voc\u00ea desce e analisa, grande parte disso deve-se a agremia\u00e7\u00e3o a qual n\u00f3s fazemos parte e porque estabelecemos certos limites sobre que institui\u00e7\u00f5es e com quem n\u00e3o lidar. E alguns desses, sen\u00e3o a principal, \u00e9 o MPLA e tudo que ele representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o MPLA est\u00e1 a cargo de Angola, ent\u00e3o o Governo de Angola est\u00e1 nesse crivo. N\u00e3o se analisa exactamente o acto em si, mas \u00e9 tipo, se voc\u00ea \u00e9 daqui e marca um passo, como \u00e9 o caso de ir \u00e0quele encontro, com algu\u00e9m que n\u00e3o lhe falta informa\u00e7\u00e3o, porque o PR sabe, porque tem que nos chamar para nos ouvir? Se voc\u00ea rompe isso e vai, ent\u00e3o voc\u00ea \u00e9 traidor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque voc\u00ea est\u00e1 a mostrar que est\u00e1s a te aliar a ele. Mas ser\u00e1 que estou mesmo a me aliar? E em termos de constru\u00e7\u00e3o de pa\u00eds, isto \u00e9 um grande problema. A oposi\u00e7\u00e3o vai fazer a mesma coisa, qualquer militante do MPLA que se pronunciar e apoiar publicamente o Mbanza estar\u00e1 a mostrar deslealdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso est\u00e1 a destruir o nosso pa\u00eds, sem valores. Porque os valores que temos s\u00e3o das agremia\u00e7\u00f5es onde estamos ligados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3os os valores da na\u00e7\u00e3o, onde todos nos sentimos representados? Ent\u00e3o o Hanza \u00e9 isso. \u00c9 transformar o pa\u00eds numa macro institui\u00e7\u00e3o, com valores transversais, onde todos n\u00f3s, independente das agremia\u00e7\u00f5es de onde viemos, podermos nos rever e lutar para manter estes valores, porque estar\u00e3o em cima. Essa \u00e9 a vis\u00e3o que o Hanza traz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De seu nome verdadeiro Afonso Mayenda Jo\u00e3o Matias, 35 anos, \u00e9 conhecido nas lides do activismo c\u00edvico e pol\u00edtico como Mbanza Hanza, numa combina\u00e7\u00e3o entre o lugar (Mbanza) e a for\u00e7a de um guerreiro (Hanza) \u2013 nome que \u2013, ali\u00e1s, diz ter criado em co-autoria com um companheiro de luta. Esposo e pai de duas meninas, \u00e9 licenciado em Engenharia Inform\u00e1tica por uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior da qual se recusou a receber o diploma de licenciatura, por protesto, e que se nega a citar, no entanto, considera-se auto-didata em direito. 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