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António Lissimo Laurindo, mais conhecido por Justo, é um filho do Huambo que, aos 40 anos, vai dando lições de vida a muitos angolanos, mostrando que, às vezes, é possível empreender sem a conhecida bênção dos corredores do poder. É possível avançar sem que sejamos herdeiros, filho de ricos ou saqueadores do erário. Depois de ter investido em Angola, nas áreas de construção civil, restauração e automóvel, aqui, mediante uma rent-a-car e agência de viagem, imigrou para os Emirados Árabes Unidos, tentando contornar dificuldades impostas pelo sistema político. Em seis meses, com a mesma perspicácia e sentido empreendedor, criou os mesmos negócios no Dubai, sem ter contado com o apoio da representação diplomática de Angola. É um compatriota que merece o nosso reconhecimento. 

A residir com a família, o jovem empresário angolano António Lissimo Laurindo abriu ali uma agência de viagem, uma rent-a-car, oficina e stand de venda e compra de automóveis, garantindo mais de 20 empregos a cidadãos daquele pais árabe.

Os empresários no nosso país não têm apoio, não temos incentivos e, pelo contrario, somos muitas vezes combatidos por isso tive que sair do conformismo para procurar novos desafios”

Com a sua agência de viagem, Justo tem tratado vistos de angolanos que pretendem ir ao Dubai em turismo, negócio ou para estudar. Tem uma equipa de acompanhantes que realiza os pagamentos de reservas dos melhores e mais baratos hotéis, assim como de pagamento de mercadorias e estes serviços têm os cidadãos dos Emirados Árabes Unidos que se deslocam para Angola.

A rent-a-car serve para apoiar os turistas angolanos, e não só, naquele país, onde circulam com toda a segurança, em companhia do condutor, um verdadeiro guia turístico e tradutor. 

A stand de automóvel serve para facilitar os angolanos que pretendam comprar viatura no Dubai, garantido a aquisição e transportação até ao país de destino, assim como transporte de contentores e rolos de cargas de palhetes de avião.  Mesmo no exterior, portanto, continua a servir os seus compatriotas. 

Com mais de 150 empregados, Justo diz que a sua ida para o Dubai também está ligada a dificuldades encontradas nos últimos tempos em Angola . “Os empresários no nosso país não têm apoio, não temos incentivos e, pelo contrario, somos muitas vezes combatidos por isso tive que sair do conformismo para procurar novos desafios”, disse.

“Gostaria de ser reconhecido no meu país”

Sobre o futuro de Angola no ramo empresarial, mostra-se bastante céptico, assinalando que “temos muito trabalho, precisamos de nos unir, sermos honestos, termos sentido  patriótico para transformarmos o nosso país para melhor”.

“Não tive apoio do consulado, todos me viraram as costas, mas contei com o apoio do ser humano que é a família, minha mulher Patrícia Ramos dos Santos que tem sido a minha verdadeira fortaleza, pois quando tive acidente e fiquei na cadeira de roda 1 ano e três meses ela esteve lá sempre comigo e meus filhos, aqui não temos papoite e muito menos tios na cozinha”, frisou.

“Quero transmitir que um dos segredos para se ter sucesso é a disciplina, coragem, paciência, persistência e amor pelo que se faz”.

Aquele empresário, numa espécie de gratidão, disse que, entre os familiares, não esquece o seu irmão mais novo Cornelio Capitango Laurido de 26 anos de idade, que o recebeu dos seus pais, quando tinha apenas 12 anos, hoje é formado e Director Executivo do Grupo Frota Justo. ”O meu irmão Doutor Cornelio tem correspondido com as expectativas, tenho muito orgulho dele, pois muita coisa do que temos conseguido é graças à sua inteligência, dedicação e humildade”, reconheceu. 

Justo deixa claro que é apartidário e o seu principal objectivo é ajudar Angola a desenvolver e ajudar os jovens empreendedores a perceberem o que é ser um empreendedor de verdade. 

“Quero transmitir que um dos segredos para se ter sucesso é a disciplina, coragem, paciência, persistência e amor pelo que se faz”. 

Justo já não tem os pais (perdeu a mãe recentemente) e diz que deve tudo a eles, uma vez que, como reconhece, “ensinaram-me tudo que sei hoje”. 

Com lágrimas nos olhos recorda a mãe Rosalina Ngueve como a sua luz, inspiração, mulher batalhadora, humilde que tudo fez em parceria do seu companheiro António Laurindo para criar com dignidade os 9 filhos, hoje apenas sobraram sete, pois dois dos quais já são também falecidos.

“Daria tudo para ter minha mãe de volta, minha mãe era meu tudo, hoje carrego na vida todos os seus ensinamento e uma frase que ela sempre dizia-me: “Meu filho, você vai longe. Precisas de dizer apenas em tudo que tiveres de fazer, Maria passa na frente”, recordou aos prantos.

Por outro lado, aquele empresário, também influenciador digital, diz que o seu maior sonho é ser reconhecido em Angola, onde futuramente quer investir e ajudar os seus conterrâneos da província do Huambo a atingirem o seu nível empresarial ou superior . “Quero ajudar no desenvolvimento, em particular a província do Huambo, pois eu amo as minhas origens e jamais me esquecerei delas”.

O novo Valentim Amões?

António Lissimo Laurindo é um empreendedor angolano, nascido aos 17 de Dezembro de 1982, na província do Huambo que, em 1994, deixou a sua terra natal para avisar a morte do tio aos familiares que estavam em Luanda, e acabou por instalar-se na capital, onde deu os primeiros passos para erguer o seu império.

Aos 12 anos, começou a trabalhar como auxiliar de limpeza de mercados e feiras no bairro Rocha Pinto e, posteriormente, fiscal do mercado. Um ano depois, passou a trabalhar como taxista, após ter comprado o seu primeiro carro, um Toyota Hiace, que lhe rendeu um lucro bastante favorável.

Determinado e focado nos seus objectivos, em 2002, já com 20 anos, conseguiu um total de 42 Hiace´s, revendidos em 2007, após a morte de Justo Laurindo, seu irmão mais novo e companheiro de negócio.

Teve durante o seu percurso várias quedas, mas nenhuma capaz de travar a sua força e determinação para ultrapassar os obstáculos da vida.

“Caí e levantei ainda mais forte, e percebi que sou uma pessoa com luz divina”, disse o criador do famoso “Pão Justo”, hoje com uma rua com o mesmo nome, no Rocha Pinto, e várias músicas cantadas por músicos renomados em forma de homenagem.

“Não há dinheiro que compre o que eu consegui. Há pessoas que deram a vida pelo país e permitiram que hoje vivêssemos num ambiente digno, de paz, mas não têm uma rua com o seu nome.

Eu tenho isso, o “Pão Justo” e várias músicas a retratarem a minha vida”, conta, visivelmente emocionado.

Entre os seus contributos para o benefício da sociedade, 

destaca-se a asfaltagem, com meios próprios, da rua 22 do Kifica, no distrito do Benfica, onde reside em Angola. 

Actualmente, tem mais de três condomínios, várias empresas de construção civil, uma rent-a-car com automóveis de luxo para casamentos, snack-bar, pastelaria, botequins, salão de beleza, barbearias.

“Apesar disso, ainda não me considero empresário, mas um empreendedor que contribui para o bem-estar socio-económico do país, empregando mais de cem pessoas”, rematou Justo.

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Enquanto Manuel Homem brinca de governador: Munícipes de Luanda reclamam por falta de água potável e ruas asfaltas https://jornalocrime.com/enquanto-manuel-homem-brinca-de-governador-municipes-de-luanda-reclamam-por-falta-de-agua-potavel-e-ruas-asfaltas/ https://jornalocrime.com/enquanto-manuel-homem-brinca-de-governador-municipes-de-luanda-reclamam-por-falta-de-agua-potavel-e-ruas-asfaltas/#respond Sun, 03 Sep 2023 23:17:13 +0000 https://jornalocrime.com/?p=6103  A pesar de ser uma das zonas nobres de Luanda, os moradores do Morro Bento, município de Belas, nunca tiveram água a jorrar nas torneiras de suas residências, entretanto, em pleno século XXI, para obterem o precioso liquido têm que recorrer aos serviços de kupapatas e cisternas onde gastam fortunas. Enquanto isso, o governador de Luanda, Manuel Homem brinca que nem uma criança que tem o brinquedo de sonhos entre as mãos.   Leal Mundunde Por se tratar de uma zona nobre, envolto de vários condomínios, residências de altas arquiteturas, grandes empresas, super-mercados, instituições de ensino e sanitária que dão outro […]

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 A pesar de ser uma das zonas nobres de Luanda, os moradores do Morro Bento, município de Belas, nunca tiveram água a jorrar nas torneiras de suas residências, entretanto, em pleno século XXI, para obterem o precioso liquido têm que recorrer aos serviços de kupapatas e cisternas onde gastam fortunas. Enquanto isso, o governador de Luanda, Manuel Homem brinca que nem uma criança que tem o brinquedo de sonhos entre as mãos. 

 Leal Mundunde

Por se tratar de uma zona nobre, envolto de vários condomínios, residências de altas arquiteturas, grandes empresas, super-mercados, instituições de ensino e sanitária que dão outro visual no perimetro,  muitos não acreditam que os moradores do Morro Bento não possuem o acesso à água potável em suas residências, durante anos o que torna um negocio rentável de muitos dirigentes do país que são proprietários de cisternas que abastassem água naquela parcela de Luanda.

Neste âmbito, no passado dia 10 de Julho, a nossa equipa de reportagem radiografou algumas artérias do Morro Bento, ouvimos vários cidadãos, que dentre os vários problemas identificados, lamentaram a falta do líquido precioso em suas casas, isto é, em pleno século XXI, com o MPLA no poder há mais de 40 anos.  

As ligações domiciliares feitas há anos, em algumas habitações estão empoeiradas, a sair baratas e a danificar, como é o caso da residência do cidadão Carlos Filipe, que não imagina a altura em que terá a oportunidade de ver a água jorrar na torneira, que considera de enfeite. 

Para o cidadão, não tem sido fácil residir nestas condições, o que considera vergonhoso, uma zona com estas caracteristicas “ser esquecida até este ponto, pese embora as reclamações feitas até hoje, os nossos dirigentes fazem-se de surdos e mudos”, lamentou. 

Laurinda Miguel, reside no Morro Bento há três anos em casa do irmão mais velho, questionada sobre a situação da água, esboçou um sorriso irônico, a seguir disse “é um problema que não imaginava existir aqui”. 

“Sonho em um dia observar água passar nas nossas torneiras, mas parece que o sonho tarda em se realizar, por isso, às vezes prefiro não falar”, acresceu. 

Por uma cisterna de 10 mil litros chegam a pagar 20 mil kwanzas, por uma de 20 mil litros pagam 30 a 40 mil kwanzas, num período de quinze a 20 dias. Por outro lado, também recorrem a motos de três rodas, vulgo kupapata, que pagam 100 kwanzas para 25 litros. 

Preocupações intermináveis:  

Munícipes e automobilistas clamam por tapete asfáltico e iluminação pública 

Mau estado da rua Anghotel e a falta de iluminação pública em algumas artérias do Morro Bento, no município de Belas tem deixado preocupado os moradores e automobilistas. Recentemente uma empresa começou com trabalhos de asfaltagem nesta rua, mas não concluiu por falta de valores. 

O trabalho levado a cabo por uma empresa ao longo da rua Anghotel, na zona do Morro Bento não terminou, desta feita, deixando aquele perímetro longo com terra batida, buracos e areia que produz poeira que, consequentemente, causam sérios problemas de saúde. 

Moradores, automobilistas e cidadãos em geral utilizam com frequência a referida rua que serve como via terciária, que consideram de estratégica, facilitando o desbloqueio do transito nas vias 21 de janeiro, Camama e Talatona.

A título de exemplo, nesta rua encontra-se um  Centro de Saúde, Balcão Único de Atendimento ao Público (BUAP), Administração Municipal, com um administrador considerado de inoperante e vários condomínios que permitem com que a população use a via com maior regularidade. A situação tem deixado inquieto os cidadãos que questionam as causas da não conclusão da obra. 

Os automobilistas são dos muitos que sentem  os efeitos deste problema, levando mais tempo para chegarem ao seu destino e como se não bastasse, em função dos buracos na via causam sérios problemas nas viaturas. As consequências são contínuas como ocorrências de vários acidentes.

“Há um entroncamento nesta via, onde existe um buraco e tivemos que colocar pedras como improviso e os que não conhecem bem a rua, as dificuldades são maiores”, disse um dos automobilistas que circula com freqüência naquela via.  

Pedro Manuel é um dos automobilistas que não tem alternativas, pois, diariamente tem de ir à busca da companheira num condomínio localizado nesta rua, em que a mesma trabalha.

Miguel António, é outro  automobilista descontente e  não compreende como é que uma zona estratégica do bairro, esteja nesta situação, danificando muitas vezes as suas viaturas. 

Esta preocupação é também de Domingas Manuel, que lamenta o estado da rua, pois, é obrigada a caminhar com muitas cautelas, para que não chegue empoeirada na escola ou torcer uma das pernas por causa dos buracos. 

A mesma, refere que, este é um problema do país, em que as empresas começam com os trabalhos e não concluem, abandando a obra. 

A cidadã espera que em curto tempo o Estado crie condições para que se conclua o trabalho começado, uma revelação corroborada por Pedro Manuel.

Os mesmos, mostram preocupação, pois, quando chegar o tempo chuvoso, as dificuldades podem ser maiores, por isso, enquanto é cedo, propõem intervenção na via. 

 “O Estado deve começar a responsabilizar as empresas que não cumprem com os contratos e devem ser anunciadas publicamente para desencorajar outras instituições a não seguirem  o mesmo caminho”, apelou Miguel António.

Segundo informações, normalmente as empresas que colocam asfalto em algumas zonas do Morro Bento, são convidadas por empresários que pagam pelos serviços prestados, até ao local em que as suas instalações ou residências estão localizadas, por conta da não colaboração de outros. 

Esta é segundo alguns cidadãos, uma das razões da rua não ter asfalto ao longo da sua extensão, mas acreditam que seria tarefa do Estado realizar tais serviços.

A  iluminação pública no Morro Bento é outro problema que deixa preocupado os cidadãos, sobretudo no período noturno, pois, algumas zonas ficam às escuras e os marginais aproveitam-se da situação para cometerem assaltos. 

Pedro Manuel disse que a partir das 18 horas, por exemplo, na rua da Angothel, é arriscado circular, por isso, opta regularmente ir à busca da esposa que trabalha naquela rua. 

“Há casas que continuam abandonadas e contentores na via, onde geralmente os marginais escondem-se, para fazerem das suas”, disse Domingas Manuel. 

Pimentel Faria, nasceu no Morro Bento, a pesar de gostar de residir neste território, refere que, para maior segurança deve haver iluminação pública em todas as ruas, mas o que não acontece. 

Pimentel, acrescentou que já reclamaram várias vezes, mas o problema mantém-se e espera que um dia tenham iluminação em todas as ruas, por ser arriscado devido à escuridão e apela precaução aos cidadãos ao circularem de noite sozinhos. 

Os moradores, sugerem maior policiamento, sobretudo no período noturno, para que haja segurança dos mesmos, dos automobilistas e de outros cidadãos que usam estas vias. Aqueles moradores também alertam as autoridades policial a reverem os seus agentes que transformaram a rua da Angothel como uma via para interpelarem e corromperem os automobilistas “os policias da Ordem Pública criam uma espécie de posto de trânsito, interpelam os automobilistas e cobram dinheiro”, alertou. 

Surdos e mudos

Quando a água está dificil, chegam a pagar por 25 litros o valor de 150 kwanzas, mas antes já chegaram a pagar três bidons no valor de 250 kwanzas. 

Os nossos interlocutores Laurinda e Filipe referem que, além dos valores exorbitantes, batem-se ainda com a má qualidade da água que chegam mesmo a provocar várias doenças às pessoas. 

Perante tal situação, dizem muitas vezes que recorrem a casas de familiares ou pessoas amigas que residem em zonas onde jorra água, para encherem os recipientes que os possa aguentar por algum tempo e consequentemente economizar alguns trocados. 

Algumas famílias, pelo que apuramos, além das cavações de tanques de água adquiriram reservatórios de água de 500 litros que os facilita em função das necessidades. 

Em casa são cinco membros, os pais trabalham e os filhos estudam, Manuela João, olha para esta situação com tristeza, porque, garante que efectuam vários gastos com a compra de água, apontando a falta de vontade das autoridades para resolverem a situação, dada a dimensão da zona e as várias reclamações.

Pedro Manuel é da mesma opinião e exorta as autoridades para ajudarem a população “é uma situação que se houvesse vontade governamental já teríamos água a jorrar em nossas casas faz tempo, mas estão priorizar carros, roupas e aumentos salariais para os deputados”, frisou. 

A nossa equipa de reportagem via telefónica entrou em contacto com um dos responsáveis da comissão  de moradores para abordar sobre o assunto, mas mostrou indisponibilidade na data solicitada. Na mesma senda também tentamos ouvir o porta -voz da EPAL, Vladimiro Bernardo, mas também se mostrou indisponível. 

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Em Cacuaco: MUNÍCIPES SENTEM-SE ENGANADOS PELO GOVERNADOR MANUEL HOMEM https://jornalocrime.com/em-cacuaco-municipes-sentem-se-enganados-pelo-governador-manuel-homem/ https://jornalocrime.com/em-cacuaco-municipes-sentem-se-enganados-pelo-governador-manuel-homem/#respond Sun, 03 Sep 2023 23:05:54 +0000 https://jornalocrime.com/?p=6099 Após a visita campal do governador da província de Luanda, Manuel Homem, no bairro Paraíso, em Cacuaco, os moradores mostraram-se insatisfeitos com a continuidade das situações adversas do quotidiano, que, há cerca de três meses, lhes foi prometido melhorias pelo titular da pasta em Luanda.  Maiomona Paxe Volvidos pouco mais de três meses, os moradores revelam ser “fintados” pelas promessas apresentadas pelo governador Manuel Homem, aquando da sua visita no bairro paraíso, que decorreu de 10-14 de Abril do corrente ano, concretamente na zona denominada “Campo do Petro”. Para os moradores, a visita campal do governador, que durou cinco dias […]

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Após a visita campal do governador da província de Luanda, Manuel Homem, no bairro Paraíso, em Cacuaco, os moradores mostraram-se insatisfeitos com a continuidade das situações adversas do quotidiano, que, há cerca de três meses, lhes foi prometido melhorias pelo titular da pasta em Luanda.

 Maiomona Paxe

Volvidos pouco mais de três meses, os moradores revelam ser “fintados” pelas promessas apresentadas pelo governador Manuel Homem, aquando da sua visita no bairro paraíso, que decorreu de 10-14 de Abril do corrente ano, concretamente na zona denominada “Campo do Petro”. Para os moradores, a visita campal do governador, que durou cinco dias e que consta da agenda de trabalho do governo provincial, “não passou de uma propaganda política”, sendo que até então não se notaram grandes melhorias, excepto os quatro autocarros da companhia Cidrália, que já circulam no município e a inauguração do sistema de iluminação pública com cerca de 56 quilómetros, que cobre as ruas da Pedreira, Cerâmica, Eco-Campo, Kicolo e a rua principal do Paraíso.

Dentre as promessas do governador, constam o projecto água e energia eléctrica  para todos, construção de escolas estatais e postos de saúde, polícia de proximidade para fazer frente ao elevado índice de criminalidade, igualdade de género, apoio ao auto-emprego e registo para todos.

Os moradores daquele que é tido como um dos bairros, senão o mais perigoso de Luanda, relatam que após a auscultação, foram orientados a inserirem nomes em listas, mas que de nada adiantou, pois, “a situação continua na mesma”, disse um morador.

No âmbito do projecto água e energia para todos, os habitantes do bairro, que de paraíso só tem o nome, cujo o significado faz menção a um lugar bonito e bom para viver, reclamam da falta de chafarizes na zona, já que a maioria não tem água da rede em suas casas e casebres e, também a falta de energia eléctrica em algumas casas por alegadamente “estar em becos ou distantes dos postes portadores de electricidade”. À população, segundo contam, foi lhes prometido a redução do preço da banheira plástica utilizada para transportar ou carrectar água nos tanques, de 30kz para 10 kwanzas, porém, “não se efectivou”, disse Domingas Sebastião Miguel, de 32 anos, grávida de quatro meses, que acrescenta ser desgastante levantar da cama por volta das 4 ou 5 horas da manhã para ir à procura do líquido precioso, sob pena de não mais encontrar disponível nos tanques caso acorde tarde.

No sector da saúde e educação, os moradores reconhecem que as obras levam algum tempo para serem erguidas, mas admiram que, volvidos três meses da visita do governador Manuel Homem, naquela zona, não terem ouvido falar de alguma obra do sector em construção, situação que estes revelam ser “mais uma das fintas do Executivo”. Na referida circunscrição, apenas existe um posto de saúde do FAS (Fundo de Apoio Social), que acode somente situações consideradas leves ou menos gravosas, que obriga de forma recorrente os moradores a acorrerem a outros hospitais públicos longe do bairro, até mesmo do município. O mesmo procede no sector da educação.

“Quase nada foi cumprido até ao momento”, declarou com brevidade Paulino Domingos Pedro, coordenador do quarteirão 4.

Quanto ao policiamento, os moradores são unanimes em afirmar que o patrulhamento não é feito de forma regular e que os agentes da ordem se limitam apenas nas estradas, onde aproveitam a ocasião para “pentear os taxistas e moto-taxistas”, disseram, acrescentando que os agentes da Polícia só se apresentam no interior do bairro quando são chamados com emergência. A criminalidade no Paraíso ainda prevalece, “a título de exemplo é a falta de cantinas e supermercados”, salientou Reis João Vale, morador há 24 anos, que acrescenta que os discursos do governador de Luanda não passaram de “falácias”.

No quesito registo, respectivamente a emissão de Bilhetes de Identidade a cidadãos que por alguma razão perderam alguma documentação para o efeito, os mesmos afirmam que são complicados por funcionários dos postos de emissão, que culmina na desistência de muitos. 

Dentre as várias situações adversas em que são desafiados diariamente, os moradores desta zona sita no município de Cacuaco, apelam ao Executivo o cumprimento das promessas e acrescentam entre as necessidades, a instalação de mais postos de venda de gás butano, cujos preços estejam em conformidade com o estipulado, uma vez que a botija cor laranja compram no valor de 1.800kz e a azul chega a custar até 3.000 kwanzas; construção de multiusos e áreas de lazer.

Combate ao desemprego e promoção ao auto-emprego

Cacuaco é um dos municípios com maior taxa de natalidade em Luanda e, também com vários casos de fuga a paternidade resultante da falta de emprego de seus munícipes e, Paraíso não deixa de ser um bairro que engrossa nestes números.

Para se ter uma ideia do caos, a partir de um inquérito instaurado a nível do referido bairro, levado a cabo pelo Jornal O Crime, dá conta que em cada 10 moradores com maioridade, apenas 1 é empregado, 2 trabalham por conta própria (biscates) e os 7 restantes são desempregados. A falta de infra-estruturas empresariais e o nepotismo estão na base desta problemática.

Outrora, vários jovens haviam sido mobilizados a frequentar os cursos técnicos do MAPTESS, de formas a estarem melhor preparados para o mercado de trabalho ou a criação do auto-emprego. A esses, como relatam, foi-lhes prometido materiais e kits de trabalho, na altura, mas que até então não se cumpriu e, olham para as promessas do actual governador como o repetir da situação. “Prometeu inserção e apoio ao auto-emprego aos portadores de deficiência, o que ainda não se viu”, rebateu Domingos Manuel.

A falta de empregabilidade tem atirado muitas crianças fora do processo de ensino, o que demonstra ser um retrocesso aos planos do Executivo no sector da educação. No paraíso há famílias compostas por mais de seis crianças e nenhuma se encontra matriculada em alguma escola, “não por negligência dos progenitores, mas a falta de escolas estatais e meios financeiros para custear uma instituição privada”.

Por outra, o desemprego tem levado, não somente jovens, mas senhores idôneos a práticas indecorosas, elevando desta forma o índice de criminalidade e a consumação do título de o bairro mais perigoso de Luanda, o Paraíso, que deveria ser harmônico e maravilhoso como ostenta o nome.

Curriculum:

Manuel Gomes da Conceição Homem

Data de Nascimento: 24 de Novembro de 1979

Naturalidade: Cabinda

QUALIFICAÇÕES

Mestrando em Tecnologias e Sistemas Web, Universidade Aberta de Lisboa.

Licenciatura em Engenharia Informática de Sistemas, Universidade Privada de Angola.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

2020 Ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.

2017 – 2020 Secretário de Estado para as Tecnologias de Informação.

2016 – 2017 Director Geral do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade da Informação.

2013 – 2016 Director Geral do Centro Nacional das Tecnologias de Informação.

2009 – 2011 Docente nas Universidade Lusíada de Angola e Universidade Privada de Angola.

2006 – 2008 Especialista de Sistemas do Centro Nacional de Processamento de Dados – CNPD para o Registo Eleitoral.

PERCURSO POLÍTICO

Membro do Bureau Político do MPLA.

OUTRAS REFERÊNCIAS

Idiomas

Inglês.

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