Após assassinato de jovem: ALEGADO INTOCÁVEL AGENTE DA POLÍCIA É CONDENADO A 14 ANOS DE PRISÃO

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José Henrique Cambinda, vulgo Dezapapa e Amões Rafael Chipipa, ambos agentes da Polícia Nacional, envolvidos no homicídio do jovem Valdimiro Maxia, de 27 anos, no bairro da  Vila Alice, foram condenados, na segunda-feira, 12, a 14 anos de prisão maior. 

Felicidade Kauanda

Apesar de José Henrique Cambinda e Amões Rafael Chipipa terem sido condenados, continuam soltos, gozando a liberdade provisória, até a resposta do Tribunal Supremo, para onde subiu o recurso interposto, por insatisfação do advogado dos mesmos. 

“Ele tem fama de matar e tirar fotos nas suas vítimas, tem vários processos na Polícia,  já foi suspenso várias vezes, mas há sangue que não se mexe, ele mexeu sangue errado, todo mundo o teme, inclusive os seus colegas, tanto que muitos queriam saber quem é a pessoa que conseguiu meter este polícia preso”

Entretanto, sob condução do juiz Jael Victor, na 8ª Secção dos Crimes Comuns do Tribunal de Comarca do Benfica, os réus foram condenados à pena maior de 14 anos de prisão e no pagamento AKZ 2.000.000,00 (dois milhões de kwanzas) a título de indemnização à família enlutada, pela prática do crime de homicídio voluntário.

O crime remonta o dia 29 de Março de 2019, quando o malogrado, Valdimiro Maxia, de 27 anos, com um comparsa prófugo, não identificado nos autos, faziam-se transportar por uma motorizada, nas imediações do bairro Vila Alice, em Luanda, munidos de uma arma de fogo do tipo pistola, subtraíram um telefone e AKZ 50.000,00 (cinquenta mil kwanzas) de um cidadão estrangeiro. 

Depois de a Polícia ser accionada, apareceram os agentes José Henrique Cambinda e Amões Rafael Chipipa que, em perseguição, apanharam apenas Valdimiro, que acabou executado com três disparos de arma de fogo, a poucos metros do local em que foi apanhado, tendo atingido as regiões do tronco, virilha e no peito. 

Em sede de julgamento, o advogado dos réus, que negou se identificar na imprensa, alegou que os seus constituintes agiram com único objectivo de se defenderem  e neutralizar o perigo eminente em que estavam expostos, posto que, segundo narra, Valdimiro Maxia, a vítima, munida com uma pistola, partiu para uma briga corporal, tendo, inclusive, apontado contra José Cambinda, facto que levou o seu colega, Amões Rafael, a efecturar o primeiro disparo contra aquele na região do tronco. 

Segundo o relatório pericial e exame do cadáver, porém, o referido primeiro disparo é imputado a José Cambinda e apenas o segundo a Amões Rafael, que diz ter feito, por ver o malogrado a querer usar a arma que portava para atirar contra o colega.

Por outro lado, sustentou  a defesa, depois de Valdimir ter sido atingido, houve, por parte dos réus, tentativa de socorro, tendo José ligado à Unidade Operativa,  para que enviasse uma viatura, mas Valdimiro sucumbiu antes desta chegar. O causídico finalizou dizendo que, embora o malogrado tenha apresentado perigosidade, em circunstância alguma, os acusados queriam vê-lo morto, sendo que lamentam até hoje a sua morte. 

Já os réus, não tiveram tantos argumentos, pois, quando foram interrogados sobre quem efectivamente efectuou o primeiro disparo, os dois não souberam esclarecer, sendo que, depois de apertados pelo tribunal, começaram a se contradizer, tendo, a dada altura, um dito que foi ele e o outro a mesma coisa. 

Depois de ouvirem as testemunhas, José Cambinda confessou parcialmente o crime, alegando que não foi sua intenção matar Valdimiro e que o fez por ver  a sua vida  em risco, uma vez que aquele estava armado e lutaram quando procedia à detenção. Em lágrimas, manifestou arrependimento, dizendo que Valdimiro era jovem como ele e não esperava que isso acontecesse. 

“Queria que fosse mais, mas 14 anos também não esta mal”

Eduarda Maxia, mãe do malogrado, que várias vezes clamou e esperou por justiça,  depois da sentença, disse que “queria que fosse mais, mas 14 anos de prisão também não esta mal…”.

Por outro lado, Eduarda descreve José Henrique Cambinda como um polícia famoso pelas suas más práticas, com realce em crimes de homicídios. “Ele tem fama de matar e tirar fotos nas suas vítimas, tem vários processos na Polícia,  já foi suspenso várias vezes, mas há sangue que não se mexe, ele mexeu sangue errado, todo mundo o teme, inclusive os seus colegas, tanto que muitos queriam saber quem é a pessoa que conseguiu meter este polícia preso”, disse em outra ocasião. 

Importa referir que o instrutor do processo, chamado em julgamento na condição de declarante, informou que tanto José Henriques quanto Amões Rafael não possuem antecedentes criminais, pois, na altura da instrução, solicitou as suas fichas e nada constava.  

Recorda-se, por outro lado, que este jornal já reportou uma matéria envolvendo José  Henrique Cambinda num suposto crime de extorsão, referente  AKZ 100.000,00 (cem  mil  kwanzas), ao antigo  jogador do Petro  de  Luanda, Karanga.  Na altura, contou o futebolista ao O Crime, quatro agentes da Polícia, entre eles José  Cambinda, afectos à Unidade Operativa de Luanda,  tê-lo-ão interpelado, junto com seu pai, no Morro Bento, rua do Kikagil. Na sequência, depois de o terem reconhecido, partiram para a  extorção dos valores acima citados. 

O  caso  foi levado às autoridades, mas não houve êxitos, ou seja, os supostos infractores foram identificados, detidos e seriam  apresentados a  um  juiz,  para julgamento sumário, mas, por razões não esclarecidas, a audiência não aconteceu. 

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