Até quando: Mais três jovens inocentes executados por agentes do SIC

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Os jovens Mário Santa Rosa, Ramiro Ricardo Hélder e Marcos Abreus, com idades compreendidas entre 25, 19 e 17 anos, respectivamente, foram encontrados mortos com vários orifícios de balas e fortes sinais de torturas nos corpos. Os familiares acusam os agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), afectos ao município de Viana, de serem os autores da execução.

Maria João

Depois de dados como desaparecidos durante uma semana, segundo relatos dos familiares, os jovens
foram encontrados mortos e jogados na morgue do Hospital Maria Pia, com marcas de torturas e perfurados de balas.

Os três jovens foram encontrados ainda com orifícios de balas na cabeça. De acordo com um especialista, essa forma de matar é de quem tem treinamento militar, já que tanto o tiro da cabeça como o do peito são considerados de disparos de confirmação, isto é, para não dar qualquer chance de a vítima sobreviver.

Funcionários daquela unidade hospitalar disseram aos familiares das vítimas que os corpos foram levados para a morgue por elementos do SIC, que alegaram se tratar de marginais que tinham sido abatidos na via pública.

Para Andréia Santa, irmã mais velha do malogrado Mário Santa Rosa, 25 anos, o seu irmão não era marginal. Pelo contrário, foi um jovem do bem, gostava de motorizada e preparava-se realizar o noivado, pois pretendia constituir família.

“O meu irmão nunca foi detido, nunca teve problemas com a polícia e nem com os vizinhos. Ele era um jovem do bem. O SIC matou pessoas inocentes”, frisou aos pratos Andréia Santa Rosa.

Por outro lado, Manuel Hélder, tio da vítima, Ricardo Hélder, diz que o seu sobrinho também não era bandido, mas sim trabalhador dedicado e que sonhava ser efectivo das Forças Armadas Angolanas para defender a pátria que dizia tanto amar.

“O meu sobrinho era um indivíduo recto, disciplinado e com bastante amor pelo país. Nunca foi marginal e nunca teve problemas com a polícia”, assinalou.

Um dos amigos das vítimas disse que, na madrugada de sábado, dia 22 de Abril, viu os três jovens a serem interpelados no município de Viana por um grupo de agentes do SIC, numa viatura de marca Lander Cruiser, cor branca e que continha nas portas o timbre daquele órgão de investigação criminal. A mesma testemunha diz que eles saíam de uma festa e estavam a caminho de casa.

Os familiares das vítimas acrescentam que os responsáveis do SIC nada dizem sobre o assunto e, curiosamente, as motorizadas que os jovens conduziam também não foram ainda encontradas. Perante tal cenário, imploram por justiça, algo que infelizmente começa ser impossível. Num país sério, aliás, isso daria a exoneração dos responsáveis do SIC-Geral, provincial e municipal. Estamos, entretanto, em Angola, onde a justiça só funciona para ricos. Este jornal tentou o contacto com o SIC, mas sem sucesso.

Mais desenvolvimento do caso trataremos no jornal físico.

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