AGENTES DA POLÍCIA “FOGEM” COLOCAÇÃO NOS BAIRROS CONSIDERADOS PERIGOSOS

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 Os bairros dos Ossos, Nguanhã e Paraíso, em Luanda, são zonas onde nenhum agente da polícia nacional deseja ser colocado para o exercício das suas funções, devido ao elevado índice de criminalidade.

Maiomona Paxe 

A vida dos efectivos da polícia nacional, colocados nos referidos bairros não tem sido fácil. Em volta de vários crimes, que na maior parte terminam em mortes, os agentes da lei colocados nestas áreas, são obrigados a solicitar transferências por temerem pelas próprias vidas.

Muitos, só de saber que calharam em um desses bairros, solicitam de imediato uma recolocação em outro posto, pois de tanto de mal que se fala, nenhum homem incorporado nas fardas de agente tenciona fazer carreira nestas áreas.

No Nguanhã, por exemplo, no distrito do Sambizanga, onde as rinchas entre grupos rivais são constantes, os agentes da ordem revelam “intervir com cautela para não serem conotados, sob pena de sofrerem retaliações quando largam os postos de trabalho”.

No bairro dos Ossos, sito no município do Cazenga, os agentes são obrigados a conviver com criminosos para salvaguardar suas vidas, situação que revelam ser constrangedor, mas necessário para uma estadia duradoura no local. Outros, são desafiados pelos próprios criminosos sobre quem terá mais tempo de vida. “Os criminosos têm noção que após o período laboral, caminhamos sem armamento, pois tudo fica na esquadra”, contou uma fonte que preferiu anonimato, acrescentando em seguida que, os policias que não se alinham, são aguardados nas paragens de táxi para lhes serem dados uma lição pelos marginais.

Dado o desconforto que muitos agentes enfrentam nas zonas, muitos são apologistas da política “agarrou, matou”; como revelam, quando isto não acontece, são reconhecidos e perseguidos.

No bairro Paraíso, em Cacuaco, ao contrário do nome, os agentes revelam viver um inferno. São perseguidos com tiroteios e escapam por algum milagre divino. Outros, que por temer pela vida, pagam cigarros e “pacotinhos” aos meliantes, que como recompensa ganham escolta até as paragens de táxi no regresso a casa.

“Temos colegas que na impaciência da efectivação de uma transferência, abandonaram o posto”, revelou.

Para enfrentar os homens da lei, os criminosos, segundo uma fonte que não quis ser identificada, adquirem armamentos à ex militares, que também chegam a trocar por motorizadas na zona da Funda, outros comercializam por valores mínimos por conta das necessidades.

A criminalidade nestes pontos da cidade capital é tão acentuada, que muitos moradores são obrigados a abandonar suas residências. Alguns até, colocam a venda, mas acabam por desistir por falta de comprador, pois pelo que parece, ninguém deseja se mudar para estes locais.

A renúncia pela colocação nestes pontos considerados críticos, os constantes pedidos de transferências, são tidos como principais factores do pouco número de agentes da polícia nestas zonas. Num universo aproximadamente de cinco mil habitantes, estimasse que para um grupo de 295 pessoas, apenas um agente da polícia é destacado, um jugo bastante desigual.

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