SIC ESCLARECE PARADEIRO DA JOVEM ACUSADA DE CONTAMINAR INTENCIONALMENTE VÁRIAS PESSOAS COM HIV

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São várias as especulações envolto do ‘caso Líria Vanessa’, jovem  de 20 anos de idade, acusada de infectar propositadamente cidadãos com HIV, em Luanda, Cabinda e Benguela. Alguns alegam que a mesma esteja morta e outros detida. Serviços de Investigação Criminal(SIC) revela paradeiro da jovem. 

 Leal Mundunde 

A informação do caso Líria Vanessa, chegou a público, tão logo ocorreu o  vazamento de um áudio nas redes sociais, onde o ex-marido em uma conversa telefónica conta o estado de saúde da acusada, a uma amiga da mesma. O diálogo parecia ser somente  uma conversa privada, veio a público despoletando num caso de Polícia. 

No áudio posto a circular, Júnior, ex-marido de Líria, confessa ser seropositivo, alegadamente contaminado pela antiga companheira e explica que o mesmo nunca escondeu o seu estado de saúde, inclusive a sua actual cara metade. 

Por outro lado, um dos casos mais sonantes é o que envolve a artista Neth Nayara e o Político Higino Carneiro. A artista e influenciadora digital acusa o ex-governador de Luanda, de a transmitir dolosamente, quando tinha 16 anos de idade, obrigando-a,  a manterem  relações sexuais sem preservativo em troca de dinheiro. 

Sem revelar como Líria contraiu o HIV, o antigo cônjuge, descobriu o estado da mulher que “mais amava”, quando foram ao hospital, numa altura em que a mesma estava incomodada. 

Naquele momento, solicitou a técnica de saúde, que efectuasse à companheira, teste de HIV, tendo, em seguida, obtido a informação que o deixou enfurecido e transformou a sua vida do dia para noite. 

Apesar de chocado inicialmente, depois de algum tempo, esteve mais calmo, solicitando a companheira que continuassem com a relação, pois a amava e estava disposto a caminhar de mãos dadas com ela. 

Apesar da sua intenção, Júnior refere que não chegaram a um entendimento e a separação foi inevitável. O  mesmo diz que  alertou outras  pessoas  com quem Líria mantinha relações íntimas.

Por eventualmente ter transmitido o vírus voluntariamente a um jovem, Júnior narra no áudio que Etiandra como é também chamada, começou a receber ameaças de morte.

Para além deste jovem, segundo relatos, a modelo mantinha relação com alguém, que tão logo  soube que a mesma é seropositiva e envolveram-se sem protecção,  fez participação a uma esquadra policial, levando a  sua detenção,  no dia 4 de Julho de 2023.

Depois de  prestar declarações na esquadra policial do Rangel, Líria foi  solta sob termo de identidade e residência, enquanto aguarda no seio familiar o percurso do processo. 

Em declarações ao Jornal O Crime, o Director de Comunicação Institucional e Imprensa da Direcção Geral do SIC, Superintendente-Chefe de Investigação Criminal, Manuel Halaiwa, confirmou a liberdade da acusada.  

O Superintendente-Chefe de Investigação Criminal esclarece que a imagem posta a circular nas redes sociais, revelando a morte da cidadã, tem a ver com outra pessoa. 

Por outro lado, acresceu que todo o acto que possa constituir crime, deve ser evitado, para que tenhamos uma sociedade harmoniosa. 

Ao longo da entrevista, questionamos se os Serviços de Investigação Criminal têm estado a receber denúncias constantes sobre casos de contaminação dolosa, Manuel Halaiwa respondeu que sim, mas nem sempre vêm à tona por opção dos queixosos. 

Jurista afirma que contaminação dolosa de doenças sexualmente transmissíveis constitui   crime 

Segundo o  Jurista Edson Nazareno Zua, olhando para o  artigo 205.º do Código Penal Angolano, “quem souber que é portador de doença viral ou bacteriana, sexualmente transmissível susceptível de pôr em perigo a vida, mantiver relações sexuais com outra pessoa sem previamente a informar desse facto é punido com pena de prisão”. 

Caso se confirme em tribunal, quem contamine outrem dolosamente, a pena máxima é de 15 anos de prisão. 

Olhando para o caso específico de Líria Vanessa, o Jurista refere que  é importante as vítimas informarem as autoridades, mediante participação criminal, para que situações do género não voltem acontecer, por considerar uma das formas de prevenir outros cidadãos. 

Para provar que não é seropositiva, Líria Vanessa é ainda acusada de exibir teste falso. Edson Nazareno Zua esclarece que a mesma pode responder por dois crimes, se for incluído no processo pelos queixosos. 

Caso seja verídica as acusações à Líria Vanessa, o Jurista diz que não foi a medida mais acertada da mesma, por colocar em perigo a vida de outras pessoas. 

Importância da ajuda psicológica aos seropositivos

A Psicóloga Alzira João afirmou que muitos por não conseguirem encarar a nova realidade, pela falta de acompanhamento de especialistas e solidariedade familiar, optam em transmitir o vírus a outras pessoas, que se envolvem sem protecção, devido à confiança depositada.

Perante este cenário, Alzira João recomenda acusada e as supostas vítimas, a buscarem apoio de especialistas da sua área, para não contraírem doenças do fórum psicológico, como a depressão e ansiedade. 

 Em casos mais greves, sem o devido acompanhamento,  os infectados podem pôr fim à própria vida, por caracterizar a depressão como o principal problema psicológico do século XXI. 

“Hoje, já tem pessoas que convivem com este vírus há anos, conseguindo desenvolver normalmente as suas actividades diárias”, por isso, apelou aos seropositivos, a não optarem pela transmissão consciente da doença, por ser uma prática criminosa.

Angola já registou várias denúncias de contaminação dolosa

Antes do caso Líria Vanessa, já surgiram várias denúncias sobre cidadãos que contaminam propositamente, outrem, com HIV. 

A título de exemplo, chegam relatos de contaminação voluntária deste vírus, no bairro Boa Esperança 2, no distrito dos Ramiros, município de Belas, em Luanda, tendo prostitutas como principais suspeitas. 

Em 2020, um cidadão na província do Bié, foi condenado a 24 anos de prisão por contaminação dolosa com HIV, a duas mulheres com as quais mantinha relações conjugais. 

Por outro lado, um dos casos mais sonantes é o que envolve a artista Neth Nayara e o Político Higino Carneiro. A artista e influenciadora digital acusa o ex-governador de Luanda, de a transmitir dolosamente, quando tinha 16 anos de idade, obrigando-a,  a manterem  relações sexuais sem preservativo em troca de dinheiro. 

O acusado veio a público recentemente chegando a divulgar uma cópia do teste feito há um ano, para desmentir que é não seropositivo.

Neste âmbito, questionamos o Director de Comunicação Institucional e Imprensa da Direcção Geral do SIC, Superintendente –Chefe de Investigação Criminal, Manuel Halaiwa, se esta instituição chegou de receber participação criminal de Neth Nayara, contra Higino Carneiro, respondeu não estar lembrado de que acusada teria feito. 

Se assim fosse,  “ela própria deveria vir a público dizer que fez uma participação”, acresceu.

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