CONTAMINAÇÃO DOLOSA DO VIH: PROSTITUTAS TIDAS COMO PRINCIPAIS FONTES DE CONTAMINAÇÃO DOLOSA DO SIDA NO BAIRRO BOA ESPERANÇA II

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Os moradores do bairro Boa Esperança II, em Luanda, denunciam existência de casos de contaminação dolosa do vírus da SIDA, numa altura em que cresce o número de mulheres envolvidas na prostituição a nível do país.

Leal Mundunde 

As várias dificuldades do trato social e económico, sobretudo, são tidas como as principais causas do crescente número de mulheres envolvidas na prostituição naquela parcela territorial afecto ao distrito urbano dos Ramiros, no município de Belas. A péssima condição de vida não só atira adolescentes para um mundo afundo, bem como senhoras idóneas com famílias constituídas, que, na luta pela sobrevivência, deixam filhos e esposos à procura de homens que necessitam de sexo em troca de valores monetários, que se estima rondar na casa dos 200 kwanzas em diante.

De modo particular, justamente nesta fase em que o Estado deixou de subvencionar a gasolina, e disto o disparar dos preços dos produtos da cesta básica nos mercados; gerou uma facilidade por parte dos cidadãos em adquirir momentos de lazer com as “profissionais do sexo”. Como apuramos, os militares e jovens inseridos na criminalidade são os principais clientes naquela zona. Algumas das senhoras envolvidas na prática, são comerciantes de peixes no mercado, mas não hesitam a uma oportunidade de lucrar fora da peixaria. “Deixam os negócios para se prostituir”, avançou um morador. 

A dificuldade em conseguir qualquer alimento que seja para saciar a fome, como contam os moradores, leva a que muitas donas de casa e sobretudo, adolescentes sem instrução nenhuma, a envolverem-se com qualquer que seja, sem protecção nenhuma, aumentando desta forma, os riscos de contaminação do vírus da SIDA. 

Algumas senhoras envolvidas nesta prática, são diagnosticadas com o vírus durante a gestação, “que, na maior parte das vezes e sem dó nenhum, escondem de seus parceiros o estado serológico” e, seguem para a prostituição, infectando clientes descuidados e, estes por sua vez, alargando a cadeia de infecção da doença, que, até então, não tem cura comprovada.

A contaminação do vírus de forma consciente ou dolosa, é considerado crime e punível por lei e, ainda assim, existem pessoas que, sem humanismo nenhum procedem por este caminho, contaminando qualquer que seja, que atravessa o seu caminho. E no bairro Boa Esperança II, esta prática é frequente, “indivíduos que optam em requisitar serviços de prostitutas afim de espalhar o vírus”, denunciou uma fonte.

Adiante, a fonte revela que, algumas prostitutas têm noção do estado serológico, porém seguem envolvendo-se de forma irresponsável (sem uso de preservativo), alegando “estar limpa ou não ter a doença”.

Na procura de “presas fáceis”, os mesmos não medem esforço, gastando mais do que o habitual cobrado pelas trabalhadoras de sexo. “Pagam bebidas e petiscos, prometem mais dinheiro e outros utensílios de beleza como roupas, cabelos ou perucas, etc., afim da vítima se familiarizar e aceitar o famoso “trigo limpo”, disse. 

Principais pontos de prostituição no bairro 

Pelo o que o Jornal O Crime apurou, a prostituição no Boa Esperança II, é feita de forma aberta, sem discrição nenhuma, que todo qualquer indivíduo na vizinhança consegue perceber e reconhecer quem são as vizinhas que andam nesta vida. 

São vários os pontos de serviço de sexo na zona, que chegam a superar as paradas do Kikagil e Multiperfil, no Morro Bento, devido ao número de mulheres e clientes que frequentam os locais. 

Para citar, as paragens da Hospedaria e do Embondeiro, zona das roulotes, vulgo “Obama” e rua direita do autódromo são alguns dos locais onde o movimento é maior. Por outro lado, as zonas da 28, da Verdinha e da Passadeira são outros pontos conhecidos no território, sendo frequentados, não somente por civis, como também por agentes da Polícia Nacional e militares, com maior procura particularmente, nos finais dos meses e início do mês seguinte.

Por serem locais geralmente com o nível de adrenalina acentuado, com músicas e bebidas alcoólicas, também contam com a presença de criminosos, que usam mulheres afim de atrair clientes para posterior serem assaltados. Porém, as trabalhadoras de sexo não escapam dos olhos dos criminosos, como relata Cardoso Kiteculo, coordenador do bairro, “muitas acabam por serem violadas no regresso à casa, em função da hora tardia do expediente”.

Em declarações a este Jornal, o coordenador do bairro Boa Esperança II, mostrou a sua preocupação em volta das jovens que optam na prática da prostituição, uma problemática que afecta aquele território. 

Um dado curioso, faz saber que alguns homens naquele bairro, preferem as prostitutas em detrimento de esposas ou namoradas, por considerar económico, uma vez que não têm de se preocupar em prover valores monetários às parceiras, para o suprimento de algumas necessidades como cabelo, unhas, roupas entre outras; sendo que com apenas 200 kwanzas ou mais, conseguem se satisfazer sexualmente.

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