Atraída com ‘água do chefe’: MULHER DE 39 ANOS É ‘ABUSADA SEXUALMENTE’ E ASFIXIADA ATÉ À MORTE

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Quatro cidadãos nacionais, dos quais dois já detidos, terão, alegadamente, atraído a vítima com a “água do chefe”, uma bebida alcoólica de fabrico caseiro, muito consumida na periferia de Luanda, que depois de embriagada, abusaram-na sexualmente e, de seguida, asfixiaram-na até perder a vida. O crime aconteceu na noite do dia 25 de Novembro último, na rua do Colégio, bairro Vila Flor, município do Cazenga.

Por: Engrácia Francisco

Albertina Monteiro Bundo, de 39 anos, foi encontrada morta por volta das 5 horas da manhã, de 26 de Novembro, quinta-feira, num dos becos da sua zona de residência, completamente despida, apresentando sinais de abuso sexual e asfixia.

Segundo o pai da vítima, Cândido Bundo, em entrevista ao jornal O Crime, a filha teria passado “todo dia anterior à sua morte” a conviver numa residência de venda de bebidas alcoólicas, em companhia de quatro indivíduos, dos quais Miguel Luís Cassona, vulgarmente conhecido por “Micha”, de 40 anos, e Alberto Correia Vunge, ou simplesmente “Bebeto”, de 41 anos, os dois agora detidos, aparentemente chegados a ela. Aliás, sublinhou Cândido Bundo, toda bebida que a filha consumiu foi, presumivelmente, paga por aqueles jovens.

Já ao anoitecer, contou, a jovem foi vista a abandonar o local na companhia dos quatro indivíduos, com quem se encontrava a conviver, e daí não mais foi vista. “Logo pela manhã do dia 26, possivelmente às 5 horas, um rapaz bateu-nos à porta a contar que a minha filha havia sido encontrada morta num beco daqui do bairro”, revelou, acrescentando que no mesmo instante seguiu até ao local e, posto lá, o cenário era chocante.

“Foi lamentável, a forma como a encontramos”, dizia, lacrimejando, enquanto descrevia à repórter o que vira. “Se eu tivesse encontrado estas pessoas ali, não sei o que os faria… mas coisa boa não seria”, desabafou, visivelmente magoado, para depois dizer que o laudo pericial concluiu apenas que a jovem perdeu a vida fruto da asfixia, descartando o abuso sexual. Entretanto, Cândido Bundo e família não descartam a possibilidade de a filha ter sido vítima de sevícias sexuais, também, por parte dos seus algozes, a julgar pelo estado em que encontraram o corpo da mesma.

Albertina Monteiro Bundo, de 39 anos, deixa ao cuidado de familiares seis filhos menores, fruto de uma relação, algo conturbada, com um indivíduo que, nos últimos tempos, estava cada vez mais distante da mulher e dos filhos. Aliás, segundo revelou Cândido Bundo, os maltratos e falta de apoio do marido teriam contribuído fortemente para que a filha entrasse em depressão e caísse no alcoolismo.

“A minha filha já não era a mesma. Não que esteja a culpar o homem pela morte dela, mas, verdade seja dita, também contribuiu”, explicou, para mais adiante dizer que, ultimamente, Albertina já só dormia em casas de amigas.

Para a família de Cândido, nada é mais adequado, agora, do que pedir justiça pela morte da filha.

Dois suspeitos sob custódia e outros dois continuam à monte

Informações prestadas pela Polícia Nacional confirmam a detenção de dois cidadãos nacionais, que atendem pelos nomes de Miguel Luís Cassona, também conhecido por “Micha”, de 40 anos de idade, assim como Alberto Correia Vunge, “Bebeto”, de 41 anos, como os principais suspeitos da morte da cidadã Albertina Bundo, de 39 anos, tendo já sido lavrado um processo-crime com número 11307-020-CZ.

Entretanto, a fonte policial disse que tudo está a ser feito para que os outros dois indivíduos sejam localizados o mais rápido possível, e fez saber, também, quer “Micha”, quer “Bebeto”, têm passagens pela Polícia Nacional, acusados dos crimes de posse e venda de estupefacientes “liamba”.

Durante esta reportagem, no bairro Vila-Flor, no município do Cazenga, foi possível constatar, naquela zona, a existência de vários casebres de vendas de bebidas alcoólicas de fabrico caseiro, com maior incidência para a capuca, recentemente paptizada com o nome de “água do chefe”. Nestes locais, muito afluídos, maioritariamente por jovens, mas que também recebe idosos, é possível divisar ajuntamentos, sem o cumprimento das regras de biossegurança para combate à Covid-19.

Ademais, segundo alguns moradores, muitos indivíduos, imbuídos de má-fé, também acorrem a estes lugares para assaltar e cometerem uma série de crimes, a exemplo do que aconteceu com Albertina Bundo.

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