Supostos oficiais de justiça: TORTURAM E DISPARAM CONTRA CIDADÃO INDEFESO

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Frederico Varandas e Erickson do Rosário, dois supostos escrivães do Tribunal de Comarca de Viana, estão a ser acusados de agredir, com catana, dois cidadãos indefesos, e, depois, terem alvejado uma das vítimas no joelho esquerdo. O crime aconteceu no passado dia 2, sexta-feira, no Panguila.

Por: Costa Kilunda

Segundo apurou ‘O CRIME’, Erickson do Rosário é reincidente neste tipo de práticas indecorosas, valendo-se do facto de ser filho de um juiz reformado. No Panguila, sector 2, sua zona de residência, o jovem escrivão tem a fama de ser um “arruaceiro”, e alguns moradores denunciaram-no, afirmando que Erickson exerce poder até na unidade policial local, sendo, por isso, protegido por aquela instituição.

No dia da ocorrência, contou Valeriano Bernardo, uma das vítimas, por volta das 17 horas, Erickson do Rosário e o amigo Frederico Varandas, que também é colega de serviço, encontravam-se num posto de abastecimento da Pumangol, algures do Panguila, a abastecer a sua viatura, quando ele (Valeriano), em companhia do amigo Moisés Ventura, abordos de uma viatura, escalaram o mesmo estabelecimento a fim de abastecerem também.

Ao pararem a viatura, explicou Valeriano, e tendo de seguida cumprimentado, educadamente, os presentes, questionou o funcionário das bombas porque razão estava a trabalhar sozinho àquelas horas do dia, ao que Frederico Varandas, um dos alegados agressores, “pensou que fosse uma manobra para os ultrapassar na fila de abastecimento. E, de repente, disse:” “Tu não vês que estou a ser atendido? Retira-te daí!”, explicou, para depois dizer que, a seguir, o agressor proferiu mais ofensas e outras grosserias contra ele.

Depois, seguiu-se troca de palavras, que evoluiu a empurrões entre as partes, até que uma acompanhante dos alegados escrivães, que, também, havia entrado na briga, acabaria por ser empurrada, para a contenda ganhar contornos mais alarmantes. “De repente o Erickson sacou a pistola da sua cintura e disparou uma vez para o chão, tendo eu fugido daí”, disse Valeriano, acrescentando que, naquele instante, o amigo (Moisés) havia encontrado, também, refúgio na casa de banho das bombas.

Acto contínuo, disse a vítima, Erickson do Rosário, furioso, foi atrás de si, e, à queima-roupa, efectuou cinco disparos, tendo um dos tiros atingido o seu joelho esquerdo. “Quando parei, verifiquei que a calça estava manchada de sangue, pensei, eu, que se tratava de um simples arranhão, mas, na verdade, era uma das balas que me havia perfurado o joelho”, afirmou.

Ademais, disse Valeriano, era possível ouvir o atirador a gritar: “onde ele está? Onde ele está? Vou matar-lhe hoje!”.

Por seu turno, Moisés Ventura disse que Eriskson foi atrás de si até à casa de banho onde estava escondido, efectuou mais um disparo, para o chão, junto aos seus pés e, em seguida, o colocou no porta-bagagem da sua viatura, um Suzuki Jimny, de cor preta, cuja chapa de matrícula não soube precisar. Por outro lado, adiantou, graças a um camionista, que, também, se encontrava nas bombas a abastecer, que convenceu o seu algoz a desconsiderar tal intenção. Todavia, sublinhou que Erickson e o companheiro bateram-no, violentamente, com uma catana que os mesmos transportavam na viatura.

“Fiquei cerca de 15 minutos na bagagem, perante o olhar trêmulo dos seguranças daquele estabelecimento, que nada podiam fazer, ante a agressividade de Erickson”, notou.

No entanto, os dois amigos, Moisés Ventura e Valeriano Bernardo, dizem-se dispostos “a ir até às últimas consequências”, para ver os seus algozes a pagarem pelos crimes que cometeram. Os dois amigos “esperam, agora, que a justiça seja feita, mais a mais, pelo facto de Erickson ser reincidente em tais práticas”. “Aliás, sabemos inclusive que ele terá saído da prisão há três meses”, disse.

“O caso já foi entregue à PGR”

Essa é a confirmação que vem de Escórcio Pimentel, chefe de Secção do SIC-Panguila, dando conta que os implicados não estão detidos por não terem sido apanhados em flagrante delito. Isto é, o caso ocorreu numa sexta-feira, 02, porém, os agressores foram apenas notificados a apresentarem-se nas instalações do SIC numa segunda-feira, 06 de Outubro, já que o período de 24 horas, que determina o flagrante delito, já tinha vencido.

“Notificamos os cidadãos implicados a comparecerem até à nossa esquadra, foram catalogados e identificados, razão pela qual instauramos o competente processo-crime, com o número 450/20, que já foi entregue à magistrada do Ministério Público (MP), com a solicitação do competente mandado de detenção”, disse o investigador.

Em sede de interrogatório, os criminosos disseram que tudo começou “com uma simples palavra, que depois evoluiu para a briga, tendo um deles sacado a arma para fazer alguns disparos de dispersão”, disse.

O investigador avançou, igualmente, que o Serviço de Investigação Criminal já teve acesso às imagens de vídeo vigilância do supracitado estabelecimento, que comprovam o sucedido. Quanto à arma, não soube precisar se o indivíduo possui licença para porte ou não, mas garante que é uma tarefa que o MP vai poder esclarecer nos autos de acusação. Todavia, disse que é do seu conhecimento que os mesmos são oficiais de justiça, porém a instituição onde labutam é ainda desconhecida.

Destacou, de igual modo, que é a primeira vez que os vê e garantiu que “a lei é para todos”. E o facto de ser, supostamente, filho de um ex-juiz não afasta a possibilidade de ser responsabilizado civil ou criminalmente pelos seus actos.

De realçar que a nossa equipa de reportagem, procurou contactar Erickson de Rosário, por via telefónica, contudo, sem sucesso, pois fomos atendidos por uma senhora que, sem se identificar, alegou ser a proprietária do telemóvel.

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