HOMEM MATA FILHA DE UM ANO “PARA FICAR RICO”

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Domingos terá agido sob orientação de um quimbandeiro, a quem procurou com o propósito de tornar-se rico.

Por: Costa Kilunda

Várias pessoas que testemunharam o resgate do corpo da menina, por um agente da PIR, vizinho do casal, no tanque de água, onde foi colocada pelo próprio pai, depois de tirar-lhe a vida, manifestavam, à nossa reportagem, as suas iras com este acto.

Para além de revoltadas, aqueles solidarizam-se, também, com a família enlutada e, em particular, com Isabel Morena, a mãe de 20 anos, que aguarda pelo segundo rebento, cujo feto conta, ainda, com dois meses.

Entretanto, Domingos Mateus Zolana, de 28 anos, o suspeito, foi recolhido de imediato pelos agentes do SIC-Viana, por altura do resgate da pequena, no Zango 3. Até à realização desta reportagem, no dia 30 de Novembro, encontrava-se detido em prisão preventiva na esquadra do Zango-4.

Segundo fomos informados, antes mesmo de o crime acontecer, Domingos Zolana, numa tentativa malsucedida, persuadiu a esposa a “vender a filha ao diabo”, com o propósito de saírem da miséria que enfrentam. Ou seja, tornar-se-iam ricos, segundo ele, sem qualquer esforço.

“Essa era a intenção dele, há já muito tempo. Ele insistia nisso, por acreditar que se tal acontecesse se tonaria rico”, explicou a companheira, acrescentando que o marido dizia que quem o havia convencido nisto era um quimbandeiro. Ademais, elucidou, ao opor-se à vontade daquele, várias vezes foi vítima de agressão, física e verbal. “Ele, inclusive, levou todas as fotografias da menina para actos de feitiçaria”, notou.

Segundo Isabel, tudo aconteceu na madrugada de terça-feira, dia 24 de Novembro, quando Domingos, aproveitando-se do seu sono profundo, retirou a criança, com o objectivo de materializar o seu malévolo plano. Seguidamente, matou-a e jogou-a no tanque de água da residência.

Depois do acto, para dissimular o que havia feito, pôs-se aos gritos, clamando por socorro, alegando que homens estranhos teriam entrado na sua casa e raptado a sua filha.

“Quando acordei, dirigi-me ao quintal, perguntei-o de onde é que os marginais tinham entrado, se todas as portas estavam fechadas e não havia sinais de arrombamento”, conta Isabel, para mais adiante dizer que questionou, repetidas vezes, ao marido sobre o paradeiro da filha, tendo deste recebido a resposta de que “dois indivíduos que se faziam transportar por uma motorizada a tinham levado”.

Segundo aquela, as informações do companheiro foram contrariadas por um agente da PIR que, no momento, se encontrava na rua com a namorada, testificando que não haviam suspeitos de motorizada. “Não vi nenhuma motorizada parada aqui à sua porta”, desmentiu o agente, enquanto o acusado era observado a ferir-se com fragmentos de garrafa para justificar a presumível intervenção contra os bandidos.

“Não entrou nenhum gatuno, foi ele mesmo quem matou a minha filha”.

Foi nesse instante que o citado agente entrou no quintal e, ao instar o indivíduo a responder o que havia feito com a filha, descobriu que este a havia atirado no tanque de água existente no quintal. “Mergulhou no tanque de água e retirou a menina, mas já sem vida”, contou, acrescentando que ainda tentaram uma respiração boca-a-boca, mas nada. “Ainda pedi a ele que a levássemos para o hospital, mas ele nem isso aceitou. Estava praticamente sozinha, foi muito triste vê-lo sentado a insistir que os culpados eram bandido”, lamenta, sublinhando que Eduardo Benga Talamaku, tio da malograda, ao responder à nossa reportagem sobre o carácter do cunhado, referiu-se a ele como “um indivíduo malandro”. “E por conta disso o proibi de colocar os pés na minha casa”, explicou, concluindo que “já não gostava dele”.

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