Mbanza Hanza promete: “VOU TORNAR ANGOLA UM PAÍS DE TODOS NÓS”

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De seu nome verdadeiro Afonso Mayenda João Matias, 35 anos, é conhecido nas lides do activismo cívico e político como Mbanza Hanza, numa combinação entre o lugar (Mbanza) e a força de um guerreiro (Hanza) – nome que –, aliás, diz ter criado em co-autoria com um companheiro de luta. Esposo e pai de duas meninas, é licenciado em Engenharia Informática por uma instituição de ensino superior da qual se recusou a receber o diploma de licenciatura, por protesto, e que se nega a citar, no entanto, considera-se auto-didata em direito. Conheça, em entrevista exclusiva, as ideias do jovem que diz estar à altura para substituir João Lourenço no poder e fazer de Angola um país melhor para se viver.

Por: João Feliciano

O Crime — Que é Mbanza Hanza?

Mbanza Hanza — Mbanza Hanza é o meu nome. Eu tenho um outro nome de registo, mas prefiro vincar a minha identidade, como “Mwuntu”. É o nome que me deixa mais à-vontade e é assim que eu quero aparecer nos órgãos e tudo mais.

Mas o nome que está de registo é Afonso Mayenda João Matias, nasci na província do Uíge, no município de Milunga, em 1985. Sou pai de duas meninas, e resido actualmente no distrito da Camama, no município do Talatona, em Luanda.

Crime —E quando chegou a Luanda?

Mbanza Hanza: Cheguei a Luanda em 1999, vindo da cidade sede da capital da província do Uíge. Portanto, foi a primeira vez que pisei os pés a esta cidade (Luanda) “infernal”, juntamente com a minha mãe.

O Crime — Por que razão saíram do Uíge?

Mbanza Hanza — Fugimos da guerra. Aliás, eu nunca deveria ter saído do meu Milunga, se não fosse a guerra. Mas, agora vejo que se não tivesse saído de lá, talvez, eu não seria o Mbanza que sou hoje. Porque eu vim aqui, possivelmente, encarnar esse desafio, que é o de liderar o meu País e o meu povo e, agora, começo a perceber que tudo faz sentido.

E o argumento da guerra foram as condições que, aqueles que governam o país, querendo ou não, usaram para me trazer aqui. Porque era inimaginável que eu lá nas lavras, a caçar ratos, enquanto as coisas acontecem aqui, deste lado do Kwanza e para, hoje, estar aqui e ser este Hanza… ninguém poderia imaginar isso. Então, foi o factor guerra que deu a boleia – mas, agora, eu vou vendo que, epá, é um propósito maior!

O Crime — Pode-se dizer que não há nenhuma correlação entre o Mayenda do Milunga, com Mbanza Hanza de Luanda?

Mbanza Hanza: Há sim. Pois o nosso destino é traçado assim que entramos no ventre da nossa mãe, só que entender isso é que leva tempo. Senão a missão não começa no momento em que você a entende, ela começa muito antes. Bem possivelmente muito antes de entrarmos no ventre da nossa mãe.

Mas o processo que nos levou a entender é esse. Estava tudo predestinado. E pela forma como as coisas vão acontecendo, não são meros acasos, eu acredito que seja numa sequência dos eventos. E, hoje, com tudo aquilo que aconteceu, já dá para dizer mesmo… futuro Presidente de Angola.

O Crime — Em 1999, com 14 anos, a Luanda que encontrou era igual a que tinha desenhado na sua imaginação?

Mbanza Hanza — Na verdade, o único desenho que eu tinha era da Ilha de Luanda, porque, quando estudava a 4.ª classe, haviam nos manuais escolares desenhos de ilhas… e o mar. E nós chegamos a Luanda de helicóptero, então a única coisa que eu consegui confirmar foi, de primeira, o mar.

E, normalmente a areia, na praia, forma um desenho, que estava exactamente igual como a que tinha nos livros. Então eu disse ‘oh wau!’, aqui tem alguma coisa eu já conhecia. Tudo resto era “novidade” para aquele menino. No entanto, alguma coisa, em termo de estrutura urbana, eu já conhecia. Até porque vinha da cidade do Uíge, onde fiquei por dois anos, depois de ter saído de Milunga, a minha terra natal.

O Crime — A que distância se situa Milunga da cidade do Uíge?

Mbanza Hanza — Estamos a falar de mais de 200 quilómetros.

O Crime — E era a primeira vez que ia à cidade?

Mbanza Hanza — Como adolescente, sim. A primeira vez foi quando eu era mais novo, um bebé, na verdade. Mas a minha infância de andar, de falar, foi no Milunga, e foi lá, também, onde aprendi os valores que me conduzem até agora.

O respeito aos mais velhos, ouvir, deixar o lugar, entregar as coisas com as duas mãos, todos estes valores foram-me ensinados na minha aldeia. Fora das grandes cidades, o “Muntu”, o africano é muito educado.

O africano fora das cidades nem é criminoso, nós não roubamos, portanto, não há estas coisas. As pessoas são mesmo muito educadas.

O Crime — Cá em Luanda, onde é que se instalou, e o que mais lhe encantou, para além da Ilha?

Mbanza Hanza — Instalamo-nos na Petrangol, bem próximo à Comarca, na rua dos Candeeiros. No princípio as pessoas ficavam com medo, porque para ir à praia, tínhamos que atravessar a estrada, mas depois de eu me atrever uma ou duas vezes, criei o hábito.

Por outro lado, nessa altura eu era apenas um adolescente, e, nessa idade, tudo o que é novo encanta para a criança.

Não tinha as capacidades de julgamento que eu tenho hoje. Então, uma realidade nova, a capital é a coisa, quando a gente está no interior, quando estamos fora, Luanda é como a Europa, nê! Quando te dizem que vais à Luanda, a pessoa fica tipo… “wau”, vou para um paraíso!

Então enquanto criança, não fiz grandes julgamentos, porque tudo era interessante …, mas hoje já não.

O Crime — Nem precisamos dizer que a Luanda da sua adolescência não é a de hoje?

Mbanza Hanza — Nenhum pouco! Pese embora muitas coisas ainda persistem. O gueto que eu encontrei em 1999 e as dificuldades que encontrei naquela época são as mesmas do gueto de 2020. Falo de exclusão, falta de luz, falta de água, gente a zungar para sobreviver.

O problema para o gueto tem sido a minha história de vivência e a minha experiência aqui na capital. O gueto continua o mesmo e isso esteve na base, também, para que eu começasse a fazer protestos. Nós temos um país e um continente muito abençoado.

Não haveria necessidade, nem sequer para trabalharmos para estarmos bem. Já que há muitos recursos aqui, muitos recursos mesmo.

Quando ouvimos relatos, como os que aconteceu com a igreja Universal do Reino de Deus, em que a IURD de Angola é que sustentava as IURDs do planeta, eu até dizia que estamos mesmo no “el dorado”. Mas por que não administramos bem isso?

Por que é que tenho o meu povo a passar fome? Por que é que tenho gente a morrer? Muita coisa não faz sentido. Então é isso tudo que se junta à necessidade de ter que contribuir com algo melhor, com algo diferente, com algo novo e que nos represente.

O Crime — Com que nível de escolaridade chegou à Luanda?

Mbanza Hanza — Estava a frequentar a 6.ª classe.

O Crime — Já sabia ler e escrever?

Mbanza Hanza — Eu aprendi a ler e a escrever quando tinha sete anos, se não me engano, em Milunga. E eu fui o homem das cartas.

E este meu processo de aprender a ler foi meio que acidental, porque aprendi a decorar primeiro, na altura acho que estudava a primeira classe. Eu havia decorado os textos do livro da primeira, todos eles. Então naquela fase os meus professores achavam que eu já lia, afinal os tinha decorado.

E o processo de aprender a ler mesmo foi meio que acidental, como se fosse auto-aprendizagem. E desde aquela data que eu me apercebi isso, até hoje.

O Crime — Não terá sido pelo facto de te sentires meio preso, como se não pudesse ir além daquilo que tinhas decorado? 

Mbanza Hanza — Não foi muito por isso. Porque o processo de ensino é um processo de formatação, quer queiramos quer não.

Porque o aluno assimila o “a”, não porque ele quer, mas pela repetição do professor. Então é um processo de formatação. E este processo de formatação que, quando está cimentado, ele ocorre automaticamente na pessoa.

Portanto, é este processo de formatação que se terá despertado, automaticamente, em mim, foi acidentalmente. Ou seja, para ser mais preciso, eu estava a estudar a 2.ª classe, acho, e vinha com a fama de ser o aluno da primeira classe que já sabia ler e escrever.

Só que, na segunda classe eu não tinha acesso a livros, não via ninguém ler, para poder decorar, então, ficou um pouco difícil para mim, como aprender a decorar sem ouvir que leia os textos. Porque eu ficava atento, e gravava tudo, que as pessoas liam.

Não havendo esta pessoa, eu tinha que me esforçar para provar que sabia ler. E uma das palavras que me forçou a saber ler é a palavra “cinco”. Porque o meu professor da segunda classe, que veio a ser também o da terceira, ensinou-nos as sílabas “ca, ce, ci, co, cu”, como “ca, que, qui, co, cu”. Então que lia “quinco” ao invés de “cinco” – então comecei a ver que não fazia sentido a primeira forma de pronunciar o “cinco”. Como não era uma palavra familiar, certo dia eu decidi ler de forma diferente, acabei por acertar.

Naquele dia, percebi que tem coisas que se escrevem de uma forma e que se lêem de outra. Aquilo me guia até hoje, e fez-me perceber que há coisas na vida que não são o que parecem.

Então, foi o cinco que me ensinou a ler. E, agora, aprendi uma nova ciência, que é o “Mandombe”, que se baseia num elemento semelhante ao cinco. O “paku ndungo” é “cinco” e o “pelekete” é dois. O que quer dizer que, o cinco que me ensinou a ler é o que agora está a me dar a ciência da libertação.

Muito interessante, aliás, hoje é a primeira vez que eu estou a fazer esta associação.

O Crime — Onde é que conheceu essa nova ciência?

Mbanza Hanza — Foi mesmo aqui, quando eu decidi abandonar o Ministério da Educação, por que já não me revia com o sistema, não apenas com o sistema educativo de Angola, mas com o sistema de ensino global.

Eu fui professor durante 12 anos, portanto, comecei em 2005 e em 2017 decidi abandonar porque entrei em crise com o sistema. Porque eu entendi que parte dos problemas que os nossos países se debatem, são transmitidos na escola.

Ou seja, no nosso caso particular, ela não está propriamente para nos ajudar a resolver os problemas… ele é parte do processo de construção e de cimentação do problema. Então eu disse que vou largar e procurar algo melhor. Um sistema que nos reflicta. Porque há excesso de colonialismo, de estrangeirismo, como por exemplo na disciplina de história, a história que se nos ensinam é maioritariamente estrangeira do que nossa.

Um país como Angola, com vários povos e um mosaico cultural muito grande, não sei porquê que a gente tem de estudar história da Grécia, uma Grécia que, praticamente, já não existe. A história europeia deveria ser uma coisa a posteriori.

Então foi isso que me fez decidir largar as aulas, para procurar um sistema melhor, um sistema alternativo que fosse mais representativo, que nos ajudasse a libertarmo-nos e podermos produzir. Só que eu não sabia qual, mas falava sempre do meu desejo de criar a escola “Muntu”, que se reflecte no africano como ele é, de facto.

Aliás, eu tinha o desejo de ir até à Libéria para aprender o “Vai”, que é o único sistema de escrita, que até 2017, eu sabia que ainda se escrevia, um sistema africano que ainda estava em vigor e era ensinado na escola. Portanto, para ir aprender e vir aplicar na minha escola, tal como eu idealizei, onde o modelo de escrita e a língua de transmissão seria toda ela africana.

Pois, se a ciência me chega na minha língua originária, bem mais fácil eu me torno dinâmico e começo a criar, do que quando eu tenho que fazer migrações para o Português e deste para o Latim e, posteriormente, para o grego.

Então, em 2018, um amigo perguntou-me se eu já havia ouvido falar do “Mandombe”, eu disse-lhe que não, e foi daí que ele me mandou uns “prints” da escritura e da explicação do que se tratava, no Wikipédia. Então, daí, eu disse, nem mais, era mesmo isso que eu precisava.

É um sistema ultracientífico. Na verdade ele vai ajudar-nos a entender até a própria ciência, que nós não entendemos hoje. Aliás, foi o que eu disse ao Presidente João Lourenço, de que se tivesse oportunidade, gostaria de apresentar-lhe este sistema, porque vai facilitar-nos muito. Aliás, ele funciona como um acelerador e um atalho para o aprendizado.

Aquilo que nós levaríamos quatro anos, na ciência cartesiana, com o “Mandombe” levaríamos muito menos tempo, um ano no máximo.

O Crime — Recuando aos tempos da Petrangol, que se situa no alto do antigo município do Sambizanga, hoje distrito do N’gola Kiluanje, era possível ver-se a zona baixa da cidade capital, com imponentes edifícios e vivendas de luxo, contrastando com os becos e casebres de alvenaria não rebocadas da sua circunscrição. O que te ocorria na alma?

Mbanza Hanza — Na verdade é um grande contraste. No entanto, criava-me alguma confusão, como adulto já. Enquanto criança, criava-me um desejo de querer ter estado nestes prédios.

Quando nós chegamos a Luanda, a primeira desilusão, embora ainda criança, foi tipo, ao sairmos do Aeroporto, eu via a exuberância da cidade, os prédios e reparei que cada vez que íamos, deixávamos os prédios para atrás. E eu me perguntava quando que íamos parar e eu ficar no prédio. E quando nós deixamos a cidade e foram aparecendo as sucatas e a poeira do musseque, eu percebi logo que era no areal que haveríamos de fixar residência.

Estás a ver aquele sentimento de expectativa, tu vais vendo o bonito, mas cada vez que avanças ele vai ficando para atrás, daí percebes que vais ao lixo. E, naquela altura, para quem conheceu a rua dos Candeeiros, logo à entrada, haviam várias sucatas. Então era esta sensação.

Portanto, nessa altura de adolescente, era mais à-vontade estar lá, não tipo, é injusto eles estarem lá e nós aqui. Ademais, essa consciência do injusto foi surgindo mais tarde, quando eu fico mais adulto e começo a ver que são coisas arranjadas propositadamente.

“O nosso financiador para nos manifestarmos é o sofrimento”

O Crime — E quando é que se dá o encontro com o activismo?

Mbanza Hamza — Bem, eu acho que essa coisa já borbulha, inconscientemente, em mim, especialmente quando eu comecei a estudar na ADPP, em 2003. Eu entrei lá em Setembro de 2003, e lá comecei a entrar em contacto com histórias, porque a primeira disciplina que aprendemos na ADPP é o Mundo, o mundo no qual vivemos.

Então, ensinam-nos sobre figuras que marcaram o mundo e que, pelo seu trabalho e sua actuação, transformaram a humanidade.

Tive contacto com Malcolm X, Bob Marley, aprendi sobre Dalai Lama, madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King e Nelson Mandela, e, lendo as biografias destas pessoas, fui vendo que era possível fazer-se alguma coisa.

Mas, também, antes de ter ido à escola, eu tinha começado a estudar com as Testemunhas de Jeová, que são uma organização mesmo muito fechada, e a visão que eles têm sobre as coisas do mundo é outra. São uma organização que têm uma visão de que vivem no mundo, mas não fazem parte do mundo.

Então, tudo que está ligado ao mundo, a política, os protestos, não lhes diz muito respeito, porque eles aguardam a vinda do reino de Deus que vai resolver todos os problemas da humanidade… porque os nossos problemas já não estão no nível humano de resolver. Eu tinha também essa semente em mim, apesar de que eu não era praticante, mas, dizia que são coisas para não se meter.

Tal é que, assim que eu termino o curso na ADPP e vou para o estágio na Funda, eu decido levar a crença das Testemunhas de Jeová mais a sério. Aliás, a ADPP era, pelo menos no tempo em que la estive, uma escola de formação de professores, e que assim que o estudante terminava o curso era mandado, em estágio, para as zonas rurais. E eu calhei na Funda.

Pois então, quando eu lá cheguei a minha maior preocupação era dar continuidade aos meus estudos com as Testemunhas de Jeová, e até fiz progresso nesse sentido. Em 2008 me baptizei, mas em 2010 eu entro em crise de crença com as Testemunhas de Jeová, que eu não quero aflorar aqui.

Mas acho que é esta crise que chama todas as outras, porque comecei a questionar a questão da religiosidade, a espiritualidade e a fé, então comecei a ter um olho mais crítico e todas aquelas coisas que eu aprendi na escola começaram a vir ao de cima.

Se Malcolm X fez alguma coisa, eu também posso. Mas eu não tinha poder de iniciativa, não podia depender de mim, o Hanza não convocava manifestação, porque eram experiências que eu não conhecia. Mas a primeira vez que eu ouvi uma manifestação a ser convocada era para o dia 7 de Março de 2011, e eu disse que era isso que eu sempre quis.

O Crime — E nesta altura já era o Mbanza Hanza?

Mbanza Hanza — Não. O Mbanza foi sendo feito. Porque este é um nome que eu ganhei ao longo do activismo.

Jornal O Crime — Quem escolhe o nome?

Mbanza Hamza — Na verdade foi um nome aplicado em conjunto com alguns companheiros. O Mbanza fui eu a escolher, que significa cidade ou lugar, na língua nacional Kikongo. Já o Hanza, em honra a um soldado, foi-me sugerido por um amigo, explicando que o Hanza era tão poderoso, nas batalhas, que, para o derrotar, foi preciso os seus próprios companheiros o apunhalarem pelas costas. E este amigo sugeriu que eu tivesse este nome.

Eu disse que a história era interessante, mas sem essa parte de me apunhalarem pelas costas. Mas, em 2015, eu tenho uma outra crise, se assim a posso considerar, e foi o francês Liliam Thuram, com o seu livro “As Minhas Estrelas Negras – De Lucy a Barack Obama”, lançado em 2014, do qual eu tive acesso em 2015, na prisão, que me lançou contra mim mesmo, porque durante o meu processo de activista, eu tive sempre essa cena africana comigo, tal é que os nomes africanos que nós tivemos no grupo, grande parte deles foram sugeridos por mim.

A associação que nós criamos chama-se “Handeka”, vem um pouco disso, porque o controlo do processo das eleições que tivemos em 2016 chamou-se “Jiko”, e é essa preocupação de que a África e o africanismo tinham que nos acompanhar. Temos que dar um rosto mais africano nas nossas coisas, porque é isso que nós somos.

Mas o Liliam me atirou contra mim mesmo, porque aquele livro trouxe estrelas que eu nunca imaginei. Porque a história não nos conta histórias sobres estrelas negras, tudo que sabemos é que os negros são escravos e por isso é que temos um Museu de Escravatura, mas não temos um “museu de resistência à escravatura”.

Todas as coisas que nós temos são a louvar o colonialismo e a sua destruição. Por exemplo, comemoramos a fundação da cidade de Luanda a partir da data instituída por Paulo Dias de Novais, mas essa cidade já existia e já era habitada antes disso. Ou seja, tudo que fazemos é louvando quem veios nos colonizar.

E isso é uma das coisas que me fez entrar, também, em crise com o sistema de educação – pois, aquele livro mostrou que os negros fizeram, se bateram e, pronto. Eu disse que me havia encontrado.

Comecei a questionar tudo, e, em 2016, quando a gente sai da prisão, os meus primeiros posts eram mesmo de muita revolta, e quem lia aquilo facilmente me chamaria por racista ou xenófobo. E não é porque eu havia sido encarnado por um espirito de rebeldia, mas, como havia dito ao Luaty – “o meu balão estava cheio” –, porque não é normal que eu viva mais de trinta anos alheio disso tudo.

Então quando soube que muitas das coisas que utilizamos hoje foram criadas por negros e cujas histórias são ocultadas, isso me deixa revoltado. Sobretudo porque o nosso sistema de ensino também nos oculta isso, então o meu balão foi esvaziando com raiva e revolta por causa dessas coisas e, em 2018, decidi renascer como “Mbanza A N’za”, uma frase totalmente em Kikongo, que significa “um lugar no mundo”. Só que pronto, as pessoas não conseguem pronunciar o nome desta forma, e dizem Mbanza Hanza.

O Crime — E já encontrou o seu lugar no mundo?

Mbanza Hanza — Não é encontrar, mas estabelecer. Esse lugar existe, só que está deturpado, porque não podemos permitir estar a viver no nosso território e sentirmos que somos estrangeiros nela.

Então é reestabelecer, porque as regras que vão conduzir este espaço têm de ser as nossas regras. O que não quer dizer que não vamos cooperar com outros povos, vamos sim. Mas quem vai ditar as regras somos nós. Então nós temos que firmar isso, temos que nos assumir.

O visitante é recebido em casa, nunca é o dono da casa. É isso que se passou em Angola e quase toda África, e é isso que queremos reverter.

O Crime — Em 2015, por altura do processo 15+2, já se conhecia com todo aquele pessoal com que esteve preso?

Mbanza Hanza — Já sim, com excepção do Benedito Dali. O Dito foi alguém que conheci só no processo. Foi a primeira vez que o via e fui conhecendo-o na prisão. De resto, todos os outros são manos, com os quais já viemos juntos desde 7 de Março de 2011, nesta luta, de que estamos cientes de que podemos contribuir para um país melhor, mais transparente, e mais inclusiva.

O Crime — Algumas vozes críticas ao vosso movimento falam, com alguma certeza, de receberem apoios de instituições internas e estrangeiras. E essas críticas têm algum respaldo, sobretudo quando vêm o Nito Alves, que vem de uma família humilde, a ir e vir da Europa. Vocês recebem algum apoio desta natureza?

Mbanza Hanza — Apoio para manifestar! Olha, se há um financiador excelente é o nosso sofrimento. Sabes, quando as pessoas dizem que é preciso que uma instituição financeira me financie para reclamar, estão-me a ofender.

Como disse antes, quando eu cheguei a Luanda pela primeira vez, eu comecei a ficar triste porque os prédios estavam a ficar para trás, cada vez que avançávamos. E quanto mais me aproximava ao lixo, mais se dava a certeza de que é aqui onde eu vou viver. E quando eu cresço e começo a perceber que é um arranjo propositado, isso me revolta.

Então, mais uma vez, o principal financiador da nossa luta é o nosso sofrimento, é a pobreza desnecessária, engenhosamente traçada para afectar este segmento da sociedade como eu, como o Manuel Chivonde “Nito Alves”, que, infelizmente, temos que ficar nos guetos.

Agora, estas acusações de apoios e de financiamentos vão sempre acontecer, primeiro pelo factor pobreza, e segundo para as pessoas justificarem o seu relaxamento diante do sofrimento colectivo. E muitos deixam de juntar-se à causa porque, infelizmente, acham que somos financiados.

O Nito Alves e os espaços que ele vai visitando explicam-se. Como é que vocês chegaram a mim? Vocês teriam ligado para o Hanza de 1999? Vocês teriam chegado ao Hanza anónimo da Funda? É pelo que eu fiz, é pela atenção que eu chamei – e esta atenção chama tanto as pessoas que estão internamente, como as que estão no exterior.

E, normalmente quando as pessoas te chamam, diferentemente do nosso caso, que estamos habituados aqui na nossa cidade, quem te chama paga! Custeia! E se querem o Nito na Europa vão pagar o bilhete de passagem, assim como nos quiseram em Moçambique, em 2012, pagaram tudo.

O Crime — Quantos foram e por que razão vos queriam lá?

Mbanza Hanza — Não. Nesta altura fomos quatro, portanto, eu, o Emiliano, o Francisco Kimbinza e o Hossi. Fomos convidados pelo Parlamento Juvenil de Moçambique, para uma Conferência da Juventude para a Boa Governação, e queria ter experiência de vários cantos do continente. Logo, queriam ter, também, a experiência dos jovens activistas de Angola. Fomos lá partilhar como é que nós travávamos as nossas lutas aqui, para ajudar outros jovens a verem como é que as coisas acontecem e isso se repercutir a nível do continente, até porque estávamos todos a clamar por melhorias, por boa governação.

Agora, me pagar para lutar! Como é que se explica isso? Querem dizer que no dia 7 de Março, antes de ir para a manifestação primeiro me pagaram?

O Crime — Então, nunca foram bonificados por quem quer que seja? Fala-se, por exemplo de terem recebidos apoios financeiros por parte de Isabel dos Santos!

Mbanza Hanza — É possível o grilo rasgar a própria barriga? Isabel dos Santos é o quê, politicamente? MPLA! E o MPLA vai financiar para a sua autodestruição? Não sei, não faz sentido para mim.

Essa questão dos financiamentos é muito persistente. Por exemplo, no tempo do Presidente Eduardo dos Santos, foi muito mais intensa. Mas é aquilo que eu estou a dizer. É para incentivar alguns a não se juntarem à causa, e no caso do governante, para justificar a sua atitude para contigo.

Sabes, é preciso criminalizar alguém para o tratar criminalmente. Pois é o que a nossa Polícia, mais ou menos, faz. O jovem, que por causa da má governação, ficou privado de todas as condições sociais mínimas, não teve acesso a alimentação, não teve acesso à saúde ou à educação, e por causa disso rouba a galinha ou a botija mais próxima que ele encontrar, é tachado de criminoso. E por ser criminoso, deve ser tratado criminalmente.

Então vai ter que apanhar surra pelo SIC e essas coisas todas. Ou seja, é preciso que eu, como político, te tachar de alguma coisa para justificar a minha atitude para contigo – logo, já que são tachados como inimigos da paz e estão a ser financiados por organismos internacionais, vamos partir-lhes as cabeças, para cortar o mal pela raiz.

E, mais uma vez, o maior financiador da minha luta é o Cazenga, é o Cacuaco, é Viana, Sambizanga, Catinton. E isso é o que financia a luta cívica.

Elimina só isso, e não vais ter mais gente nas ruas a protestar. Por isso é que não vês pessoas das Ingombota nas manifestações, os da Maianga, do Talatona, nunca apareceram nos protestos. E eles são financiados, porque as organizações internacionais se estabelecem nessas zonas.

Já viste uma organização internacional no Cazenga? Estás a ver! Quem tem afinidade com estas organizações são eles.

O Crime — Como é que olha a Angola do Presidente João Lourenço, fazendo um paralelismo com a de JES, sobretudo no capítulo da boa governação? 

Mbanza Hanza — Bem, no capítulo da boa governação, ele remete-nos à satisfação dos anseios, dos principais anseios da população, agora a volta dos 30 milhões de habitantes, mas é, também, aquilo que eu disse no início, que o Sambizanga que eu conheci em 1999, é o mesmo de hoje.

Eu sei que a transformação para estes sítios ainda vai levar algum tempo. E, segundo, é que estes sítios já foram aceites assim, que é normal viver no Sambizanga, naquelas condições. Ou seja, até o próprio governo já mentalizou, durante estes anos todos, 45 anos de independência, que é normal que as pessoas vivam ali naquelas condições. Logo, a atenção que se vai prestar a estes sítios ainda vai levar muito tempo, e, por isso, justifica-se a constante luta pela institucionalização das autarquias, que vão permitir uma atenção mais dirigida.

Olhando para os dois contextos, vão-se registando melhorias. Há alguma mudança que não se podem negar. Porque se pegares a média e a forma como as pessoas agora aparecem, falam e criticam, nota-se alguma mudança – e reconhecer isso é um sinal de que –, valeu a pena eu ter lutado.

São frutos da minha luta, são coisas como estas que eu queria ver a acontecerem no meu país, o que me deixa muito feliz. Porque ao final da jornada olhamos para o que fizemos e dizemos que sim, valeu a pena.

E mesmo em número reduzido, acreditamos, fomos à luta, fomos ousados e teimosos, batemos e batemos, e agora as coisas vão acontecendo. E, como disse, em 2016, qualquer mudança que acontecer é fruto da minha luta, portanto, é meu ganho.

Mas essa é uma estrada, e ainda temos muito caminho a percorrer. E um dos aspectos que nós temos que pegar, mesmo, é a constituição, que já tem 10 anos.

Aliás, foi um dos desafios que eu levei no encontro que tivemos com o Presidente da República, sobretudo quando eu lhe disse que estava pronto para substituir o MPLA. Eu estou.

E as pessoas pensaram logo no seguinte, encontre já um nome para o partido e vamos já colher as assinaturas, porque estamos contigo. Mas é justamente o partidarismo com o qual eu sou contra, porque é isto que vai acentuando, não apenas a desigualdade, mas o não nos conjugarmos para resolvermos os problemas de Angola.

Então, eu não tenho uma visão de criar mais uma estrutura como é o caso de um partido. Porque, o que é que vai ser, este vai ser mais um espaço onde as pessoas vão rever-se, saber que o que vale é isso, então, ou você serve ou não serve. E o partido vai ser um novo factor de exclusão, e é isso que eu não quero.

Voltando ao que eu estava a levantar, um dos trabalhos, que é um contra-desafio ao PR, é a revisão do Artigo 109.º da constituição, e os poderes lhe estão delegados no artigo 233.º. Ele pediu-me para treinar, mas o treino é conjunto, e o artigo 233.º diz que a revisão cabe ao PR, ele pode tomar iniciativa de revisão ou a um terço dos deputados. No então, se o PR e os deputados não querem monopolizar a política e o poder político, está aí o desfio. Só pedimos a revisão deste artigo para permitir candidaturas independentes. O meu partido é Angola, e com candidaturas independentes, a gente chega lá.

O Crime — E como é que olha para o Artigo 333.º, estará a liberdade de expressão em causa em Angola?

Mbanza Hanza — Não é preciso criar leis. E depois aquela lei é cópia. Foram em Portugal, pegaram e copiaram.

O Crime — É mal copiar, ou copiar de Portugal?

Mbanza Hanza — É mal copiar. Portugal não tem nada a ver com Angola, e isso é incapacidade. Pois, precisamos criar.

Podemos nos inspirar, até porque pessoas há que são condenadas por plágio, e isso deveria contar até nestes aspectos. Porque acabamos por importar uma realidade e uma forma de pensar diferente. Não se copiam apenas as leis, pois elas estão atreladas a uma forma de pensar.

Há uma visão de mundo, que não é a de Angola. Eu lhe disse que na minha aldeia, e na Angola profunda, das aldeias, as pessoas são respeitosas, são educadas. É nas cidades onde tudo se estraga. E, para mim, problemas morais não são resolvidos com leis. Porque depois vamos ver as falhas da lei, que, aliás, é a que mais se burla. Isso consegue-se com educação.

É preciso incutir e pregar valores às pessoas, porque o próprio perfil do PR é que vai permitir com que as pessoas tenham e sintam respeito por ele. Não é a lei ou o poder do chicote do polícia, não é isso. A pessoa deve-se fazer respeitar.

O Crime — Há aqui um conflito entre a instrução e a educação?

Mbanza Hanza — Sem dúvidas. Nós pegamos muito de instrução e pouco de educação. Por que as pessoas criam “memes”? Por que as pessoas decidem gozar com o PR? Primeiro porque o poder está concentrado, e continuamos a dar a ideia de que tudo depende do Presidente da República, porque os cidadãos poderiam fazer “memes” do administrador do Cazenga, por exemplo, se ele intendesse que quem está responsabilizado pelos assuntos locais é o administrador.

Daí, novamente a luta pelas autarquias, por que isso descentraliza o poder e forma de administrar. Porque quando tu encarnas os problemas, como sendo o centro e não fazes esta distribuição, então tudo vai acabar por cair encima de ti. Até um buraco na rua o cidadão vai dizer que a culpa é do PR.

Vamos passar valores para as pessoas, começar por mudar o conteúdo dos programas que passam pela televisão. Um exemplo que eu costumo a dar e, porque constato, tem a ver com as zungueiras – que se lhes dás uma nota grande e ela não tem troco –, ela te deixa na bancada e vai à procura do troco, com a confiança de que vai encontrar o seu produto. Porque, na sua consciência, como a que eu trouxe do Milunga, sabe que nós não roubamos. Infelizmente aqui na cidade se rouba.

O Crime — Vamos falar dos eventos que se deram recentemente, mais concretamente das manifestações dos dias 24 de Outubro e 11 de Novembro. Como é que olhou para a atitude das forças de defesa e segurança e como o governo reagiu a tudo isso?

Mbanza Hanza — A Polícia Nacional tem uma tradição, tem uma história de actuação e, infelizmente, como nós não conseguimos separar, não conseguimos criar até agora um Estado onde haja efectivamente separação de poderes, onde a Polícia Nacional, enquanto órgão castrense, que esteja subordinado às ordens do comandante-em-chefe, que é o PR, obedeça às ordens emanadas deste órgão.

A Polícia é um órgão que está adjudicada à ordens supremas do PR, e se ele exarar qualquer ordem a Polícia vai cumprir. A Polícia não é um órgão que decide, que avalia.

Portanto, para mim, o julgamento que atribui à Polícia é justo e é injusto. Porque, “a Polícia é como um coconote”, tem uma envolvente e ela situa-se ao meio. E se não cumpre a ordem superior ela é punida, e se cumpre, é também punida por nós, pelas críticas e tudo mais.

A organização da Polícia passa, também pela organização do Estado como um todo. Nós temos que ter uma filosofia e uma noção do Estado que queremos. Porque a primeira prisão que permite a actuação brutal da Polícia é de que o Estado é incriticável, e ninguém pode estar contra o MPLA – porque o MPLA é o povo e o povo é o MPLA.

Mas a Polícia também integra muitos agentes que vieram da FAA, o militar não faz análise, ele cumpre. Se é bater é bater. Então, essa amálgama toda, para termos uma Polícia republicana, nós temos que ter mesmo uma República, primeiro.

Porque a Polícia não toma decisões pessoais, ela cumpre ordens. E é preciso ver a fonte de onde vêm essas ordens.

O Crime — Nos dias que antecederam o diálogo com o PR, circulou nas redes sociais uma lista de atribuição de casas, que, aparentemente, o terá colocado de costas viradas com alguns membros do grupo, particularmente o Luaty e o Nuno Dala. O que aconteceu, de concreto?

Mbanza Hanza — Primeiramente eu quero corrigir os dois nomes que citou, aliás, tenho no meu telefone as últimas conversas com estes manos e não há nenhum problema com eles. Esse processo todo é de Maio de 2019, numa reunião realizada na Casa da Juventude, em Viana, onde estiveram mais de cem jovens, de vários estratos sociais, incluindo partidárias, onde o Hanza também foi convidado.

E foi lá que eu ouvi do que se tratava, de concreto, e ouvi as questões que foram colocadas e foi isso que eu vim transmitir aos meus companheiros. No dia 24 de Maio de 2019, eu tinha uma agenda para ir ao Uíge, para uma palestra, no dia 25, eu fiz a lista às pressas e informei que a situação era essa.

Não só os grupos de jovens que tinham sido identificados, mas como as vagas estavam já pré-estabelecidas. Para organizações políticas era cerca de 25 vagas, para as organizações afiliadas ao CNJ eram 20 vagas por organização, as registadas iam ter 15 vagas, e para s organizações não associadas ao CNJ iam ter cinco vagas. A única excepção seriam os revus, que mesmo não estando registado e não associados ao CNJ, teriam 10 vagas, porque o Isaías Kalunga disse que era por causa do nosso trabalho que estávamos a discutir isso aí. Então eu vim transmitir isso aos meus companheiros, numa reunião realizada no dia 24, onde participaram 20 pessoas, e começaram a surgir aquelas discussões que estão aí nas redes. Nomeadamente de aproveitamento político, porque é o CNJ, que está muito mal conotado – que é mais uma célula do MPLA do que uma organização que lida com os problemas da juventude, uma coisa que nós temos consciência e que foi discutida, também, nessa reunião.

Agora, a questão da lista é uma tempestade que as pessoas estão a fazer em copo d’água.

O Crime — Já disse que está em condições de substituir o PR. O que é que tem gizado, se eventualmente vir a ser Presidente?

Mbanza Hanza — Primeiro é tornar a Angola um país de todos nós. Uma das minhas primeiras lutas é que transcendamos, sabes! Todos os julgamentos que fazemos hoje, está atrelado a instituição a qual nós estamos ligados.

Quando um companheiro meu me chama de traidor, quando você desce e analisa, grande parte disso deve-se a agremiação a qual nós fazemos parte e porque estabelecemos certos limites sobre que instituições e com quem não lidar. E alguns desses, senão a principal, é o MPLA e tudo que ele representa.

Se o MPLA está a cargo de Angola, então o Governo de Angola está nesse crivo. Não se analisa exactamente o acto em si, mas é tipo, se você é daqui e marca um passo, como é o caso de ir àquele encontro, com alguém que não lhe falta informação, porque o PR sabe, porque tem que nos chamar para nos ouvir? Se você rompe isso e vai, então você é traidor.

Porque você está a mostrar que estás a te aliar a ele. Mas será que estou mesmo a me aliar? E em termos de construção de país, isto é um grande problema. A oposição vai fazer a mesma coisa, qualquer militante do MPLA que se pronunciar e apoiar publicamente o Mbanza estará a mostrar deslealdade.

E isso está a destruir o nosso país, sem valores. Porque os valores que temos são das agremiações onde estamos ligados.

Quais sãos os valores da nação, onde todos nos sentimos representados? Então o Hanza é isso. É transformar o país numa macro instituição, com valores transversais, onde todos nós, independente das agremiações de onde viemos, podermos nos rever e lutar para manter estes valores, porque estarão em cima. Essa é a visão que o Hanza traz.

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