Agente viciado em dívidas: SUICIDA-SE NO INTERIOR DA ESQUADRA

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Um 2.º subchefe da Polícia Nacional afecto à esquadra dos Mulenvos colocou termo à própria vida por alegada incapacidade de restituir as altas dívidas que geraram juros. Segundo informações, o agente de 37 anos fazia desta prática o seu modo de vida, relegando a família para segundo plano. 

Engrácia Francisco 

O 2.º subchefe da Polícia Nacional, destacado na esquadra dos Mulenvos de Baixo, afecto ao Comando de Divisão Municipal de Cacuaco, Rui David Tchifundo, de 37 anos, natural da província da Huíla, suicidou-se no interior da unidade policial, por volta das 13h30 minutos de domingo último, 13 do corrente mês, usando a sua própria arma, uma ‘Mini-Uzi’, registada sob o número 39400569, com a qual efectuou dois disparos na garganta.

“Nos últimos dias apareceu aqui uma senhora a cobrar altas somas em dinheiro, nada tivemos que fazer a não ser pagar mais de 100 mil kwanzas de juros”, notou.

Segundo fontes da Polícia Nacional, à data do ocorrido, o agente apresentava comportamento suspeito, tendo os colegas vislumbrando nele bastante inquietude. Por volta do meio dia, Rui David, de quem os colegas suspeitam que tenha disparado contra si mesmo por se ver incapaz de restituir, com juros, altas dívidas, pois, segundo aqueles, o agente era viciado neste tipo de práticas, após levantar a sua arma deslocou-se até à Administração do Distrito, onde manteve contacto com um amigo, identificado por Mauro Francisco Templos, segurança da empresa ‘SIFLAJÓ’, em serviço na Administração do Distrito dos Mulenvos de Baixo, a quem o malogrado terá, eventualmente, confidenciado que não tinha intenção de regressar à casa porque tinha problemas, e que era sua vontade pôr fim à própria vida.

Após minutos de conversa com o amigo, que soara como despedida, o 2.º subchefe David Tchifundo regressou à unidade e sentado numa cadeira de plástico, de cor branca, que se achava no quintal da esquadra, apontou o cano da arma por baixo do queixo, puxou o gatilho e efectuou quatro disparos, dois dos quais perfuraram a garganta e saído na parte superior da cabeça, tendo conhecido a morte imediatamente. 

“Ele era viciado em contrair dívidas para pagar com juros”

Maria Luiza Tchifundo, irmã do malogrado confirmou ao Jornal O Crime que os colegas já haviam comentado, referindo que, desde 2015, altura em que ingressou na corporação, que adoptara este modelo de vida. “ Tornou-se um homem completamente diferente daquele que conhecíamos. A sua vida marcada por dívidas atrás de dívidas”, disse a irmã, acrescentando que, na maioria das vezes, se via incapaz de as restituir. 

A jovem segredou ainda que o agente adquirira tal prática enquanto ainda vivia no Lubango, e, que a sua principal credora, era uma funcionária do BPC. Ademais, revelou a irmã, há muito que o irmão deixou de sustentar a família, pois o salário servia sempre para liquidar dívidas. “Quase sempre faltava comida para a família em casa, porque o dinheiro estava todo hipotecado”, referiu. 

O modo de vida miserável do 2.º subchefe estava de tal maneira entranhado nas suas veias, que, quando se mudou para Luanda, continuou com a mesma prática. E, à semelhança do que ocorria na sua terra natal, já na cidade capital encontrou alguém ligado à mesma instituição bancária para continuar a financiar o seu vício. 

Aliás, lembrou Maria, não raras vezes a família teve de ser chamada a intervir sempre que o seu ente se via encurralado. “Nos últimos dias apareceu aqui uma senhora a cobrar altas somas em dinheiro, nada tivemos que fazer a não ser pagar mais de 100 mil kwanzas de juros”, notou.

De poucas palavras, a viúva do antigo agente, Cecília Sole Catengue, agora com três órfãos para cuidar sozinha, lamentou a morte miserável do então companheiro, contando que há muito que aquele se havia inclinado no álcool, esquecendo-se das suas responsabilidades para com a família.

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