Na Boa Esperança/Cacuaco: CRIANÇAS SOBREVIVENTES A ACIDENTE DE VIAÇÃO CLAMAM POR JUSTIÇA

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No mês passado, um automobilista conduzia embriagado, acabando por causar um acidente, em que morreram três crianças e deixou outras feridas. As famílias sentem-se desamparadas pela Polícia. 

Jurelma Franciso 

João de Oliveira é um menino de 10 anos, que sobreviveu a um acidente de viação, em que morreram três pessoas, no dia 04 de Junho passado. Em resultado do acidente, o rapaz fracturou a perna direita. 

No Hospital Américo Boavida, sofreu quatro intervenções cirúrgicas em dias muito próximos, mas os médicos foram obrigados a amputar o referido membro inferior.

Sem meios para obter uma prótese para o ajudar na locomoção, Gelson, como é, também, conhecido, e os seus encarregados de educação pedem responsabilização do automobilista que provocou o acidente.

Embora difícil para ele e seus tutores recordar o dia do acidente, o menino ouviu testemunhas a contar que o sinistro aconteceu por volta das 7 horas, numa altura em que se encontrava na via pública, na companhia de amigos, para depositar lixo num contentor, quando uma viatura de marca Toyota Hilux, cuja matrícula não sabem dizer, rompeu-os. 

“O motorista estava embriagado, o carro subiu à calçada e apanhou as crianças e, depois, bateu na parede de uma residência, causando três mortes e feridos”, explicou Samuel Ferreira, vizinho das vítimas, acrescendo que, só no quintal da casa onde o carro embateu, além de Gelson, duas pessoas ficaram feridas e uma morreu. 

Hoje, Gelson tem as pernas amputadas e cicatrizes nalgumas partes do corpo,  por conta do desastre que ocorreu em pleno dia do seu aniversário. Preocupado, contou-nos que, por causa do acidente, a mãe parou o trabalho que fazia para o cuidar. “Agora, vamos comer como?”, interrogou o órfão de pai há 8 anos.

“Eu preciso de uma prótese e quero voltar a estudar… Ainda sinto dores nas costas”, queixou-se, suplicando às autoridades para fazerem justiça, enquanto sua mãe, Maria de Oliveira, desabafa que não foi fácil fazer o trajecto Cacuaco-Hospital Américo Boavida, quase todos os dias, durante um mês e três dias que o menino ficou internado.

Outro ferido, vítima do acidente, é João  Sebastião, de 15 anos, que ainda se encontra engessado. Ele é irmão de Sebastião Cambundu, que não resistiu ao choque e morreu. “Nós exigimos  justiça. Não  sabemos se o acusado continua  nas mãos  das autoridades até à data presente ou se foi solto”, desconfiam os familiares das vítimas.

Para verem o processo n.° 693/21-PGR-CC célere, explicaram que lhes foi dado um advogado para acompanhar o desenrolar da situação, mas não tem muitas informações acerca.

Santos Cambundo, o pai das vítimas, afirmou que a Polícia, enquanto órgão de Direito, deve primar para que a Justiça seja feita. “O morto já não vai voltar. Nós não fizemos justiça por mãos próprias,  porque estamos  cientes  de que existe pessoas especializadas para manter a Ordem e Justiça no país”, confiou.

Acrescentou que a família do acusado prestou suporte nas despesas do óbito, com um montante de AKZ 100.000,00 (cem mil kwanzas) e outros AKZ 30.000,00 (trinta mil) para cada ferido, porém, “os nossos gastos com os óbitos e pelos feridos foram maiores. Ainda temos feito gastos para o tratamento diário”, finalizou.

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