Polícia reeducada é população protegida: PROJECTO “CRIME ZERO” AGUARDA RESPOSTA DO MININT PARA CAPACITAR EFECTIVOS COM ARTES MARCIAIS

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Após sugestão do presidente da República, a 26 de Novembro, o projecto Crime Zero, destacado por combater a criminalidade, através do ensino das artes marciais, aguarda pelo contacto do Ministério do Interior, para dotar os seus efectivos de técnicas que permitam uma actuação mais eficaz, para conter os excessos que, em muitos casos, terminam em mortes de civis.

Dumilde Fuxi

O projecto, criado pelo clube DBC Evolução, esteve em destaque durante o diálogo de João Lourenço com representantes de organizações juvenis, onde o anfitrião sugeriu ao ministro do Interior, o início da relação.

De acordo com o fundador do clube e representante ao acto, Scott Diogo, no final da actividade, o titular da pasta, Eugénio Laborinho, solicitou informações sobre o Crime Zero e recebeu o relatório de actividades. No entanto, passado mais de um mês, continua a aguardar, optimista, pelo início das relações com o MININT, acreditando na sua importância, para uma actuação policial mais proporcional e eficaz.

Sobre os excessos cometidos por agentes da Polícia Nacional, disse que, mais do que criticar, devem ser apresentadas soluções para os problemas que o país enfrenta. “A finalidade do projecto é encontrar soluções para os problemas do país, e uma delas passa pela disciplina das artes marciais, capaz de permitir a reeducação da corporação”, salientou.

Scott Diogo advertiu que não basta treinar, deve-se perceber a filosofia das artes marciais, porque nem todas elas são educadoras. “O sensei João Lourenço, como faixa preta, percebe muito bem o objectivo educacional das artes, por isso, acredito que vai envidar esforços para materializar as propostas que lhe apresentámos”, afirmou, lembrando que, mais do que alertar para a necessidade de apoios, ficou por convidar o Presidente da República a visitar o projecto. “Tenho a certeza de que irá apaixonar-se pelos atletas que temos”.

Tal ensino, acresce, devia ser ensinado, não apenas às forças castrenses, mas também nas escolas, sendo que ajuda o aluno a ganhar capacidade de concentração às aulas.

O também presidente da Associação Provincial de MMA de Luanda lamentou, por outro lado, a existência de projectos teoricamente benéficos, que recebem financiamento do Estado e, a posteriori, não implementam o que foi apresentado, desviando-se os valores para benefício próprio. “Não temos a nossa humanidade desligada, há dez anos que salvamos vidas… Não é possível que alguém receba financiamento do Estado e não ajude o povo. Nós, os cidadãos, somos as rodas para ajudar o presidente a dar um destino melhor ao nosso país”, aconselhou.

Faltam apoios para continuar a educar a sociedade

Nos seus dez anos de existência, apesar das valências que tem mostrado, o projecto Crime Zero, totalmente gratuito, além do seu fundador, ganhou apenas o apoio de mais uma pessoa, ainda insuficiente para materializar os objectivos que traçou.

Foram abrangidos, até agora, mais de 3.917 atletas, nas províncias de Luanda, Bié, Benguela, Uíge e Cuando-Cubango, com todos os custos assumidos por Scott Diogo e Carlos Fernandes, avaliados em mais de AKZ 300.000,00 (trezentos mil kwanzas), por mês.

O objectivo actual do presidente do clube detentor do projecto, explica Carlos Fernandes, é levar o projecto às 18 províncias do país, retirar jovens da criminalidade e ressocializá-los por intermédio das artes marciais, visando, desta forma, uma sociedade mais saudável.

“Em consequência do trabalho que temos realizado, apresentámos o projecto na Zâmbia e, em tempo record, conseguimos financiamento para o implementar lá, algo que será feito após as restrições impostas pela Covid-19. Temos recebido boas propostas do estrangeiro, mas nenhuma fará cessar os trabalhos em Angola”, garantiu o presidente da DBC Evolução.

No pretérito dia 12 de Dezembro, o clube DBC Evolução, detentor do projecto Crime Zero, comemorou 10 anos de existência, celebrados com uma campanha de doação de cestas básicas às famílias dos atletas, muitos deles com a situação socio-económica agravada.

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