Qual dos ‘aprendizes’ a PR escolher: JLo, sem noção, ou ACJ, o sete vidas?

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Estamos num ano decisivo e delicado para as nossas vidas. Se não taparmos o sol com a peneira, veremos que, quaisquer que sejam os resultados eleitorais, teremos um day after ( dia seguinte) algo conturbado. Nada que nos agrade, mas o ambiente neste período pré-eleitoral, com o discurso político pouco recomendável, para não falar das desigualdades no acesso aos meios públicos, assim determina. João Lourenço, Presidente da República e do MPLA, e Adalberto Costa Júnior, líder da UNITA, são os potenciais vencedores. Os outros são meros piões.

O MPLA nunca concorreu tão fragilizado, tão contestado, com o candidato rejeitado pelo eleitorado. Em sentido contrário, admitindo todos os problemas internos, a UNITA nunca concorreu tão confiante, com a juventude tão próxima, chegando a ser vista como alternativa a ter em conta, ainda que a reboque do seu líder. 

O partido no poder despertou e já não consegue disfarçar a preocupação face ao crescimento de um ‘Galo Negro’ já sem o domesticado Isaías Samakuva. É natural, pois, que muitos se questionem sobre o crescimento da UNITA, um crescimento, passe a analogia, a velocidade da luz. 

Vários analistas acham que João Lourenço pode ter sido o grande mentor do crescimento da UNITA, com políticas públicas que só fragilizaram o seu partido em 5 anos de mandato, surgindo à cabeça o desastroso combate à corrupção. Enquanto isso, os maninhos cresciam.

Há quem defenda, no entanto, que a UNITA não está forte, argumentando que é o MPLA que está fraco.

João Lourenço, o sem noção 

 O actual Presidente da República tinha tudo para entrar na história do país como o melhor líder político, fazendo o óbvio. Tão simples quanto isso.

Tinha de satisfazer os anseios deste povo que hoje sente os efeitos da fome, o fenómeno que está na base do aumento da criminalidade e da prostituição. O facto de ter visto a fome como algo relativo, quando até se pedia a declaração de Estado de Emergência, ‘rebentou’ com João Lourenço, líder de um Executivo que levou à Assembleia Nacional um orçamento (2022) com a dívida pública como prioridade.

Não consegue garantir um sistema de saúde funcional, sendo, segundo um relatório da OMS e do Banco Mundial, o pior em termos de cobertura de serviços básicos entre os países lusófonos.

A educação é um caos, com crianças sem escolas, debaixo de árvores e sentadas em latas e pedras, em pleno século XXI.

Estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância dão conta que Angola tem mais de dois milhões de crianças em idade escolar mas que não beneficiam do direito à Educação.

Diante de problemas bicudos, João Lourenço continua a dar mostras de um líder vingativo e confuso, transportando insegurança para o eleitorado. Ao longo de cinco anos, lamentavelmente, funcionou como aprendiz de presidente. 

Adalberto Costa, o ‘sete vidas’

Para muitos politólogos, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, é um político sortudo, que soma e segue sem ter de mover muita palha, tirando proveito da ‘ingenuidade e casmurrice’ do presidente do MPLA.

Em alguns círculos impera o sentimento de que Adalberto ainda não fez nada de extraordinário.

Dá primazia à sua defesa perante os ataques que são conhecidos, quando, apesar do bloqueio na mídia pública e não só, é simplesmente um ‘sete vidas’, dada a sua resistência e persistência.

Formado em Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior de Engenharia do Porto e em Ética pública na Pontifícia Universidade Gregoriana, chegou à política muito jovem. Tem cartão de militante da UNITA desde 1975, tendo abraçado o partido fundado por Jonas Savimbi por influência familiar. Muitos acontecimentos reforçaram as suas convicções.

Adalberto está tão confiante que, aos quatro ventos, diz com fortes convicções que “nos dão força e garantia de que vamos vencer, vamos chegar lá e vamos ganhar, e quem está cansado vai mesmo para casa cuidar dos netos e vamos fazê-lo por via democrática, não há outra via”. 

O presidente da UNITA chegou ao ponto de desafiar o chefe de Estado angolano, João Lourenço, para um debate sobre os grandes desafios do país em ano eleitoral e disse que o programa de diversificação da economia é uma utopia, um fracasso.

Só faz isso quem vê fraqueza no adversário…

 

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