Dinheiro da casa de segurança do Presidente da República usado para financiar campanhas eleitorais do MPLA

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Embora não tenha apresentado provas, e o tribunal também não o ter pedido, o oficial Jacinto Engombe, antigo assistente principal da secretária-geral da então Casa de Segurança, designada, hoje, Casa Militar do Presidente da República, um dos 49 réus deste mediático caso, surpreendeu a todos com graves acusações contra a Unidade da Guarda Presidencial (UGP), em audiência de julgamento quando decorria o seu interrogatório na instância do tribunal. Dizendo que daquele órgão, ou seja, a Guarda Presidencial financiava as campanhas eleitorais do MPLA que culminou na reeleição do falecido presidente José Eduardo dos Santos, e também na eleição de João Lourenço, isto nos anos 2008, 2012 e 2017. Acrescentando, ainda, que a UGP terá usado o fundo operativo para subornar militantes da UNITA na Jamba, Mavinga, Cuando Cubango, assim como na província do Bié para que ficassem em contradição com as direcções deles.

Felicidade Kauanda

“Na Casa de Segurança do Presidente, para além dos valores destinados para os vencimentos e salários, haviam também despesas operativas e esses valores todos passavam pela UGP. Eu recebia ordem de ir buscar os valores para as despesas operativas que eram para apoiar a campanha eleitoral do MPLA e do presidente José Eduardo dos Santos, nas eleições de 2008, 2012 e para o presidente João Lourenço em 2017. Esse dinheiro vinha em forma de salário na Unidade da Guarda Presidencial, para uso exclusivo da logística do MPLA. Nós usávamos o dinheiro nos comícios, mobilização de militantes que resultaram na vitória do MPLA”, afirmou o réu Jacinto Engombe.
Entretanto, ao lhe ser questionado se era da competência da Casa de Segurança do Presidente apoiar as eleições do MPLA e do seu líder, respondeu que tal questão caberia somente a direcção da Casa de Segurança. Por outro lado, acrescentou “quem assinava os planos de pagamentos das unidades dependentes e independentes eram os generais Manuel Hélder Viera Dias ou simplesmente Kopelipa e o seu adjunto Sequeira João Lourenço. Eu apenas assinava quando o secretário geral estivesse ausente, mas antes chamavam-me ao gabinete para me autorizarem porque o chefe tinha muito expediente”, assegurando que estes citados podem esclarecer se o tribunal entender os chamar.
Na sequência, seguiu dizendo “assinei durante muitos anos as folhas de salários a mando do meu superior porque apenas recebia ordens um coronel não pode questionar nem negar ordem do general. Mas não era eu quem fazia pagamentos da banda de música da Casa de Segurança e não tinha competência para autorização financeira na Casa de Segurança”, avançou.
“Da Casa do Presidente da República também saía dinheiro para o Gabinete de Realização da Comunicação Institucional e Marketing da Administração, gerido pelo antigo ministro da Comunicação social, Manuel Rabelais exonerado com a chegada de João Lourenço na presidência
Jacinto Engombe, disse ainda nunca ter visto o ministro das Finanças fazer auditoria na Casa de Segurança do Presidente da República.
Por outro lado, afirmou que caberia à área de pessoal e quadro das Forças Armadas a retirada dos nomes dos militares falecidos nas folhas de salário. Todavia, frisou não saber porque o seu nome aparece na lista de beneficiários do dinheiro fraudulento da UGP.
Porém, dos 49 réus, já foram ouvidos cerca de vinte implicados em vários crimes como associação criminosa, recebimento de Vantagens, peculato, abuso de poder, branqueamento de capital e outros. A audiência continua na sala de conferências de Talatona, através do Tribunal da Comarca de Luanda, sob condução do juiz de direito Andrade da Silva.

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