SEXOPATA LIBERTO PELA PGR ESTUPRA MENOR DE 4 ANOS ATÉ A MORTE

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Tanto quanto apurou o jornal O Crime, Nilson Marcos dos Santos, de 33 anos, tem, no seu currículo, vários crimes de violação sexual e estupro, sendo que dois terminaram em morte e que, por via disto, acabou detido e, posteriormente, colocado em liberdade pela PGR. Na passada sexta-feira, 11, no Zango-3, o sexopata estuprou uma menina, de apenas quatro anos de idade, que veio a falecer em consequência do acto.

Por: Costa Kilunda

Segundo uma fonte do Comando de Divisão da Polícia de Viana, contactado pela nossa reportagem, o acusado de pedofilia e homicídio já se encontra sob custódia naquela unidade. Apesar de ter no sobrenome o adjectivo “Santo”, os seus actos não fazem jus ao nome e, talvez por isso, tenha trocado para “Paizinho”, como é conhecido no Zango-3.

Há até quem diga que preteriu do verdadeiro nome quando descobriu que tinha as autoridades à sua coca. “Não o conhecemos tão bem, mas sabemos que é um indivíduo proveniente do município do Cazenga, donde terá fugido por causa dos crimes de violação sexual contra menores que praticou por lá”, explicou Alberto Malango Bungo, padrinho da vítima, acrescentando que o malandro teria, inicialmente, se instalado no Zango-4, onde também cometeu crimes da mesma natureza, antes de encontrar domicílio no Zango-3, com o nome de Paizinho.

De acordo com o padrinho da vítima, o jovem é, também, acusado de violar a própria mãe, pouco tempo depois de dar à luz a um dos seus irmãos. “A infeliz acabou morrendo por desespero e trauma”, disse.

Num áudio a que o Jornal O Crime teve acesso, em sede de interrogatório, no SIC-Viana, Nilson dos Santos confessou o crime e atirou culpas ao álcool, dizendo que estava embriagado quando o cometeu. Descreveu que levou a menor para uma obra inacabada, onde a despiu e depois consumou o coito. Depois de satisfeito, refere no áudio, deixou a vítima num lugar em que pudesse ser avistada por quem ali passasse.

Todavia, as autoridades não puderam clarificar se a menor perdeu a vida durante os abusos ou depois de o domador a ter abandonado. Certo é que o acusado admitiu a autoria do crime e disse estar arrependido pelo sucedido.

Ademais, aos investigadores do Serviço de Investigação Criminal, em Viana, explicou que não é a primeira em que se vê envolvido num caso do gênero, sendo que em outra ocasião também havia sido detido, mas depois acabou por ser colocado em liberdade por um procurador, em circunstâncias que não soube precisar.

Por fim, ele que também é pai de duas filhas menores, de três e 1 ano, pediu perdão à família da menor e à sociedade em geral.

“SIC ignora provas do crime”

No entender dos familiares da menor, e até de alguns vizinhos, o SIC “desvalorizou várias evidências que poderiam ajudar nas investigações e levar ao esclarecimento das circunstâncias em que se deu o crime”. Para eles, que dizem ter levado os investigadores junto do local onde, supostamente, ocorreu o crime, estes limitaram-se a ver o espaço sem que, no entanto, procedessem à recolha de eventuais elementos probatórios.

“Os investigadores deixaram no local a roupa interior da vítima, bem como um saco, contendo sangue, supostamente da vítima”, afirmou Alberto Bungo, acrescentando que, cerca de uma semana depois, isto no dia 17 do mês em curso, depois de proceder-se à detenção do alegado sexopata, os efectivos do SIC orientaram os familiares da menor a levarem os referidos “elementos de prova”, a fim de serem examinados. “Que tipo de investigação é essa?”, questiona o padrinho, para depois indagar ao repórter “com que possíveis provas eles (o SIC) trabalhariam, se, eventualmente, não tivessem detido o cidadão?”

Em declarações a este Jornal, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia em Luanda, Inspector-chefe Nestor Goubel, afirmou que o sujeito foi capturado graças a uma operação conjunta entre as forças da Ordem e o SIC. O acusado, segundo o oficial, encontra-se detido no Comando de Divisão da Polícia de Viana, podendo vir a ser transferido para o estabelecimento penitenciário de Viana nos dias seguintes. Nestor Goubel referiu, também, que já foi instaurado competente procedimento criminal, acoberto do processo-crime n.º 16827/20, do qual é acusado o cidadão Nilson Marco dos Santos, do crime de estupro concorrido com homicídio, previsto e punível pelo Código Penal angolano.

Casa do alegado agressor vandalizada

Depois de ser conhecido o rosto e o nome do suposto autor do crime, alguns vizinhos da família da vítima invadiram a residência onde aquele residia com a família. Na sequência da invasão, fez saber o pai da menor, uma garrafa com sangue no interior foi encontrada no quarto do acusado. “Ninguém sabe se é ou não da falecida, mas achamos conveniente entregá-la às autoridades, para ser examinado e, se possível, descobrir a quem pertence”, afirmou Lubembi Panzo.

Entretanto, por ainda acreditar no sistema judicial angolano, o interlocutor implora que se faça justiça, a fim de se evitar que outras crianças venham a ter o mesmo fim. Por último, o homem agradeceu pelo empenho do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e da PNA, que culminou com a detenção do indivíduo, mas sublinhou que, se fosse ele a encontrá-lo, o mataria.

Como tudo aconteceu…

Era sexta-feira, 11 do mês passado, por volta das 20 horas, no bairro Cajueiros, Zango 3, quando o alegado sexopata teria encontrado a menor junto da casa onde vivia com os pais, e a terá atraído até ao local onde, supostamente, perpetrou o crime.

Depois  de tomar conhecimento do que havia sucedido com a filha, Lubembi Panzo, a mãe, contou que encontrou a sua pequena sentada, ainda em vida, tendo, de imediato, a levado para um posto de saúde local. Dado o quadro crítico que a menor apresentava, foram aconselhados a transferi-la para um hospital de referência, sendo que a levaram para o hospital Josina Machel, onde a menor foi submetida a uma intervenção cirúrgica. Apesar da cirurgia, que aparentemente tinha sido um êxito, a menor veio a falecer na madrugada de domingo, 13.

Lubembi Panzo contou ao O Crime que, no fatídico dia, ainda avistou-se com o carrasco da filha à porta de casa, mas estava longe de pensar que tal acto havia sido perpetrado por aquele vizinho. “Ainda lhe dei produtos da minha bancada, porque era hábito ele fazer kilapi”.

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