“SE NÃO VENCER PELO TALENTO, VENÇA PELO ESFORÇO”

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Alguém já ouviu o ditado “ver oportunidade na dificuldade”? pois é, poucos acreditariam que Marleyh Selo, hoje consultora de imagem e etiqueta, escritora, apresentadora, formadora e bra fitting, usou desta frase para “voar” em seus sonhos.

Por: Honorina Kiampava

Jovem angolana, dona de uma beleza incomparável, simples, simpática e rigorosa com aquilo que faz, conta-nos que o sonho de entrar no mundo da moda começou de uma dificuldade financeira, que teve há alguns anos, quando começou a fazer o curso de Jornalismo, ou seja, não tinha apenas dificuldades por não poder pagar as contas, mas também por ter pouca roupa para ir às aulas todos os dias.

Foi assim que começou a vender roupa e descobriu que “com aquilo que passei, vi que para vestir bem não é necessário ter muita roupa, mas sim saber enquadrar cada roupa a uma determinada ocasião”.

Daí, Marleyh Selo ganhou gosto pela moda e decidiu enveredar por esta área. Porém, se deparou com a dificuldade de, no país, não haver uma escola com tal especialidade, pois não queria ficar pelo simples gosto.

Entretanto, contra um mar de impossibilidades, correu atrás, até que conseguiu viajar para Brasil e Portugal, nas respectivas faculdades de artes, onde teve a oportunidade de conhecer figuras exuberantes do mundo em que se encontra, tendo o privilégio de ser aluna de Danielle Ferraz (professora de moda, consultora de imagem, escritora brasileira que trabalha em França), Tita Diak (professora de moda, consultora de imagem no Brasil com mais de 30 anos de carreira).

Com particular admiração pelo trabalho de Beatriz Frank e Juddy da Conceição, a nível nacional, Selo nos conta que o seu trabalho tem sido bem recebido, contando com uma clientela composta, em 73 por cento, de pessoas entre os 25 a 55 anos de idade, incidindo, maioritariamente, dada a sua linha, aos de 45.

Ainda dentro do seu leque de admirações, a jovem observa tanto trabalhos masculinos, como os de Tekassala, que considera possuir projectos e criações de grande qualidade, quanto femininos, destacando a marca Regard Moin e o desempenho de Soraia da Piedade, sem deixar de ver a nova geração, como é o caso de Afonso Cabral. “Há muitas marcas a fazerem coisas boas, como a Ava, que se dedica à área de casamento, o atelier Will Tick, com designs pomposos, diferentes e actuais”, sublinha.

Nos seus 4 anos em moda e 12 em vendas, revela que, diferente dos demais, que tendem a focar-se na venda, “o meu objectivo principal é agregar conhecimentos para pessoas, é transformar vidas, ensinar as pessoas a serem, antes de decidirem o que vestir”.

A artista conta-nos que, nas circunstâncias em que o mundo se encontra, tem sido difícil levar adiante diversos projectos, principalmente quando esses necessitam da participação activa da população, pelo que, apela “é muito importante que as pessoas tenham a capacidade de se adaptar e a Covid-19 veio nos mostrar precisamente isso, que é necessário ter esta capacidade de nos acostumarmos com diferentes situações. É um desafio bastante grande, mas que trará também muitos benefícios”.

Para ela, no mercado angolano há ainda uma necessidade de se fazer grandes investimentos na área da indústria, para se ter uma produção massiva. “90 ou 95 por cento das pessoas que possuem uma marca ou representam marcas ainda importam quase tudo o que vendem, e há aqui um desafio muito grande por parte dos estilistas, designers de moda, no sentido de poderem criar condições de a gente ter uma produção interna ao nível de outras geografias”.

Maiores realizações

Fora da consultoria, Marleyh Selo é uma jovem apaixonada pela vida, gosta de escrever e adora desafios. Já está com dois livros no mercado, nomeadamente, “O brio na malha e a filosofia da auto-aceitação” e “O poder do auto-conhecimento e a beleza de seres tu mesma”.

Selo partilha connosco que um dos melhores momentos que teve, enquanto artista, foi o lançamento da primeira obra, “O brio na malha e a filosofia da auto- aceitação”, primeiro livro em Angola que fala sobre moda, bem como de etiquetas, tendo sido escolhido como o livro do mês, em dois meses consecutivos, em 2019, pela revista África 21. Lançado em directo, confessa “Ainda não há um momento que venha a superar este!”.

Outro momento alto foi quando recebeu o convite de uma televisão brasileira para gravar entrevistas sobre determinados temas. Para o futuro, espera, ansiosa, pelos dias 08, 09 e 10 de Outubro, pois, dará uma formação, juntamente com a presidente de consultoria de imagem do Brasil, pelo que a faz expressar, de bom tom, “de coisas positivas, a minha vida está recheada!”.

Apesar de estar directamente ligada à confecção de roupas íntimas, a artista está a aprender a desenhar para, futuramente, ter uma linha desenhada por si.

Sobre a conciliação da sua vida pessoal com a profissional, recorre sempre aos alarmes e às agendas, que a ajudam a manter uma rotina devidamente organizada. Marleyh entende que, por todos os dias nascerem profissionais de diferentes áreas, uma das formas de actualizar os projectos é sempre observando o trabalho dos outros e fazer o que ainda não se fez. “ Isto quer dizer, trabalhar nas horas em que todos estão a dormir e dormir quando tiveres certeza de que tudo está pronto”.

 “Se não vencer pelo talento, vença pelo esforço. Às vezes, as pessoas se aprisionam no talento e à espera de uma oportunidade. Provavelmente a forma de alguém poder brilhar é arranjar forma de as pessoas saberem daquilo que faz. Hoje há diferentes formas de mostrar trabalho, desde às redes sociais, publicar artigos…”, teceu.

Hoje, Marleyh é solicitada para inúmeras funções, desde assessora de imagem e comunicação, figurinista, orientadora de vestuário e significado das cores à personal shopper.

Se reinventar é tudo o que Marleyh aconselha. “Não fazer o comum, assim o mercado não cai na mesmice. A diferença acaba sempre por se destacar, atrai mais público e desperta o interesse de muitos”.

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