Em Cabinda: Presidente vaiado por mentir

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O Presidente da República, João Lourenço, trabalhou em Cabinda durante três dias, no entanto, a sua estada naquela província, foi marcada com vários episódios, desde detenções de membros da CASA-CE, ameaças de movimentos separatistas da Frente de Libertação do Enclave (FLEC) e cidadãos obrigados a estarem presentes nos locais onde JLo passaria, bem como no acto de massas.

Simão Futi, correspondente em Cabinda

João Lourenço, nos três dias de visita efectuada à província de Cabinda, dedicou dois dias como Chefe de Estado e um como presidente do seu partido MPLA. 

A referida visita anteriormente estava agendada para Agosto do ano passado, mas foi cancelada, sem serem divulgadas, na altura, as razões.

Entretanto, quase um ano depois, durante o seu discurso no estádio do Tafe, nas vestes de líder do MPLA, João Lourenço, afirmou que encontrou uma província em ”franco desenvolvimento“, elogiando o facto das ruas asfaltadas não ter encontrado nenhum buraco, e uma cidade de Cabinda bonita. 

Porém, essas palavras não caíram bem para muitos dos presentes, onde se escutava alguns apupos, enquanto faziam um sinal de negação, expressando discordância com o presidente da República que, a todo custo, tenta conquistar o seu segundo mandato.

Em relação aos projectos de impacto socio-económico em curso na província, destacou a conclusão da refinaria, que deve entrar em funcionamento ainda este ano, com uma produção diária estimada em 30 mil barris/dia. Em contrapartida, há muito cepticismo na parte do povo, que consideram ser mais uma promessa eleitoralista.

Por conta disso, os partidos políticos na oposição consideram que a visita que João Lourenço a Cabinda não houve qualquer sucesso porque era mais uma visita de passeio, que não serviu para resolver os problemas que afligem as populações

A actual situação que se encontra a província preocupa a oposição, desde os ”excessos de despedimentos na empresa petrolífera CHEVRON, onde os expatriados, fazem e desfazem, a situação da fome e pobreza, conflito armado em Cabinda, a falta de transparência e promessas irrealizáveis”.

O líder da UNITA (União para Independência Total de Angola), José de Gringo Júnior Lembe, disse que em momento algum, João Lourenço,” foi aceite pela população de Cabinda, por isso teve o insucesso, porque os Cabindenses, antecipadamente, fizeram apelos de boicote. ”

Enquanto o PR finge não ver: 

O povo sofre com a extrema miséria

E o presidente da CASA-CE, Manuel Fernandes, em trabalho político partidário, em Cabinda, visitou algumas infra-estruturas gigantesca, como o Porto do Cais de águas profundas, e Campus Universitário 11 de Novembro, refinaria de Cabinda, mostrou-se insatisfeito com a morosidade que se assiste na conclusão dessas obras, onde muitas delas já levam mais de sete anos, ficando apenas nas promessas.

Os mais de 20 mil habitantes do município de Belize, em Cabinda, continuam a clamar pela instalação de uma agência bancária naquela municipalidade, fenómeno que expõe o estado de abandono do município e o nível de pobreza da sua população.

Em relação a situação social, económica e política em Cabinda, muitos cidadãos consideram ser eleitoralistas as inaugurações e promessas feitas pelo João Lourenço em Cabinda, uma atitude reiterada, que longe de remover a pobreza extrema no seio das famílias Cabindenses, até porque a província continua ser um canteiro de obras intermináveis.

Entretanto, nas deslocações do líder do MPLA no estádio do Tafe, onde decorreu o comício, houve muita presença de alunos e funcionários públicos. Os mesmos, no entanto, denunciaram que foram obrigados a fazerem presentes, e quem não cumprisse, seria punido.

A situação política e militar em Cabinda ainda inspira bastante atenção. E por conta disso, os partidos da oposição em Cabinda entendem que o MPLA devia prestar maior atenção, porque foi esse movimento que negociou sobre a situação da Paz e não a Nação Angolana. Entretanto, em momento algum, João Lourenço mencionou a situação de Cabinda. Para muitos Cabindenses era esperado ver o Presidente João Lourenço pôr à mesa as conversações sobre a situação dos alegados ataques reivindicados pela FLEC, para se evitar mais mortes no interior.

Neste enclave, rico em petróleo, permanecem activos movimentos separatistas que reivindicam a autodeterminação da região.

 

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