Manifestações na França contra racismo policial completam 1 semana

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As manifestações iniciaram na terça-feira da semana passada (27), após a morte de Nahel, um jovem de 17 anos atingido por um tiro à queima-roupa de um policial durante uma operação de controle de trânsito no subúrbio de Paris.

 Fonte: g1 

As forças de segurança da França anunciaram que prenderam 72 pessoas na segunda-feira (3) à noite e na madrugada de terça-feira. A quantidade de presos confirma uma queda nos protestos uma semana após o início da revolta nas ruas. 

Nos primeiros três dias de manifestações, mais de 800 pessoas foram detidas. Para conter as manifestações, o governo da França disse que estuda declarar estado de emergência no país inteiro por conta do caráter violento dos protestos.

O balanço divulgado pelo Ministério do Interior também aponta que 24 edifícios foram danificados, 159 veículos queimados e foram registrados 202 pontos de incêndio nas ruas durante a sétima noite de violência. Nenhum policial ficou ferido. 

As manifestações explodiram na terça-feira da semana passada, após a morte de Nahel, um jovem de 17 anos atingido por um tiro à queima-roupa de um policial durante uma operação de controle de trânsito no subúrbio de Paris. 

Um vídeo (veja abaixo) mostrou como os policiais o abordaram com armas e, segundos depois, como o jovem acelerou o carro. Um dos oficiais então disparou, e Nahel morreu horas depois pelos ferimentos da bala, que atingiram seu tórax.

A tragédia provocou uma onda de atos na França, em particular na periferia da capital, que perdeu força nos últimos dias, após os apelos de calma e a mobilização de 45 mil integrantes das forças de segurança pela terceira noite consecutiva. 

Nahel era filho de uma mãe argelina e pai marroquino, e fazia parte da chamada segunda geração – jovens de pais imigrantes, mas que nasceram na França, em maioria de classe média baixa e que, muitas vezes, vivem em um hiato entre a sociedade em que nasceram e o país de origem de seus país. 

Casos desse tipo não são incomuns na França – desde 2022, 13 pessoas morreram em abordagens similares na periferia de Paris, segundo a Promotoria da cidade. 

Manifestações mais calmas

Com a situação a caminho de um apaziguamento, o presidente Emmanuel Macron tentará “compreender as causas que provocaram os atos” durante uma reunião nesta terça-feira com os prefeitos de 220 localidades afetadas pelos distúrbios, informou seu gabinete. 

A violência na França, que será a sede este ano do Mundial de Rúgbi e receberá os Jogos Olímpicos em 2024, provocou grande preocupação na comunidade internacional. A ONU pediu ao país que aborde o “profundo problema do racismo” na polícia. 

A violência e a revolta dos jovens nos bairros populares recordam os distúrbios que abalaram o país em 2005, depois que dois adolescentes morreram eletrocutados quando fugiam da polícia em um bairro do subúrbio de Paris.

Violência policial 

Organizações Não Governamentais como a Human Rights Watch vêm denunciando que o comportamento da polícia com jovens da periferia parisiense só vem piorando, e que não há qualquer tipo de treinamento. 

Em 2005, um caso marcou o país, e o governo à época prometeu mudar essa situação. Naquele ano, dois adolescentes negros e também filhos de pais africanos morreram eletrocutados quando fugiam da polícia em Clichy-sous-Bois, ao noroeste da capital francesa. 

O governo do então presidente, o conservador Jacques Chirac, decretou estado de emergência, pela primeira vez na França metropolitana. Ele prometeu revisar a abordagem dos policiais, mas os dois oficiais envolvidos no caso acabaram absolvidos dez anos depois. 

Algumas decisões judiciais também têm indicado um retrocesso na nova política de integração. Na quinta-feira (29), por exemplo, a Justiça francesa manteve uma decisão de vetar o uso do hijab em jogos de futebol feminino. O caso havia suscitado amplos debates políticos no país. 

Christophe Galtier é detido na França após acusação de racismo

Treinador do PSG é acusado de racismo quando ainda treinava o Nice, da França.

Fonte: :Esporte News Mundo

O técnico Christophe Galtier, do Paris Saint-Germain, foi detido pela polícia francesa nesta sexta-feira (30) após acusações de racismo. De acordo com o Ministério Público de Nice, o treinador francês está prestando depoimentos à polícia ao lado de seu filho, John Valovic. As acusações de racismo contra Galtier são referentes à supostas falas que o treinador teria dito durante a temporada 2021/22, quando era treinador do Nice.

As denúncias contra o atual técnico do Paris Saint-Germain vieram de Julien Fournier, ex-diretor do Nice. O profissional afirmou que Galtier sempre reclamou da quantidade de jogadores negros e muçulmanos no Nice, afirmando que não correspondia com a realidade da cidade francesa. Galtier também teria tido outras falas discriminatórias.

As primeiras denúncias feitas por Julien Fournier foram enviadas à “RMC Sport”, mas logo o Ministério Pública do França assumiu o caso e iniciou as investigações contra Galtier. Alguns ex-jogadores e dirigentes do Nice também foram convocados para prestarem esclarecimentos a respeito do assunto.

De acordo com o desenrolar das investigações do Ministério Público da França, Galtier pode até mesmo ser preso. No entanto, os casos de racismo contra o treinador precisarão ser provados.

Galtier não vai permanecer no PSG para a próxima temporada do futebol europeu, uma vez que o clube já havia comunicado que não vai contar com o técnico, apesar do contrato assinado entre as partes. A diretoria do PSG está em busca de um novo treinador e nome mais falado do momento é o do espanhol Luis Enrique, que treinou a seleção da Espanha na Copa do Mundo do Qatar.

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