Não era para ser assim: ANTIGO COMBATENTE ENFRENTA BATALHA CONTRA FOME

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A pobreza é uma realidade insofismável no país. Incontáveis são as histórias de famílias que, para sobrevivência, fazem escolhas sobre os dias que vão comer e os que vão aguentar os ruídos do estômago.

Jaime Tabo

No dia 4 do mês corrente, ‘O Crime’ esteve no bairro Kalawenda, sito no município do Cazenga, onde encontramos Manuel José, 54 anos, antigo combatente que, agora, combate, dia após dia, contra a fome que não raras vezes é morta apenas no final de cada 24 horas, isso, caso a esposa consiga vender algumas embalagens de água, no mercado das Bananeiras.
A cada dia, um número considerável de cidadãos luta apenas pelo que comer, mas, há aqueles que, longe da sua vontade, têm mesmo de passar dias sem alimentar o organismo ou fazê-lo comendo miséria, para não morrer. Eram 11 horas, e Manuel, com os lábios secos, confessava não ter comido nada naquele dia de sol ardente.
Depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), o cidadão vive adoentado, no entanto, sente que a situação actual do país, nos últimos quatro anos, é de lamentar, pois, a vida piorou de tal forma que nem dinheiro para um pacote de massa alimentar por vezes têm, aliás, a família depende da esposa que vende água fresca, embalada em casa, ao custo de 20 kwanzas por cada. “A vida estava melhor durante a governação do antigo presidente, José Eduardo dos Santos”, disse.
Nem sempre o negócio precário da esposa rende o suficiente para comerem, facto que os leva à dependência das ajudas de vizinhos solidários que têm um pouco mais. Conforme este ancião, agora está tudo mal, “hoje já não se consegue jantar com 500 kwanzas, como nos anos passados”.
Por conta dessa situação, não espera muito pela vida, senão, igual a história bíblica da viúva de Sarepta, “esperar o dia em que toda alimentação acabe e, consequentemente, morrer, deixando para sempre o solo angolano e os tristes dias”.
Questionado sobre o paradeiro dos filhos, prefere não pensar nisso. No entanto, com lágrimas nos olhos, conta que nenhum deles trabalha e que, para piorar a sua dor, os esposos das filhas também estão desempregados.
As adversidades que a vida em Angola impõesdesenvolvem nele um sentimento de cepticismo, de modo que não tem muita fé se as coisas no país ainda possam melhorar, “só Deus”, falou com alma. “Com este presidente, está dificil, é melhor que venha um outro e tente nos salvar”, sugeriu.
Para ele, apesar de ser um veterano da pátria e não receber nada do Governo pelos préstimos à Nação, alimentação e uma casa condigna são o suficiente para que se sinta recompesado. Depois de espalhar documentos em várias instituições do Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, mas nada fazer alguma diferença, hoje a vida desse ancião é um genuíno calvário.

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