No Hoji-Ya-Henda: MULHER JOGA ÁGUA DE BATERIA NOS OLHOS E ÓRGÃOS GENITAIS DO MARIDO

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O crime, que quase pôs fim à vida de Paulo António Makuta, de 35 anos, aconteceu no passado dia 19 de Abril, no bairro Hoji-Ya-Henda, rua da Mãe Preta, e teve a esposa do infeliz como protagonista. Segundo declarações do próprio a este jornal, o acto foi o culminar de uma série de agressões físicas e verbais que há cerca de dois anos tem sido vítima.

Maiomona Paxe

A«tentativa de homicídio e lesão corporal», tal como classificou o procurador junto do Comando Municipal da Polícia do Cazenga, instruído sob o processo-crime número 3878/021-CZ, do qual é a acusada a jovem Patrícia Kinavuidi, de 19 anos, ocorreu na madrugada de 19 de Abril passado, “colocando fim” a uma relação de cerca de dois anos, marcada por agressões físicas e verbais, constantes, contra a vítima.
Paulo António Makuta, de 35 anos, encontra-se agora a recuperar no hospital especializado Neves Bendinha, de queimaduras do primeiro grau, nos olhos e órgãos genitais, tal como informou ao Jornal O Crime a enfermeira Cidália Will, que assistiu o paciente, devendo vir a receber alta nos próximos dias.
Na noite do incidente, por volta de uma hora da madrugada, segundo declarações da própria vítima, estando ele em sono profundo, foi surpreendido pela esposa, que o atirou electrólito (água de bateria) no rosto e nos órgãos genitais. Em princípio, disse “Tony Makuta”, pensou que eram bandidos tentando assaltar a sua residência.
“Só que não. Afinal era mesmo a minha esposa, que a seguir bateu-me com «mexerico» e comecei logo a gritar por socorro”, contou o jovem, lembrando que na ocasião ninguém saiu em sua defesa. Acto contínuo, elucidou, Patrícia Kinanvuidi, a esposa, que parecia disposta “a acabar consigo”, segurou no espelho, que se achava junto à cabeceira da cama, embateu-o no rosto e, de seguida, apertou-lhe os testículos.
“Até a este momento continuava sem saber quem de facto estava a agredir-me, pois, tinha o rosto a arder com a água de bateria que havia jogado em mim”, revelou Makuta, para depois dizer que apenas soube que se tratava da sua própria esposa quando conseguiu agarrá-la pela cabeça e sentiu o cabelo longo da moça. Ademais, continuou, perguntou se era a Patrícia, sua mulher, e esta respondeu positivamente, acrescentando que o iria matar.
“Neste momento segurei-a firmemente, e voltei a clamar por socorro, dessa vez fi-lo mais alto, e os vizinhos apareceram e intervieram”, explicou, lembrando que a jovem ainda tentou escapar, mas foi impedida pelos vizinhos que a levaram à unidade policial local.
Ao aperceberem-se do seu estado, disse, os vizinhos levaram-no, às pressas, até ao hospital do Prenda, onde recebeu os primeiros cuidados e, posteriormente, transferido para o hospital especializado Neves Bendinha, no distrito do Zango, em Viana.
Após a detenção de Patrícia Kinanvuidi, na unidade policial do Hoji-Ya-Henda, e, posteriormente, transferida para o Comando Municipal da Polícia do Cazenga, a jovem foi presente ao procurador junto daquela unidade, que, depois de a ouvir, em interrogatório, o magistrado do Ministério Público ordenou a sua manutenção sob custódia, tendo esta sido transferida para a comarca de Viana, no dia 22 de Abril, quinta-feira.

“Tony Makuta” perdoa esposa
E clama pela libertação da mesma

No entanto, apesar de o relacionamento entre Paulo António Makuta e Patrícia Kinanvuidi estar distante de ser um romance como que de “Romeu e Julieta”, já que os cerca de dois anos de convivência foram marcados mais por actos de violência doméstica, tendo sido ele, “Tony Makuta”, a vítima na maior parte das vezes, segundo declarações do mesmo, entretanto, diz não estar com raiva da esposa, que a perdoa por este acto, e mais, apela pela libertação da jovem.
“Ela não pode ser presa, tem de ser perdoada”, afirma o jovem, para quem o que aconteceu deve ser visto como “maka de amor”.
“Eu sei que ela queria matar-me”, reconhece, “mas Deus é grande, não permitiu que isso acontecesse, por isso eu a perdoo”, garantiu.

A história por detrás do crime

O caso que chocou os moradores do Hoji-Ya-Henda, mais a mais pela frieza com que foi executado, remonta do princípio da relação.
Paulo António Makuta, ou “Tony Makuta”, como é vulgarmente tratado, revelou que vem sofrendo violência doméstica desde o início da relação, mas que nunca ponderou pôr fim no conturbado romance por acreditar numa possível mudança de atitude por parte da parceira e, sobretudo, no amor que nutria por esta.
Sem filhos e sem casa própria, os cerca de dois anos de convivência foram repartidos por mais de dois bairros. Antes mesmo de fixarem residência no Hoji-Ya-Henda, o casal morava no Golf 2, município do Kilamba Kiaxi, tendo sido daí que surgiu o primeiro golpe violento.
Conta “Tony”, num dia, do qual já não se recorda a data, a esposa chegou a esfaqueá-lo e atirado panelas e pratos de vidro contra si. “Foi no calor de uma briga que tivemos e, de repente, ela pegou numa faca e cravou nas minhas costelas”, contou, para mais adiante dizer que até os vizinhos que vieram acudir não foram poupados.
Um outro episódio, do qual também se recorda, aconteceu, também, no Golf 2, estando ele à mesa juntamente com o seu irmão mais velho, ao perguntar algo à esposa, disse, esta respondeu-lhe com um prato na cara.
Contudo, explicou, tendo em conta as constantes agressões de que vinha sendo vítima, decidiu pôr fim à relação, mas a intenção não foi bem-sucedida por falta de consenso entre as famílias.
Disse ainda que reiteradas vezes foi aconselhado pelos amigos a colocar termo a esta relação, mas preferiu manter a fé na relação e acreditar na mudança da esposa. Ademais, revelou que o último desentendimento que tiveram foi “a gota que fez transbordar o copo”. Segundo ele, certo dia descobriu que a companheira afinal não possuía um Bilhete de Identidade, como antes o havia contado.
“Certo dia cheguei à casa, ela por acaso não estava, tomei então a liberdade de mexer nas coisas dela, porque precisava do bilhete dela para tratar alguns documentos, e não encontrei nenhum bilhete”, disse, acrescentando que não tardou a jovem chegou. Depois de a saudar, pediu que lhe desse o seu BI, mas esta respondeu que havia deixado na casa onde ela vivia antes de se juntar ao esposo.
“Foi então que descobri que ela não tinha bilhete de identidade, e ela ficou chateada com isso e disse que já não aguentava mais viver assim, e pediu-me dinheiro para arrendar uma casa e viver sozinha”, explicou.
Disse “Tony Makuta”, que entregou a esposa um total de sessenta (60) mil kwanzas para o efeito, mas, esta fez apenas alguns dias fora de casa e logo regressou.
Perdão sim, mas reconciliação não!
Questionado sobre uma possível reconciliação com a esposa, respondeu “nenhum dia, não posso. Perdoar sim, mas reconciliação não”, atestou, para depois dizer que ainda que se cruzarem na rua, não passarão de simples saudações, mas voltar a viver juntos está fora de questão.

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