Um crime de bradar os céus: TAXISTA FOI BARBARAMENTE ASSASSINADO EM CAMAMA

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Um Jovem taxista foi, barbaramente, assassinado por desconhecidos, no Distrito Urbano da Camama, município do Talatona, em Luanda. O corpo da vítima foi encontrado pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), na manhã da passada segunda-feira, 5 de Outubro, com sinais de queimaduras, membros superiores e inferiores partidos, e com indicações de estrangulamento.

Por: Felicidade Kauanda

Os munícipes do Distrito Urbano da Camama, em Luanda, acordaram, na última segunda-feira, 5, com um crime hediondo e de bradar os céus. Um jovem taxista, de 26 anos, que, em vida, atendia pelo nome de Rosineto da Costa Malungo, residente no bairro Golf 1, no município do Kilamba Kiaxi, foi, brutalmente, assassinado por elementos, até ao momento, desconhecidos no domingo, 4, à noite, e o seu corpo foi abandonado num terreno baldio, com sinais de queimaduras, mãos acorrentadas entre as pernas, cortes de faca no peito e abdómem e vários sinais de espancamento em todo corpo, cujas imagens do terror criam arrepios a qualquer cidadão.

O crime deixou em choque os citadinos daquela circusncrição, que se depararam com o cadáver, logo nas primeiras horas do dia. Letício Serafim, tio da vítima, disse que, no dia do ocorrido, acharam estranho que, até por volta das 20 horas o sobrinho não havia regressado à casa, como era habitual. “Quando saíamos, voltávamos sempre juntos. Mas comecei a achar estranho que, até às 20 horas, o “Beloy” não tinha chegado ainda”, explicou, acrescentando que o malogrado, regra geral, chegava mais cedo que ele.

No entanto, disse, preocupados com o aparente desaparecimento do sobrinho, por volta das 22 horas, ele (o tio) acompanhado de um vizinho, decidiram ir atrás do jovem. “Procurámos até 00 hora, mas nada”, elucidou, sublinhando que no dia seguinte, de manhã, continuaram com as buscas, até que encontrarm o corpo da vítima na morgue do hospital Josina Machel, completamente desfigurado.

Visivelmente magoado e com os olhos a lacrimejar, Letício Serafim disse desconhecer as razões que levaram os algozes do sobrinho a tratá-lo de tal maneira, mesmo que a intenção fosse, também, a de tirá-lo a vida e roubar a viatura em que aquele se fazia transportar.

Letício pede, agora, que se faça a justiça. “Estamos, agora, a lutar, juntamente, com as autoridades, que os autores desta barbárie venham a ser descobertos e levados às barras da justiça”, afirmou. Ademais, disse, tendo em conta o estado em que encontraram o corpo da vítima, tratar-se de indivíduos altamente perigosos.

Por outro lado, sublinhou tratar-se de um crime de ajuste de contas, dado ao facto de os supostos marginais terem abandonado o carro da vítima, um Hyundai, modelo Grand-I10, de cor preta, com a chapa de matrícula LD 95 20 GH. E mais, como se não bastasse, Letício Serafim fala ainda de uma testemunha que terá, alegadamente, encontrado o corpo, antes da chegada dos agentes do SIC, garantindo ter quase a certeza de que a intenção dos criminosos não era para roubar à vítima. “estacionaram bem o carro, trancaram-no e deitaram as chaves”, concluiu.

À data do assassinato, Rosineto Malungo (a vítima) fazia serviço de taxi no torço Rotunda da Camama até à Centarlidade do Kilamba, e tará, eventualmente, sido nesta zona em que o malogrado teria sido abordado pelos criminosos.

Depois de muito procurarem e sem sucesso, os familiares do malogrado foram informados de que os agentes do SIC haviam encontrado o corpo de um jovem, já sem vida, nas imediações da Cidade Universitária, por volta das 5 horas de segunda-feira, 5, e levado à Morgue Central de Luanda.

Na sua zona de residência, “Beloy” é lembrado com muito carinho, e os amigos falam em alguém bastante querido. “Fica difícil levantar suspeitas, uma vez que o meu primo sempre foi uma pessoa querida”, disse Dorivaldo Monteiro, para quem o malogrado nutria  carinho e admiração de quem quer que fosse.

De acordo com o irmão, a vítima começou a fazer serviço de táxi recentemente, não se lhe reconhece amigos taxistas, daí que fica ainda mais complicado apontar alegados suspeitos. “É difícil”, esplicou, antes de suplicar por justiça.

Rosineto da Costa Malungo, 25 anos, era único rapaz entre quatro irmãos, e foi a enterrar no passado dia 7, no cemitério da Camama, tendo deixado viúva e órfã de cinco anos.

Marginais usam telefone da vítima

Segundo soube ‘O CRIME, de fonte familiar, os criminosos têm usado o telefone do malogrado para mandar mensagens aos seus amigos, dizendo que está tudo bem consigo e que a qualquer momento regressaria à casa. “Ainda hoje, uma das amigas dele recebeu uma mensagem, vinda de um suposto amigo, apenas, identificado por Fábio, dizendo que “Beloy” (a vítima) está bem, está em Viana, em sua casa e que há de regressar a qualquer momento”, revelou Dorivaldo Monteiro, acrescentado que ninguém conhece esse suposto amigo, e que “Beloy” nunca frequentou casas de amigos em Viana.

Vídeo viral pode explicar causa da morte

s redes sociais, em que se pode divisar um cidadão a proferir ofensas contra o Presidente da República, João Lourenço, e ao Vice-presidente, Bornito de Sousa, estando, o mesmo vídeo, alegadamente, relacionado com o malogrado. Porém, a família de Rosineto da Costa malungo já veio a público esclarecer que nada tem a ver com o seu ente.

Já o porta-voz dos Serviços de Investigação Criminal (SIC-Luanda), Fernando de Carvalho, confirmou a ocorrência e garantiu que as diligências prosseguem no sentido de identificar-se os possíveis autores deste crime.

“A viatura foi encontrada no bairro Chinguare, na via-pública, no momento encontra-se aprendida numa das esquadras do mesmo bairro”, disse o porta-voz.

Criminólogo: “Trata-se de uma morte encomendada”

Para o presidente da Câmara dos Criminólogos de Angola, João Mário Kabeya, a intenção era única: “tirar a vida do jovem”. Para ele, dentro da inteligência criminal existe uma recolha de informações pertinentes  sobre a vítima. O meliante estuda a sua vítima; onde trabalha e o que faz no dia-a-dia, porque ele tem um objectivo, que no final é matar, confiscar ou roubar. E quando se faz a coleta destas informações, leva-se ao actuante. “Em muitos casos, os actuantes acabam protegendo o mandante, porque ele traz um cenário que o coloca em segurança, passando todas informações sobre a vítima e, quando ele ataca, já tem tudo esquematizado”, diz o criminólogo.

Por outro lado, revela João Kabeya, “a pessoa, antes de morrer, tem sempre um grito”. E, em investigação criminal, explica, “este grito é ouvido”. A ciência criminalística, segundo este profissional, obriga os investigadores a entender que, a pessoa antes de morrer, deixa indícios de referência do seu algoz, daí que a ética os obriga a não segurar o corpo antes de serem colhidas todas as provas e decretar o espaço como sena do crime. No caso do jovem, elucida o criminólogo, “a corrente que fora usada no cometimento do crime devia ser levada pelos agentes de investigação, uma vez que serve de prova, para se chegar aos culpados”.

De acordo com este criminólogo, há indícios suficientes para se chegar aos autores do crime, desde que os investigadores façam bem o seu trabalho. Porque, segundo ele, há provas suficientes para se chegar aos culpados. “Não é possível que num local onde ocorreu um crime falte objectos do autor do crime, o princípio de ‘Edmundo Locart’ obriga todos os investigadores a observar atentamente o local do crime”, aclara.

“A investigação é um processo longo, ela começa com a morte de alguém e não termina com a detenção e apresentação de supostos marginais, alguns dias depois, conforme vê-se cá em Angola”, afirma João Kabeya, para depois dizer que a investigação pode durar anos, desde que se apresente os reais culpados.

“A investigação deve culminar sempre com os mandantes e nunca se limitar aos autores materiais”, aconselha o especialista.

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