Congo Democrático: REBELDES HÚTUS NEGAM TER MATADO EMBAIXADOR ITALIANO

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Os rebeldes hútus ruandeses das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR) negaram, esta terça-feira, 23, serem os autores do ataque que provocou, segunda-feira, 22, a morte do embaixador de Itália na República Democrática do Congo (RDC).

João Feliciano

Numa nota enviada à AFP, as FDLR pediram ainda às autoridades congolesas e à Missão da ONU no país, a Monusco, que esclareçam as responsabilidades deste “ignóbil assassinato”, em vez de fazerem “acusações precipitadas”.
Os rebeldes ruandeses afirmam que “o comboio do embaixador foi atacado numa área chamada de ‘trois antennes (três antenas) ‘ perto de Goma, na fronteira com o Ruanda, não muito longe de uma posição das FARDC (Forças Armadas da RDC) e das Forças de Defesa do Ruanda (Exército do Rwanda). “A responsabilidade deste assassínio ignóbil deve ser procurada nas fileiras desses dois exércitos”, acusaram as FDLR. Durante a tarde de segunda-feira, o Ministério do Interior da RDC acusou rebeldes hútus das FDLR de estarem por detrás do ataque que matou o embaixador italiano.
O Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, condenou nos termos mais fortes possíveis o “ataque terrorista” a uma missão do Programa Alimentar Mundial, que resultou na morte de três pessoas, incluindo o embaixador italiano no país. Numa mensagem lida à noite, na televisão nacional pelo seu porta-voz e citada pela agência France-Press (AFP), o Chefe de Estado congolês, Félix Tshisekedi, classificou o acto como bárbaro, hediondo e prometeu responsabilizar os culpados. Tshisekedi pediu também, à semelhança do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, uma investigação para que os autores dos ataques sejam “identificados e levados à Justiça”. O Executivo da RDC prometeu já fazer “todo o possível para descobrir quem está por detrás” do “vil assassínio” do embaixador italiano em Kinshasa, Luca Attanasio. Attanasio foi morto a tiro num ataque armado a um comboio do PAM, durante uma visita perto de Goma, no Leste da RDC, segundo fontes diplomáticas. Luca Attanasio, que desempenhava as funções de embaixador na República Democrática do Congo desde início de 2018, foi “alvejado no abdómen e “resgatado” pelos guardas do Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN)” no Virunga Park, segundo as autoridades congolesas. Além do embaixador, duas outras pessoas morreram no ataque: o condutor congolês do PAM e o guarda-costas italiano do embaixador, segundo fontes congolesas e italianas citadas pela AFP.
O ataque ocorreu em terreno montanhoso e densamente arborizado ao Norte de Goma, capital de Kivu do Norte, no Território de Nyiaragongo, uma das partes mais perigosas do país. Alguns dos fundadores do grupo hútu estiveram envolvidos no genocídio do Ruanda em 1994, durante o qual a maioria hútu matou 800 mil pessoas, principalmente tutsis, mas também moderados hútu. O grupo opõe-se ao actual Governo do Ruanda, mas não lançou nenhuma ofensiva neste país desde 2001.

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