Professor em Luanda: SUSPEITO DE ESTUPRAR ALUNA DE 13 ANOS

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Avelino Mateus Gonçalves, 34 anos, agora em parte incerta, leccionava a disciplina de Física, no colégio Santa Catarina, localizado nos Combatentes, município de Luanda, é suspeito de ter estuprado uma aluna de 13 anos e assediado outras, no passado mês de Março, dentro da instituição.

Nzinga Manuel

Amãe da vítima, que prefere omitir sua identidade e a da filha, explicou que ,nos últimos dias, foi notando um comportamento estranho com a menor, passar maior parte do tempo trancada no quarto, perda do apetite e emagrecimeto rápido. “Dizia que estava tudo bem, sempre que eu a perguntasse a respeito deste novo comportamento”, disse, acrescentando que, depois de alguma insistência, dela e de uma colega de escola com quem melhor lidava, a menor decidiu, então, abrir-se.
Esta colega, por sua vez, contou à sua mãe sobre o que a havia revelado, notou. No entanto, ela apenas ficou a saber do sucedido quando, no dia 28 de Abril, foi convocada pela direcção do colégio para uma reunião que teve lugar por volta das 16 horas. Quando lá chegou, fez saber, deparou-se com outras mães cujas filhas haviam, supostamente, sido assediadas pelo aludido professor.
“Fiquei triste porque, afinal, há muito que a escola já dominava o assunto, mas eu só fiquei a saber naquele dia”, lamentou ao acusar a direcção daquela instituição de ensino de ocultar a informação e, alegadamente, preservar a integridade do seu colaborador que continuou a leccionar e manter contacto com as suas vítimas.
De acordo com a senhora, à data do alegado abuso sexual, a menor, por volta das 11 horas, após as aulas, uma data que não sabe explicar, mas que se recorda ser no mês de Março, encontrava-se sozinha na sala de aulas à espera que o pai a fosse buscar, como de resto era hábito, que, para sua infelicidade, tardava em chegar. Nesse instante, prossegue, o alegado estuprador, o professor Avelino Mateus Gonçalves, entrou na sala onde se encontrava a menor e consumou o acto.

“Professor das Novinhas”
Assim era tratado o suposto estuprador

Alguns alunos do Colégio Santa Catarina, que aceitaram falar para este jornal, foram unânimes em afirmar que o professor Avelino Mateus Gonçalves, não raras vezes, durante as suas aulas, fazia uma incursão em matérias de sexualidade, tal é que os alunos o apelidaram de “professor das novinhas”.
Quem foi mais longe é a menor Maria Helena (nome fictício), também de 13 anos, segredando que, certo dia, no mês de Fevereiro do presente ano, num dos corredores da escola, o professor fez-lhe um “elogio”, sugerindo que, quando ela crescesse que, o procurasse. “E disse que eu era muito bonita”, esclareceu, para mais adiante dizer que, assim como ela, o professor vivia assediando muitas alunas.
Outra aluna, da mesma faixa etária, contou que uma vez se cruzou com o professor nas escadas do colégio e este pediu-lhe um abraço. “Mas eu neguei”. Quando chegou na turma, contou às demais colegas, alertando-as para que tivessem mais cuidado com o mesmo professor.
Outra aluna explicou que, durante estas “aulas de sexualidade”, Avelino Gonçalves recorria a linguagens impróprias para um auditório de menores. “Às vezes chamava-nos de ‘amor’ em plena aula”, asseverou, lembrando que também já foi vítima de assédio por parte do professor.
Uma das encarregadas, ouvidas pelo jornal O Crime, revelou que no dia 20 de Abril, uma sua vizinha e mãe de uma colega da filha, foi à sua casa e contou que uma das colegas das suas filhas havia sido abusada sexualmente no colégio por um alegado professor de Física. Tendo em conta a gravidade da denúncia, ambas deslocaram-se, no dia 22 do mesmo mês, ao colégio, expondo o assunto junto da directora-geral da instituição que, após ouvir a informação, ficou chocada e pôs-se a lacrimejar.
Já outra encarregada, cuja filha foi, também, alvo de assédio por parte do referido professor, conta que as menores estudavam, anteriormente, numa sala controlada por vídeo vigilância, no entanto, a direcção da escola entendeu transferi-las noutra sala, também conhecida como “Santa Catarina Pequena”, sem monitorização por vídeo vigilância, onde, segundo ela, terão ocorrido os abusos.
De acordo com a mesma encarregada, as menores entravam às 10 horas, a seguir a aulas da iniciação. Neste período, já a segurança é reduzida, criando um cenário propício para existência de actos como o que, supostamente, aconteceu.
Na segunda-feira, 26 de Abril, a mesma encarregada disse ter regressado ao colégio para saber que tratamento a escola havia dado ao assunto, tendo constatado que marcaram uma reunião, para o dia seguinte, com corpo directivo do colégio, tendo ela exposto, novamente, o assunto e apresentado os áudios onde a menina relata como tudo aconteceu. Ainda assim, lembrou, a instituição se manteve firme, quanto à inocência do professor.
“Só me garantiram que iriam fazer um trabalho interno para apurar a veracidade da acusação e, se se viesse a confirmar o acto, entregariam o professor às entidades competentes”, afirmou, para depois dizer que não faltou em alertar sobre uma possível fuga do mesmo professor, tendo aqueles garantido que, caso viesse a acontecer, saberiam como chegar até ao sujeito.
Já na quarta-feira seguinte, fez-se a audição às menores e, em seguida, ao professor. Segundo à direcção do colégio, diz esta encarregada, ao questionar o indivíduo sobre o assunto, este saiu da sala em passos lentos, ao chegar à porta principal, colocou-se em fuga.

Comunicado do colégio

O Colégio Santa Catarina torna público o seguinte: No passado dia 27 de Abril, esta instituição escolar foi informada por encarregados de educação sobre acontecimentos que terão ocorrido no pretérito mês de Março do corrente ano, envolvendo uma aluna menor de 13 anos de idade e um professor de 34 anos de idade, em que este é acusado pela referida menor de acto de presumível abuso sexual. Face à gravidade da acusação, o colégio, após indagar os envolvidos e estes fornecerem versões contraditórias sobre o acontecido, apresentou a 29 de Abril uma participação criminal à Procuradoria-Geral da República, Gabinete da Sub-Procuradora da República junto do SIC, nesta cidade de Luanda para que esta autoridade judicial averigue o facto e proceda em conformidade com a lei, tendo-se colocado ao dispor das autoridades para prestar toda a colaboração que se mostre necessária. O Colégio Santa Catarina lamenta profundamente esta ocorrência e reitera o seu compromisso na continuação da prestação de um serviço de educação de qualidade, em segurança, como tem sido seu apanágio nestes 17 anos de existência”, diz o comunicado. Olhar jurídico De acordo com o novo Código Penal no artigo 192.º, diz quem praticar acto sexual com menor de 14 anos ou o levar a praticá-lo com outra pessoa é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos. Se houver penetração sexual, a pena é de prisão de 3 a 12 anos. Se houver penetração com menor de 12 anos, a pena é de prisão é de 5 a 15 anos. Por sua vez, o artigo 186.º (assédio sexual) do novo Código Penal diz que quem, abusando de autoridade resultante de uma relação de domínio, dependência ou de trabalho, procurar constranger outra pessoa a sofrer ou a praticar acto sexual, com o agente ou com outrem, por meio de ordem, ameaça, coacção ou fraude, é punido com pena de prisão até ou com a de multa até 360 dias. Se a vítima for menor, a pena é de 1 a 4 anos de prisão A psicóloga criminalística Sílvia Cardoso afirmou que se trata de um caso bastante chocante. Considerando que um professor é, socialmente, tido como modelo para os seus educandos e na comunidade. A especialista pensa se for provado acusação mostra tamanha despreparação profissional do suposto professor. “Uma vez que deveria ver os seus alunos como no sentido real da palavra e, jamais, deixar-se levar por supostas paixões ou atracções por alguma aluna”, aconselhou. Por outro lado, mostra-nos também um adulto que pode estar comprometido por transtornos psicológicos, nomeadamente pedofilia uma vez que a vítima é uma adolescente na fase inicial. “Psicologicamente um indivíduo com essas atitudes, posto no meio ambiente de crianças e adolescentes é um potencial risco, pode prejudicar as relações interpessoais”, alertou. A psicóloga aconselhou, também, que a vítima neste caso precisa de acompanhamento de um psicólogo para ultrapassar ou minimizar as sequelas da violência sofrida. A especialista adiantou ainda que ela pode desenvolver perturbação de estresse pós-traumático. O que pode comprometer o seu desenvolvimento, uma vez que o indivíduo nesta idade está à busca da sua identidade. Por outro lado, pode perder interesse pelas relações interpessoais com indivíduos do sexo masculino. “Nós queremos a justiça”, pediu a mãe da vítima.

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