Reclama por indemnização à Clínica Sagrada Esperança: Jovem preso numa cadeira de rodas por suposto erro médico

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Adilson Campos, de 35 anos de idade, encontra-se há nove anos preso numa cadeira de rodas por suposto erro médico após a uma intervenção cirúrgica na Clínica Sagrada Esperança. A clínica em causa recusa qualquer responsabilidade.

Leal Mundunde

Avida do jovem Adilson Campos mudou drasticamente na madrugada de 1 de Março de 2013, altura em que foi atropelado no município de Viana, quando regressava a casa, depois de acompanhar um amigo à paragem de táxi.
Prontamente foi socorrido e levado ao Hospital Militar, onde, cinco dias depois, isto é, a 6 de Março, foi transferido para a Clínica Sagrada Esperança, sita na Ilha de Luanda, Avenida Murtala Mohamed.
Entretanto, no dia 7 de Março, Adilson Campos foi submetido a uma intervenção cirúrgica na coluna vertebral, tendo sido informado pelos médicos que correu positivamente.
No dia seguinte, o responsável da equipa médica, “veio ter comigo para saber como dormi e expliquei que não estava bem”, revelou a fonte, que vai mais longe ao afirmar que o especialista em causa, durante cinco dias, deixou de comparecer no seu quarto.
Preocupado, tendo em conta o agravamento da situação, sugeriu aos pais que fosse transferido para o exterior, para que o pior não acontecesse.
A grande dificuldade, de acordo com o nosso interlocutor, residia no facto da família não ter em posse o relatório médico, para poder viajar ao exterior do país, uma vez que o responsável da equipa médica que efectuou a cirurgia tardava em assinar o documento.
“Num dia triste vi meu pai sair do quarto a lacrimejar, eu como filho estava extremamente preocupado. Só queria ausentar-me do país. Depois da pressão feita à direcção da Clínica, o relatório foi disponibilizado”.
Ao chegar à África do Sul, depois de submetido a vários exames, surgiu o diagnóstico com a informações que mais temia “o senhor esta paraplégico resultante de uma cirurgia mal efectuada”, disse.
Um dos erros identificados segundo a fonte, refere-se aos parafusos que os médicos da Clínica Sagra Esperança terão colocado erradamente na medula ao invés do osso, onde foi aplicado como mostram as chapas dos exames que publicamos.

Vítima exige indemnização à Clínica Sagrada Esperança

Depois dos pais terem a informação de que o filho estaria em estado paraplégico (termo médico utilizado quando o paciente não consegue movimentar, geralmente causado por uma lesão na medula espinal), voltaram a contactar a Direcção da Clínica Sagrada Esperança em 2014.
As partes estiveram reunidas por duas vezes no sentido de encontrarem um meio-termo para repararem os danos causados, mas sem sucesso, como fez saber Elizeu Nguiniti, advogado da vítima.
O documento datado de 20 de Maio de 2022, dirigido à Clínica Sagrada Esperança pelos mandatários de Adilson Campos, apresenta uma proposta de indemnização equivalente a 350.000,00 (trezentos e Cinquenta mil Kwanzas) mensais vitalício.
“O valor proposto foi obtido tendo em consideração ao grau de incapacidade parcial permanente de que padece…”, lê-se no documento, mas recusado pela direcção da referida clínica.

Clínica Sagrada Esperança nega existir erro médico

Em reacção, a direcção da Clínica Sagrada Esperança confirma que os parafusos postos durante a cirurgia ao paciente estão “mal colocados”, mas nega existir falha médica durante a cirurgia realizada ao mesmo.
No documento de 13 de Junho de 2022, que tivemos acesso, a direcção da clínica disse que, apesar dos parafusos estarem fora dos pedículos, a instituição defende que não há “sinais de terem causado lesão adicional ao doente”.
No mesmo documento, pode-se ler que a cirurgia foi realizada somente com objectivo de estabilizar a coluna e permitir que o doente fosse colocado em posição de sentado o mais rapidamente possível.
Defendem ainda que a lesão de Adilson é resultante do acidente de viação que sofreu e não da cirurgia. “A instituição não deve ser responsabilizada por algo que não cometeu”, como consta no documento assinado pelo Director Clínico Ismael Tomás.

Processo judicial em curso

O advogado Elizeu Nguiniti reafirma que os relatórios das duas instituições sanitárias, divergem, pelo que o seu constituinte solicita indemnização por acreditar que o seu estado actual é resultado de um erro médico.
O mesmo confirma estar em curso um processo que nos próximos dias dará entrada ao tribunal para que o seu constituinte seja indemnizado e promete irem até às últimas consequências.
Aquele causídico refere ainda que o processo em causa não vai satisfazer as ambições de Adilson Campos, mas poderá exigir mais cautelas dos médicos, desta feita, evitando outros casos do género.
Adilson Campos na data do acidente estava com 26 anos de idade, tinha uma vida totalmente independente, isto é, com trabalho estável numa empresa onde era o chefe dos transportes. Actualmente com 35 anos, para se locomover e até fazer as necessidades básicas, conta com ajuda de terceiros. “Quero justiça. Sinto-me injustiçado e humilhado”, lamentou aos prantos.

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